Dica da amiga (Viviane Lima)

Livro: “O jogo da Velha” de Malorie Blackman, publicado pela Galera Record.

Gênero: Ficção Juvenil

Tema: Trata-se de uma perspectiva singular sobre a segregação racial vista com os olhares de dois adolescentes: Persephone (pertencente à classe dos Cruzes) e Callum (pertencente à classe dos Zeros). Dois amigos de infância que, à medida que crescem, têm que lutar contra as diferenças que interpõem um muro de discórdia entre os dois. Nesse cenário de um mundo dividido e injusto, expõe-se uma história de dor, ódio, amor e esperança. Do enredo posso falar pouquíssimo, pois não quero estragar a história para quem, que apostando na minha recomendação, venha a ler o livro.  Aliás, se você valoriza o impacto emocional de uma história, não leia a sinopse e a orelha do livro.

Porque vale a pena ler: Ao contar-nos essa narrativa que alguns dizem ter muito de Romeu e Julieta, Blackman revolve o mundo tal como é conhecido de cabeça para baixo. Aliás, a meu ver, esse é o requinte genial da obra, a saber: a subversão da ordem das coisas em que o confronto com estabelecido dá relevo à expressão “calçar os sapatos do outro”. Como que munida de uma matemática diferenciada, Blackman demonstra que a ordem dos fatores altera o produto. Alteram vidas, mudam destinos e desfazem os sonhos. Porém, em termos do Jogo da Velha a que o título alude e que, à luz da narrativa, mais parece um campo minado, o resultado não muda. Se der cruzes, zeros ou se der velha, o fato é que não há ganhadores. Pois, onde se exclui a lei do amor, todos saem vencidos. É assim que Malorie Blackman toca na matadura. Ela sabe onde sapato aperta e a garganta engasga de modo que, ao término da leitura, é impossível ficar indiferente. 

A título de acréscimo histórico-cultural, Malorie Blackman insere alguns fatos reais e ignorados de nossa civilização, transformando-os em eventos narrativos vivenciados na trama. Como exemplo, há uma passagem em que alguns dos personagens experimentam na pele o mesmo episódio revoltante da admissão da primeira negra (Dorothy Counts) em uma escola nos EUA que, apesar de “pública”, só aceitava brancos. Uma das muitas passagens perturbadoras que autora habilmente recria em “O Jogo da Velha”.

Embora, seja nomeado YA (Young Adult), o romance ultrapassa tal classificação, podendo ser lido e revisitado em qualquer época, especialmente, para quem procura, conforme reza o figurino do bom entretenimento, um texto leve sem ser simplório. Pague para ver e ler!

 Livros publicados no Brasil pelo Grupo Editorial Record:

1.    O jogo da velha

2.    Duplo fio

3.    Xeque-mate

 Antes de “Duplo fio”, publicou-se “An eye for an eye”. Uma breve história sobre o que aconteceu após os eventos narrados no “Jogo da velha”. Serve como uma preparação para o que vem a seguir no segundo livro da série. Eu li “Duplo fio” e asseguro que é facilmente entendível; prescindindo, portanto, da leitura de “An eye for an eye”. Ainda assim, na condição de fã, gostaria de ter acesso a tudo nos conformes. Soube que, lá fora, “An eye for an eye” foi adicionado à parte de trás da nova edição de “Jogo da velha”. Bem que podia disponibilizar uma edição nos mesmos moldes aqui.

(A Vivi é fundadora do blog Desafio Literário, jogo do qual participo desde ano passado e que me forçou a ler fora da “zona de conforto”)

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