“Maus”

Na II Guerra de Art Spiegelman, judeus são ratos, alemães são gatos, poloneses são porcos e norte-americanos são cachorros. O antropomorfismo serve tanto como sátira, como me parece uma técnica para tornar a história mais palatável. Só que todos os horrores sofridos pelos perseguidos na II Guerra não tem como ser tolerável.

Em “Maus”, Art conta a história real de seu pai, Vladek, que sobreviveu ao holocausto. O livro em quadrinhos reflete a escalada da perseguição aos judeus e outros grupos “indesejados”: intoletância na rua, “venda” forçada das lojas e indústria, identificação dos judeus e possibilidade de compra de alimentos somente por tickets, desconfiança entre os integrantes da própria comunidade, guetos, campos de trabalho forçado e, por fim, campos de concentração.

Maus art spiegelman

Foto por Júlia A. O.

A minha amiga que me deu o livro preveniu-me sobre o estado emocional após ler passagens mais fortes. E foi bem assim… Certas maldades retratadas tocavam mais fundo e eu ficava especialmente incomodada.

Se ler quadrinhos é uma atividade bem mais rápida que ler um livro “de palavras”, a história de “Maus” não se apagou da minha mente na mesma velocidade. Pelo contrário. O tanto que eu fiquei indignada não só com esta terrível demonstração, mas com todas as atrocidades feitas por aí contra outros seres humanos, como acontece com os meninos-soldados na guerra civil de países africanos, por exemplo, deixou um persistente gosto amargo em minha boca.

O desafio literário deste mês foi excelente.

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11 comentários

  1. Maus é uma história que quero conhecer. Não tenho o hábito de ler graphic novels, mas depois das 2 que li até agora para o Desafio, acho que vou me dedicar mais ao gênero.
    bjo

  2. Eu imaginava que Maus seria o melhor livro do ano… mas a história é tão triste que eu fiquei me sentindo incomodada de tratar o livro como um produto, uma obra de arte… você sentiu isso?

    É um depoimento pessoal agudo. Parece intromissão sair por aí dizendo “olha, é maravilhoso, você precisa ler”! É como se estivéssemos assistindo a história do Vladek, lá, na época, sem fazer nada.

    Também fiquei bastante incomodada.

    1. Os livros tanto podem divertir quanto incomodar ou nos fazer pensar. Assim como você, Sharon, eu fiquei mal, com essa sensação de impotência. O que eu acho é que devemos fazer é usar essa incômodo para nos lembrar da nossa sorte e não esquecer de ajudar quem está a nosso alcance.

  3. Maus é realmente um livro que mexeu comigo.
    Acho o retrato que ele traz único!
    Fiquei muito feliz que você gostou da indicação, Ju!!!!!!
    PS: Amei a foto!!! Ainda mais com o Mickey!!! O Cris que se cuide pq vc vai roubar o posto dele de fotógrafo oficial do casal!!!!!

  4. AH!!!! Esqueci de falar q fiquei toda orgulhosa do livro ter virado um post seu com direito até a um link pra minha dica!!!! To mto chique!!!!! Hehehehe

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