“Submissão”

Olha quem está de volta de longas férias? Eu!

Este ano, o prazer que ler me dá andava em baixa. Comecei super bem com “O tempo entre as costuras” e depois não encontrei mais NADA que me agradasse de verdade. Minha sorte começou a mudar. Finalmente.

Não costumo ler algo que acabei de comprar (esquisita, não?). Em geral, compro, coloco na estante (na verdade. Em qualquer lugar que caiba na minha casa) e leio quando surgir a vontade. Este eu li direto da sacola de compras, porque eu precisava desesperadamente dar uma mudada nas minhas escolhas de leitura. Precisava dar um jeito de voltar a ter aquela coceira de querer ler todo o tempo livre que me sobrar. E se este livro não me deu essa coceira, ele fez meu cérebro voltar a funcionar e as palavras a ressoarem após eu me desligar da página impressa.

Tenho muito a agradecer a “Submissão”, de Michel Houellebecq.

submissao

Em 2022, as eleições presidenciais na França tem como ganhador um candidato muçulmano, Mohamed Ben Abbes. Os conflitos não noticiados logo antes das eleições e as mudanças impostas pelo partido islâmico são vistos pelos olhos de François, professor de literatura da Sorbonne.

François é o típico narrador com o qual antipatizo. Não tem conceitos morais fortes, é apático, é tarado, é desinteressado e desinteressante. E como eu gostei de um livro com um personagem central tão repugnante?

É que a ideia ficional é muito curiosa. E a possibilidade de acontecer a torna ainda mais interessante. E talvez um pouco aterrorizante para quem não deseja ser obrigado a seguir os preceitos de uma religião que não a sua.

Também te faz pensar em o que é melhor para a sociedade como um todo, em como entendemos o que é bom ou ruim com base em nossa cultura, que existe mais de uma forma possível de vida, que é difícil julgar se você não foi criado em determinada crença, que a imposição da minha religião talvez seja igualmente ofensiva para quem não crê nela, que talvez o mundo ocidental passe a ter uma nova ordem, que eu não gostaria de ser excluída do mercado de trabalho/estudo/monogamia e tantas e tantas questões.

Não foi um livro pelo qual me apaixonei – para isso eu PRECISO de um personagem apaixonante. Foi um livro que me fez refletir, que me tirou da onda de livros bobos, que me fez voltar a ter gosto pelo o que a leitura proporciona: o estímulo das células neurais!

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