Leitura e solidão

Na revista Veja deste domingo há uma interessante matéria sobre a solidão, sob o ponto de vista do famoso psicólogo americano John Cacioppo.

Dois parágrafos me chamaram a atenção:

A solidão é 50% hereditária e 50% circunstancial. Mas o que é determinado pela genética é quão dolorida pode ser a sensação de isolamento.

(…)

A solidão pode acirrar a timidez, mas, se você é introvertido, isso não signficia que seja mais solitário. Nesse caso, a pessoa apenas precisa de menos pessoas para se sentir completa. Um tímido pode ter somente um bom amigo e, ainda, assim, ser feliz. Não importa a quantidade de amigos, e sim a qualidade da companhia.” (Pág. 94, Veja, 23 de novembro de 2011, ed. Abril)

Eu estou em algum ponto entre ser tímida e ser extrovertida. Depende do ambiente, de quem eu conheço entre os presentes, da preparação, do estado de espírito…

Uma coisa é certa: eu gosto – e preciso – de momentos de solidão. Eu não consigo ficar o tempo todo rodeada de pessoas, eu não gosto de longas viagens em excursão ou em bandos, eu me canso de estar o tempo todo em grandes grupos. Eu preciso de silêncio. Eu preciso de momentos em que sou eu comigo mesma e nada mais. Eu preciso de algumas horas por semana em que só eu sei o que estou fazendo e este “fazendo” são coisas agradáveis e não obrigações.

Acho que esses pedaços de solidão fazem eu valorizar aqueles outros em que estou com meus amigos ou a família (extendida) toda reunida.

É maior minha “tolerância” para momentos com poucas pessoas, principalmente se for com uma daquelas que pertencem ao restrito grupo de “pessoas cuja companhia nunca é demais para mim“.

Por incrível que pareça, a leitura não é um momento de necessária solidão. E não estou falando sobre o fato de que quando leio eu estou com meus “amigos-personagens”. Eu adoro ler sozinha, mas também gosto de ler com alguém lendo ao lado.

No feriado chuvoso, me vi na sala rodeada de leitores. Eu, meu marido e meus pais estávamos todos lendo. O silêncio era descontinuado por um espirro, uma risadinha abafada ou um suspiro mais alto. Ao invés disso me tirar a concentração, essas interrupções funcionaram para me encher o coração.

Eu estava realizando um ato em tese solitário, mas não me sentia sozinha. Pelo contrário, me sentia agradecida por compartilhar a atividade de ler com pessoas amadas, ainda que cada um estivesse imerso num mundo particular, já que cada livro era diferente.

 Ninguém tinha lido o livro que estava em minhas mãos, portanto não compartilhavam aquela história. Ainda assim, dividíamos a sensação de viver outra vida por meio das palavras no papel e isso me bastou.

 

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2 comentários

  1. Ju…concordo muito com vc. Também preciso dos meus momentos de solidão. Uma vez li “recordações da casa dos mortos”, que Dostoievski conta os anos que passou preso. Lembro de um comentário dele de que, na prisão, não te deixam ter um momento de solidão e como isso lhe pesaria tanto…

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