“A balada de Adam Henry”

Eu conheci o famoso escritor Ian McEwan primeiramente pela adaptação cinematográfica de seu livro “Desejo e reparação”. O filme é magnífico, com atuações incríveis de Keira Knightley, James McAvoy e Saoirse Ronan.

Depois li “Serena” e gostei bastante.

A pilha de leituras tomou outro rumo e não havia lido mais nada dele, apesar de ter me convencido da habilidade de McEwan criar histórias que parecem simples ate você se ver enrolado no dilema moral que uma pequena escolha do personagem o levou.

Na semana passada estava na praia e finalmente resolvi pegar da prateleira da minha mãe um lindinho livro azul, que há mais de dois anos me olha e me pede para ser lido: “A balada de Adam Henry” (tão melhor o título em inglês, “The Children act”, que coloca a ênfase no papel do Direito e não em um dos personagens).

balada

Como operadora do Direito, fui pessoal e profissionalmente atraída pelas questões jurídicas de dificílima solução apresentadas à juíza Fiona, que atua na Superior Corte inglesa. Fiona é ambiciosa, inteligente, dedicada, sensata. Possui, portanto, características que a tornaram uma renomada juíza de Direito de Família.

No meio de uma crise conjugal, Fiona adota uma postura pouco convencional para alguém tão racional e que busca ser imparcial em seus julgamentos; ela visita Adam Henry, garoto a poucos meses da maioridade, cujos pais recusam um tratamento médico que exige transfusão de sangue, por se tratar de conduta vedada por seus princípios religiosos. O rapaz, criado como Testemunha de Jeová, compactua com a decisão dos pais.

A decisão tomada pela juíza os afeta de formas diferentes e traz consequências inimaginadas.

Trata-se de uma história curta e ainda assim carregada de tantos questionamentos. Terminei o livro triste, reflexiva. Não só porque como alguém que lida com Direito posso afetar positiva ou negativamente outra pessoa, mas também como somos muitas vezes egoístas ou preguiçosos, falhando ao perceber a necessidade do outro.

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2 comentários

  1. Olá! Desse autor tenho Enclausurado na prateleira, aguardando para ser lido. A balada de Adam Henry tem um enredo muito parecido com realidades já ocorridas no Brasil, apesar de não saber o final do livro, uma história que vi estampada nos jornais foi decidida pelo médico. O médico fez a transfusão e estava sendo processado pela família de uma moça. É a arte imitando a vida. Abraço! 😉

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