“As montanhas de Buda”

Quem me conhece sabe o tanto que me intriga o Oriente. Por sorte aliada ao planejamento, já tive a maravilhosa experiência de conhecer China, Butão, Nepal e Índia. Nada se compara a viajar e experimentar tantos lugares bonitos e diferentes formas de viver. Espero ainda conhecer mais muitos e muitos e muitos lugares durante minha passagem na Terra.

O budismo é uma das características que tornam o Oriente alvo de interesse meu. A parte da prática religiosa é difícil de ser entendida por mim, que nasci e cresci católica. Já a parte mais “filosófica”, digamos, é de uma simplicidade e beleza universal. O dalai-lama Tenzin Gyatsu, a maior representação atual do budismo tibetano, toca num ponto importante ao dizer que a religião é uma expressão da cultura na qual você está inserido e, assim, ele não prega a mudança de credos; o que importa é a bondade e a compaixão com que a pessoa age no dia-a-dia.

Quando visitei o Butão, pequenino país localizado no sul da Ásia, os ensinamentos do budismo são de tal forma enraigados na cultura, que parece que um véu de paz recai sobre todos os que lá estão. Eles sorriem sempre e fazem os gestos com calma. Mesmo aqueles que vivem em situação de poucos recursos materiais, não parecem infelizes, desamparados, desiludidos.

A natureza é incrível, com montanhas verdes e caudalosos rios. As construções tradicionais e os mosteiros completam o cenário idílico – em especial o Tiger´s Nest (mosteiro de Taktsang), encravado  a mais de 3.000 de altitude, cuja lembrança me tira o fôlego até hoje.

Não conhecemos o Tibete, em virtude da dificuldade em um visitante ingressar no país, mas ele possui muito em comum com o Butão na questão da geografia e religião. Infelizmente, o Tibete não compartilha com o vizinho o mesmo destino pacífico. Nos anos 50, o Tibete foi invadido pela China, que lá cometeu atrocidades em nome da implantação do comunismo e para dar vazão a sua ânsia expansionista.

A pequena população, sem exército em virtude da prática da não-violência, não foi páreo para a máquina chinesa. Ainda assim, até hoje, há resistência à política de extermínio da cultura tibetana, em especial pelos kampas (nômades), monges e monjas. É uma história triste, que somente recentemente foi conhecida do público mas que, dada a força da China, não tem encontrado adesão suficiente de outros países dispostos a “comprar essa briga”.

(Um parênteses: eu AMEI visitar a China e continua querendo conhecer mais de sua cultura. É um povo com rica história e ensinamentos, apesar de ter esse lado negro que é inegável)

Em “As montanhas de Buda”, Javier Moro intercala pinceladas da vida do atual dalai-lama com a história verídica de duas monjas, Kimson e Yandol. Elas foram  presas por desrespeitar as restrições chinesas e que, uma vez fora da prisão e longe das torturas, aventuraram-se pelas montanhas do Himalaia para buscar refúgio no Nepal e posteriormente na Índia, próximas de onde se exilou o dalai-lama.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

A história, portanto, é interessantíssima. No entanto, o autor não soube transformar a pedra bruta em diamante.

O leitor mal conhece as monjas quando se iniciam as torturas – mesmo que qualquer um se sinta enojado com a prática, se as personagens tivessem sido mais bem apresentadas, o impacto seria maior. O mesmo acontece com a perigosa travessia: você sabe que é uma tarefa quase impossível, só que a narrativa não é hábil em te colocar dentro da ação.

Os trechos em que se conta a vida do dalai-lama parecem querer trazer informações demais para pouco espaço. Não consegui aprender tudo o que estava sendo transmitido. Eu ansiava por me apegar mais as monjas, ao dalai-lama e a suas histórias (sentimento totalmente contrário ao budismo, que prega o desapego, eu sei) e não era recompensada.

Como o livro é curto, recomendo fortemente como fonte de conhecimento do que aconteceu/acontece com o Tibete. No restante, o livro deixa a desejar.

 

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