Dica da amiga (Fernanda Caiuby – 2)

THE CASUAL VACANCY – o novo livro de J.K. Rowling

Como será traduzido para o português este título? A Vaga Casual? É a tradução literal, mas não a melhor. A sutileza e beleza do título em inglês combinam mais com algo do tipo: “um vazio a ser preenchido”. Veremos…

Por enquanto, o original em inglês é tudo o que existe e é magnífico.

A autora realizou a proeza de escrever um livro muito, mas muito superior aos da saga Harry Potter; escrevendo para e sobre adultos. Escrevendo sobre gente feia, suja, pobre, má, mesquinha. Descrevendo vidas destruídas pelo descaso do próximo e o horror das drogas; a falta de comprometimento de uma pequena comunidade fictícia inglesa, com seus habitantes menos favorecidos. Utilizou sua experiência e informação como fundadora e financiadora do CHLG, órgão filantrópico que atende crianças carentes e que sofreram abusos psicológicos ou sexuais. A renda do livro infantil que ela publicou após o término de Harry, foi toda dedicada à esta instituição e é daí que surgiu a inspiração e coragem para tratar de temas desagradáveis e incômodos nesta nova obra.

Ambição e ganancia estão por todo o lado. O moderno “bullying” também, bem como preconceitos de todo tipo. J.K. Rowling é magistral ao entrelaçar as vidas de oito famílias de classes sociais diferentes em duas cidades vizinhas. Os personagens não são fofos bruxinhos ou charmosos magos e sim gente péssima e infeliz, de carne e osso. Os protagonistas fedem e suam, gordos e paquidérmicos, infiéis, invejosos e tresloucados. Prostituta e pedófilo sofrem e fazem sofrer.

Os críticos norte americanos ou não gostaram, como o do New York Times, ou tentaram achar semelhanças com os livros Harry Potter e um suposto “humor negro” onde não existe, caso da revista Newsweek. A revista britânica, The Economist, gostou e definiu o livro como “perceptivo” e “elaborado”, além de “escrito primorosamente”.

Em minha opinião é uma obra prima de bem escrito, leitura duríssima porém fascinante.

Mas faz chorar. E pensar. Sobre quão ruim o ser humano é e sobre como difíceis são nosso insolúveis problemas do dia a dia.

Não há fantasia para J.K. Rowling desta vez. Ela quis escrever algo diferente e conseguiu. O fato de que o fez ainda melhor do que os livros anteriores é fabuloso. Ela provou não ser autora-de-um-livro-só.

Quem puder ler em inglês deve fazê-lo, pois a trama perderá bastante da força em português. Mas o livro é tão bom que deve ser lido e principalmente, refletido, em qualquer idioma.

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8 comentários

  1. Acabei de ler o livro.É inacreditável como ele te prende por ser tão bem escrito e ao mesmo tempo te repugna e desencanta da raça humana. Muito duro.

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