“Entres cabras e ovelhas”

No Natal eu ganhei muitos livros – aquele presente que não tem erro, no meu caso!

Eu costumo deixar a pilha de livros a ler crescer, crescer, crescer… Até que eu achei que a pilha estava gigante demais para se encaixar no espírito Marie Kondo de arrumar (e viver). Isso significou que dentre aqueles famigerados compromissos que a gente faz com a gente mesma no começo de cada ano, estava o de ler mais e o de ler primeiro os livros que eu ganhei recentemente.

“Entre cabras e ovelhas”, da Joanna Cannon, foi presente de Natal da minha cunhada Carla (que penou na livraria para achar os livros que eu dei de “dica”. Tks, cunhadinha!).

Uma coisa que a gente descobre quando lê bastante é identificar que tipo de história ou personagem você gosta. Eu gosto bastante quando o livro é para adultos, mas o narrador é uma criança ou pré-adolescente. Embarco com gosto na viagem literária escrita através do olhar curioso, muitas vezes inocente e ao mesmo tempo atento a detalhes.

Em “Entre cabras e ovelhas”, há alternância entre capítulos narrados pela pré-adolescente Grace e outros pelos diferentes adultos que moram numa pequena vila britânica. A história vai-e-vem entre 1967 e 1976.

Em 1976, uma moradora, a Sra. Creasy, desaparece sem aparente motivo. Seu marido fica sem chão e os demais moradores da vila parecem estar à flor da pele. Grace e sua amiga Tilly ficam intrigadas pelo desaparecimento e o que isso provocou nos adultos. Indagados por que as pessoas desaparecem, os adultos parecem culpar o calor insuportável. Mas pelo o que Grace entende do sermão do pastor, a culpa é de se desviar de Deus. Então se une a sua melhor amiga, Tilly, para ir de casa em casa procurando por Deus.

Em 1967, seguimos flashbacks que vão colocando em contexto, bem aos poucos, o modo pelo qual cada um dos moradores da vila age, em especial porque Walter Bishop é visto como um pária, excluído do convívio social.

A história parece simples.

Não se engane.

Por trás das palavras que correm fáceis pelo texto, há profundos questionamentos sobre Deus, sobre o bem e o mal, sobre preconceito, sobre segredos e o poder que eles tem, sobre convivência, sobre empatia, sobre querer fazer parte de um grupo.

Uma leitura leve e ao mesmo tempo intensa, se você se permitir ir atrás das questões que a escritora habilmente joga, quase que disfarçadamente, aos leitores.

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