O tipo “errado” de alemão?

Meu interesse é constantemente despertado por livros ambientados na II Guerra Mundial. Acho que o ser humano em geral tem uma atração/repulsão por eventos terríveis. Parece que você não quer saber, não quer ser tocado pela violência, e ainda assim não consegue tirar os olhos da cena brutal.

Livros, eu encaro aos montes. Já em relação a filmes sobre esse período eu tenho mais restrições, dói ver na tela as atrocidades. Ainda assim, algo me fez assistir a “Lore”, de Cate Shortland, um premiado filme alemão.

loreComeço dizendo que o filme é tão bom que não parei de pensar nele. Demorei a dormir revivendo alguma cenas na cabeça. No caminho todo para o trabalho tentei lidar com o fato de que a vida não é tão preto no branco, que é difícil definir o que e quem é mau, que há questões éticas envolvendo a punição, como definir que é culpado, se é possível reparar crueldades, como balancear o instinto de sobrevivência com a solidariedade…

Como vocês veem, são tantas e tantas questões que este filme levanta que meu cérebro está fervendo!

O interessante do filme é que o foco não são os campos de concentração. Ele retrata uma família alemã nazista logo após o fim da guerra. Os pais nazistas são presos e as crianças são deixadas à própria sorte. Liderados por Lore (Saskia Rosendahl), a irmã mais velha, no início da adolescência, o grupo tenta atravessar centenas de quilômetros para chegar à casa da avó, em Hamburgo.

São crianças – um deles até um bebê (que cada vez que chorava fazia o coração de uma recém-mãe desabar). Crianças que pagam pelo comportamento dos pais. Os mais novos não possuem tanta noção política, mas Lore é mais crescida e acredita nos ideais da juventude hitlerista. Aprendeu a ter nojo dos judeus, a se ver como superior aos pobres, a idolatrar Hitler.

Por outro lado, ainda lhe resta um bocado de inocência infantil, que vai sendo retirada quando se defronta com um país arrasado, sem comida, com mortos pelo caminho, sem uma figura adulta que lhe acolha. Sim, dá raiva de certas atitudes da garota, ao mesmo tempo em que você sente pena e tenta compreender o que é ser doutrinada desde a infância por algo que seus pais acreditam e que você não tem maturidade para questionar.

Se por um lado eu admiro a resiliência de muitos povos europeus, que enfrentam privações materiais e seguem em frente, meu lado latino sofre com a falta de carinho. Com a falta de toque, de abraço, de palavras acolhedoras. Para mim, deve existir um meio-termo entre rigidez para educar e prosperar e acolhimento para fortalecer a autoestima.

Outro ponto que me chamou atenção no filme são as cores verdes e azuis. Lindas. Principalmente quando em contraste com o sangue de vermelho-vivo…

Poderia escrever páginas sobre este filme. Sugiro que você assista e também se questione.

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4 comentários

  1. Essas histórias de guerra (ou pior: pós-guerra) são de partir o coração. Já tinha lido bons comentários sobre ‘Lore’. Quero ver. Só preciso me preparar psicologicamente…
    bjo

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