Entrevista com o autor – Newton César de Oliveira Santos

Começamos nossa nova coluna mensal com o Newton, autor do livro “Brasil x Argentina – histórias do maior clássico do futebol mundial (1908- 2008)”. A proposta de Newton é desvendar como o relacionamento esportivo entre as grandes potências do futebol transformou-se nessa rivalidade de sangue que conhecemos hoje.

De onde surgiu a ideia de investigar toda a história dos confrontos esportivos entre as seleções de futebol do Brasil e da Argentina?
A ideia foi de meu amigo e companheiro de faculdade Sergio Gonçalves Freire. Ele trabalha em um grande banco e foi transferido de São Paulo para Brasília em 2001. Sempre achamos que deveríamos escrever um livro juntos, talvez sobre futebol, mas a ideia nunca se concretizava. Em janeiro de 2006, durante um telefonema de rotina, voltamos a conversar sobre esse projeto e ele falou sobre a ideia de escrevermos sobre a história dos confrontos entre Brasil e Argentina no futebol. Uma rápida pesquisa pela internet mostrou-nos que não havia nenhuma obra com essa abrangência. Duas semanas depois do telefonema já estávamos imersos no projeto.
Como foi o processo se escrever o livro? Você escrevia todo dia? Encontrou facilmente as informações que queria? Foi bem recebido pelos entrevistados?
Dedicamos o ano de 2006 a pesquisar o que já havia sido publicado sobre o assunto e a coletar materiais – basicamente jornais e revistas antigas. Tiramos cópias de jornais e revistas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Depois, ainda em 2006, no final do ano, fomos a Buenos Aires atrás de materiais e fontes locais. Em 2007, nos dedicamos a organizar o material que tínhamos em mãos e a elaborar a estrutura do livro – e eu voltei a Buenos Aires para mais uma visita de uma semana. No início de 2008 ele teve um problema particular e não pôde seguir com o projeto – a ideia original era cada um escrever metado do livro. Assim, fiquei responsável por escrever o livro sozinho, e levei todo o ano de 2008 para concluir a obra.
Como esse trabalho literário foi feito em paralelo às minhas atividades rotineiras, tinha que ‘encaixar’ na minha agenda semanal espaços para escrever o livro. Em alguns dias conseguia dedicar várias horas ao livro; em outros, não conseguia tempo sequer para abrir o aquivo no computador.
As fontes para o livro eram diversas, e em dois países. Encontrar alguma delas foi fácil, e assim que tomavam conhecimento do projeto se mostravam bastante solícitas para ajudar. O grande trunfo que tivemos foi, na minha opinião, não contar com a memória das pessoas – que é sempre traiçoeira, ainda mais quando de trata de eventos de 10, 20, 30, 40 e até 50 anos atrás. O que fizemos foi usar as declarações dos personagens principais que foram dadas a jornais e revistas na época em que aconteceram os eventos. Com isso, o livro está repleto de citações de todas as épocas, de personagens dos dois países, muitas vezes sobre os mesmos eventos. Isso enriqueceu muito a obra, jornalisticamente falando-se.
Qual o fato mais curioso com que você se deparou durante a pesquisa para o livro?
Era sabido que uma charge de conteúdo racista havia sido publicada em um jornal argentino em 1920, e que havia sido motivo de um grande desentendimento entre as seleções de Brasil e Argentina, e também entre os dois países. Mas essa charge nunca havia sido publicada. Pois bem, em uma visita à Biblioteca Nacional de Buenos Aires, em uma tarde de um dia comum, fomos recebidos por uma atendente da biblioteca que, depois de ouvir a nossa solicitação, levou menos de 10 minutos para voltar com uma cópia do jornal da época, com a charge nítida e clara, pronta para ser copiada. Temos o orgulho de haver publicado, pela primeira vez, a mais antiga reprodução pictográfica de um exemplo da famosa expressão racista ‘macaquito’, usada por alguns argentinos para se referir aos brasileiros.
 
Como você se sentiu depois que finalizou o livro? Sensação de “missão cumprida”, dúvida se “ficou faltando algo” ou saudades da atividade de escrever?
Ao final de um projeto que durou três anos, a sensação mais presente é de alívio. Primeiro, pelo fim do trabalho; e segundo, porque nesse intervalo de tempo alguém poderia ter tido a mesma ideia e ter publicado um livro antes (o que de fato aconteceu, só que a publicação foi depois da minha). O mais marcante, porém, foi a sensação de haver escrito um livro bem feito, bastante completo, e que pode se tornar obra de referência para estudos futuros (apesar dos erros que fui encontrando com o passar do tempo). Valeu a pena e todo o investimento de dinheiro e energia.
Alguma dica para quem tem o sonho de escrever um livro?
Escreva, sempre – não se deixe abater pelas dificuldades editoriais. Se editoras não se interessarem pela sua obra, pague pela publicação (como eu fiz) e busque meios de divulgação. Se isso for trabalhoso e custoso, publique um livro eletrônico (e-book). Mas não deixe de buscar meios de fazer com que aquilo que você escreveu seja lido.
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