Livro no pedestal, filme na escada

“A menina que roubava livros”, de Markus Zusak, é um dos meus livro prediletos de todos os tempos. Tamanho o amor ao livro, me rendeu simpatia instantânea a uma conhecida que compartilhava do mesmo gosto (assim como do desgosto com “O caçador de pipas”). De conhecida virou amiga. Até hoje.

Narrado pela Morte, conhecemos Liesel, uma criança alemã cuja mãe, perseguida por ser comunista, encontra como solução para proteger sua filha deixá-la com um casal mais velho, ao menos na fachado simpático ao regime de Hitler. Rosa e Hans acolhem a menina, cada um a seu jeito; ela, durona, ele, terno. Tudo poderia ser mais simples se não fosse o casal confrontado com a situação de esconder um judeu em seu porão. Liesel, que aprendeu a ler somente com Hans, encontra na leitura um refúgio do seu sofrimento e algo que a une com Max.

menina roubava livro

Estando o livro no meu pedestal, o filme recém-lançado possuía uma missão árdua pela frente. Como ficar à altura? A adaptação cinematográfica tem como trunfos a gracinha Sophie Nélisse no papel principal e os excelentes veteranos Emily Wats e Geoffrey Rush, além de um visual muito bonito, principalmente as cenas com neve.

Acontece que 2 horas são ínfimas para criar o laço que o livro forma entre leitor e personagens… A emoção tão forte que senti ao ler passagens importantes do livro não conseguem tradução fiel nas telas. Max, por quem você tanto torce nas páginas de papel, mal consegue cativar o espectador do cinema. Liesel recupera-se rápido demais da perda do irmão e do abandono forçado da mãe. O terror contínuo dos que viviam sob o regime nazista é abrandado ao ponto de não parecer tão perigoso esconder um judeu em sua casa ou dizer algo que soasse antinacional.

O que sobra é um filme bem-feito, mas que não chega aos pés do meu amado livro.

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8 comentários

  1. Ju, algo me diz que terei uma impressão muito parecida sobre o filme… Por que será? Transformar em filme um livro que leva a uma amizade não poderia ser uma tarefa assim tão simples, né?
    Mas vou tentar e conto depois!

  2. Eu também amo o livro, mas já sabia que o filme não seria capaz de captar toda a beleza das páginas. Gostei bastante da adaptação. Acho que foi um bom trabalho, dentro das possibilidades. Mas o ritmo acelerado realmente prejudica. Quando Hans vai para a guerra, por exemplo. Logo está de volta. A impressão é que ele foi e ficou um fim de semana. Não dá a dimensão exata da angústia vivida por Liesel, né?
    beijo

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