Filme bom com título traduzido ruim

Um dos filmes com indicação ao Oscar, “Histórias Cruzadas” retrata a história de Skeeter, garota amreciana sulista que, para fugir do único destino que lhe era reservado no Mississipi dos anos 60 (casar e ser dona de casa), estuda jornalismo e volta para sua cidade com o objetivo de trabalhar.

Seguindo a sugestão de uma editora de Nova York (“escreva sobre o que a incomoda“), Skeeter decide que seu tema será a perspectiva das empregadas domésticas negras sobre sua vida, uma vez que trabalham arduamente, mas são mal-pagas e não possuem direitos. O assunto causa tremendo rebuliço, considerando que não somente ainda eram comuns atos de violência da Ku Klux Klan, mas também porque ninguém ou nenhuma comunidade gosta de que lhe sejam propostas mudanças de comportamento.

É um bom filme, que retrata que a coragem de falar e de mudar podem ser recompensadas. Talvez agrade mais ao público feminino que o masculino, não pelo tema subjacente (luta pelos direitos civis dos negros americanos), mas sim pelo enfoque dado (os personagens masculinos são secundários, quase desnecessários).

Tenho visto por aí muitas comparações entre o filme e o tratamento brasileiro atual das empregadas domésticas. Acredito que a maioria das pessoas que possuem trabalhadoras em seus lares devem sair do filme questinando-se, em maior ou menor escala, sobre esta delicada relação. Não é a intenção deste blog ingressar em questões controvesas e multifacetadas, por isso não pretendo alongar a discussão.

Ainda assim, não posso deixar de me perguntar se a comparação é totalmente válida, visto que há aspectos fundamentalmente diferentes nas duas situações. No filme, a luta era pelo reconhecimento em lei dos direitos dos negros, direitos estes que no Brasil já são previstos (independentemente da discussão se eles são, na prática, aplicados). Em segundo lugar, nos EUA, a discriminação dava-se (dá-se?) exclusivamente pela cor, ao passo que no Brasil baseia-se também em condições sociais e econômicas. Ou seja, a discussão possui muitas nuances que não cabem em um mero post.

PS: Mais uma tradução horrível do título! Em inglês, “The help” (a ajuda) virou o bobinho “Histórias cruzadas”.

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1 comentário

  1. Ainda não vi o filme mas o livro vale a pena sobretudo se lido em inglês. A autora escreve como estas protagonistas falavam, com erros e expressões próprias. Bem interessante.

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