Entrevista com o autor – Vitor Zenaide

A conclusão do curso de mestrado coincidiu com o lançamento do primeiro livro de Vitor Zenaide, lançado na Bienal. “As três leis de Newton” é um romance policial, cujo “tema principal envolve questões ligadas a política, terrorismo e conspirações“, nas palavras do autor.

Como uma pessoa que não é escritor tempo integral concilia escrever com as demais tarefas?

 Acho que o ponto aqui está na paixão pela escrita. Quando se gosta do que faz, acha-se tempo. No meu caso, trabalhava durante o dia e escrevia nas horas livres – à noite e aos finais de semana. Como para mim sempre foi algo prazeroso, escrever se misturava a mais uma das atividades de lazer que fazia nas horas vagas. Não me importava em perder uma horinha de sono para escrever meia página do meu livro.

Outra coisa interessante que também me ajudou muito nesta conciliação foi o fato de estar sempre pensando na história do livro, quase que 24 horas por dia. Nas horas pouco produtivas, como no trânsito ou no chuveiro, por exemplo, eu ligava minha cabeça para criar alguma coisa para o livro, fosse para resolver um ponto-chave na história, ou para estruturar como contaria uma passagem de forma coerente e que mantivesse o suspense. Dessa forma, quando sentava para escrever, já tinha boa parte da “criação” decidida na cabeça, bastava realmente deixar o texto correr. Facilitava bastante.

Uma vez escrita a história, você modificou algo? Outros finais te pareceram possíveis? 

O que fiz foi bolar um enredo macro desde o começo do livro. Pensei no que escrever em cada capítulo, isto é, quais situações seriam apresentadas, o que seria e o que não seria revelado etc. Acredito que tenha sido um fator crítico para manter uma coerência durante a história, pois eu sempre sabia qual seria o fim, o que aconteceria com cada personagem, quais informações que deveriam ser escondidas até o final para que se mantivesse o suspense etc.

Partindo deste planejamento para a escrita do texto em si, as modificações do enredo foram pequenas. Fiz muitos ajustes de formato, ordenação do texto, ou seja, pequenas modificações que me pareciam melhorar a leitura da história. Porém, o enredo macro foi mantido até o final. Acredito também que tive a sorte de gostar muito da ideia inicial da história, pois nunca pensei em algo melhor ao longo dos dois anos que levei para encerrar o livro.

Há quanto tempo você sonhava em escrever um livro? Quando surgiu a coragem para finalmente colocar no papel a história que você queria contar? 

A ideia de escrever um livro surgiu quando era ainda adolescente. Sempre gostei de escrever, já percebia esta minha característica desde a escola. Quando meu pai me apresentou os primeiros romances policiais e eu comecei a lê-los incentivado por ele, ficava imaginando que eu queria ser aquela pessoa que tinha criado aquela história. Sempre que terminava um livro bom, intrigante, eu ficava admirando o autor e desejava que um dia pudesse ser que nem ele.

 Antes deste livro, já havia começado a escrever outras quatro histórias. Pensava em algo bacana, iniciava o texto, mas parava algumas páginas depois, essencialmente porque enjoava da história. O fato é que elas sempre me pareciam muito boas inicialmente, mas nunca tinha a paciência de planejar todo o livro desde o começo. Quando chegava ao meio da história, já sentia uma enorme dificuldade em continua-la de uma maneira interessante. Acredito que tenha sido a maturidade que me fez ter uma boa ideia, planejá-la capítulo a capítulo para daí sim termina-la.

Alguma dica para quem deseja publicar um livro? 

Publicar um livro é uma tarefa bem difícil. As editoras acabam atribuindo uma preferência maior aos autores já consagrados, sendo muitos estrangeiros. Para um novo autor em sua primeira obra, o caminho de entrada em uma editora grande é muito ardiloso e pode se tornar bastante frustrante.

 Ao meu ver, existem dois caminhos principais para facilitar este processo: (1) se você tiver algum contato dentro de alguma editora que faça seus originais chegarem recomendados até o editor ou (2) se você não tiver este contato, o caminho da publicação independente é bem interessante. Há algumas editoras que são focadas neste segundo caminho, como a Schoba, que fez a publicação do meu livro. Há também alguns sites que permitem a publicação gratuita de livros de forma on-line sob demanda, como o Clube de Autores e o Bookess, onde o autor faz o upload do arquivo e pode comercializar sua obra por ali – serviço parecido com o feito pela Amazon. Nestas alternativas, o autor precisa fazer um investimento inicial para a publicação, que tem tudo para ser recuperado com a venda dos livros.

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