Autor: Júlia

“O temor do sábio”

Ao invés de sentir receio ao estar frente a frente com 960 páginas, frenesi foi o que meu corpo experimentou ao abrir a capa do segundo livro de Patrick Rothfuss sobre a saga de Kvothe. Seguido de receio, sim. Mas não pelo calhamaço de páginas e sim pelo medo de não amar este livro como com “O nome do vento”.

temorsabio

Medo infundado. O livro é tão incrível quanto o anterior. Patrick Rothfuss, como conseguiu esta façanha? De não perder a mão em tamanha quantidade de páginas? Em manter meu interesse aceso por todas as aventuras que o Kvothe vivencia após suspender seus estudos na universidade?

Para quem gosta de ficção fantástica, é um verdadeiro delírio. História bem construída, com personagens apaixonantes, irritantes, amedrontadores, enigmáticos – tem de tudo. Só não tem tédio ou clichês baratos.

O espaço entre nós

Quando se é mãe de um bebê e uma criança pequena, sempre alguém está no seu colo, nos seus braços, em cima de você de alguma forma. O espaço entre você e seu filhote é minúsculo. A noção do espaço que seu corpo ocupa no mundo é fortemente afetada pelo fato de você ter constantemente este apêndice carinhoso.

O que me leva a sofrer por antecedência, imaginando o dia em que meus filhos não vão mais viver empoleirados em mim. Em que não serei mais a poltrona de uma criança brincando ou vendo um filme. Em que não serei mais o lugar de consolo quando minha filha ou filho está triste. Em que não poderei pegar meu bebê quantas vezes quiser nos meus braços para dar uma fungada no cangote cheirosinho dele.

Em que outros lugares no mundo serão mais interessantes que este grude na minha pele.

Por isso, enquanto este dia não chega, sigo desfrutando feliz todas as vezes que eles querem que esta distância entre nós seja de milímetros.

“Os últimos dias de nossos pais “

Um dos melhores livros que li nos últimos tempos e que recomendo a torto e a direito é “A verdade sobre o caso Harry Quebert”, de Joel Dicker. Tamanha é minha paixão pelo livro, que meu marido saiu à caça de mais livros do mesmo autor. Encontrou e me presenteou com “Os últimos dias de nossos pais “.

foto ultimos dias

Dentre os milhares de temas relacionados à II Guerra Mundial, a trama gira em torno de franceses que se tornaram espiões para o governo britânico, em uma manobra inteligente do primeiro ministro Churchill. Eles eram treinados na Inglaterra e aqueles que sobrevivessem a essa difícil peneira eram “devolvidos” a seu país de origem, para lá atuarem infiltrados, em espionagem ou sabotagem.

O livro segue um grupo de rapazes e uma moça que, ao longo dos treinamentos, tornam-se amigos e cuja atuação na Resistência francesa os leva a destinos variados.

É um bom livro? É. Chega aos pés da obra mais conhecida do mesmo autor? Não. Nem de longe. A comparação é injusta. Talvez se eu não soubesse quem era o escritor e tivesse expectativas normais em relação ao novo livro cuja leitura eu iniciava… Mas não há como eu mudar essa experiência que eu já tive. Eu esperava um novo Harry Quebert e não o encontrei.

“Os últimos dias de nossos pais ” é um livro que eu daria de presente, que eu indicaria… Só não para alguém que já tivesse tido a sorte grande de já ter lido “A verdade sobre o caso Harry Quebert”.

“Matéria escura”

A capa do livro chama muita atenção: um laranja quase neon, com uma moderna tipografia. Comigo não vale a máxima de não julgar um livro pela capa. Eu adoro capas bonitas e interessantes.

Eu estava ainda na alucinação após ter visto o filme “A chegada” e muito interessada em assuntos de física, tempo, espaço, universo. A proposta de “Matéria escura”, de Blake Crouch, encaixava-se perfeitamente em meu estado de ânimo, tanto que pulou na frente de dezenas de livros que aguardam em minha livraria particular (como gosto de chamar minhas pilhas de livros novos ainda por ler).

Foto materia escura

O livro tem premissas interessantes e questões de física quântica, que, para uma leiga, foram apresentadas de forma bastante convincente. Jason Dessen é um professor universitário de física, muito feliz com sua vida familiar (uma mulher e um filho), porém não totalmente satisfeito no campo profissional. Ele era um físico brilhante que teve de abandonar as pesquisas para se dedicar a ser um bom pai e marido.

Em um dia qualquer, ele é sequestrado e drogado. Colocado em uma caixa escura. Ao acordar, o protagonista parece estar em um mundo parecido com o seu, mas com elementos importantes totalmente diferentes. Não é casado, não tem filho e é um profissional renomado em sua área.

Jason não sabe mais o que é realidade, o que foi sonhado, qual sua verdadeira vida… Bastante angustiante, não?

A trama é bem veloz e com inimaginadas reviravoltas – com exceção de um fato importante, que saquei logo no começo. O que me incomodou foi eu perceber que a história é claramente um roteiro para um futuro filme. Não que livros não possam viram filmes – veja a maravilha que são os filmes do Harry Potter e do Senhor dos anéis. Só que quando a trama está mais preocupada em funcionar num filme do que ser uma boa leitura, eu implico.

E você não tiver este tipo de implicância, será uma leitura bastante divertida.

Memória

A minha letra e a dificuldade de mantê-la bonita ao escrever erlenmeyer

A montanha de cascas de pistache ao lado do meu avô

O barulho da porta do armário de doces escondidos da minha avó, que eu e meu irmão nos esforçávamos para abrir em segredo

Os risquinhos de lápis na parede, que marcavam o avanço do meu pai para levantar o braço, após ele fraturar a clavícula e muitas costelas

A avalanche de brinquedos caindo da sacola da minha amiga de infância Anna Márcia, toda sexta-feira

A admiração do mundo adulto quando eu entrava no closet da minha mãe

O boneco comando em ação sem uma das pernas, que eu e meu irmão usávamos como motorista do tanque

O esforço para corrigir a rota quando eu nadava de pranchinha e me sentia entortar na raia

O pelo da Mamma Snif (minha cachorra de pelúcia)

 

“O oceano no fim do caminho”

Neil Gaiman tem uma legião de seguidores, dos quais eu não me incluía porque sempre imaginei que ele escrevesse sobre assuntos “dark”. Acontece que alguns títulos tem tamanho poder de atração que você sequer percebe quem seria o autor.

“O oceano no fim do caminho”. Um título maravilhoso! Minha curiosidade ficou enormemente instigada…

Foto por Julia A. O.

Foto por Julia A. O.

A história é um pouco juvenil, vale o alerta. Tendo em mente esta consideração, a leitura é uma verdadeira delícia. O narrador é um homem que retorna a sua cidade natal para um velório. Essa volta faz com que ele rememore um importante evento de sua infância, em que realidade e fantasia se misturaram em uma aventura vivida na fazenda de sua amiga Lettie.

O leitor é presenteado com uma fábula agridoce, em que uma criança perde sua ingenuidade ao viver acontecimentos fantásticos.

 

Myers-Briggs tipos de personalidade

Quando adolescente, uma das minhas atividades preferidas era fazer testes de personalidade em revistas juvenis. É um prazer incomparável quando o resultado do teste é exatamente aquilo que você pensa sobre você.

Como uma prova de que eu me conhecia e isso me tornaria mais propensa a ser feliz e atingir meus objetivos.

Já não leio revistas juvenis, nem encontro testes por aí…

isfj

Até topar com um teste grátis, online, baseado nos estudos da psicóloga Isabel Myers Briggs e sua mãe que, a partir da teoria das personalidades de Carl Jung, definiram um meio de identificar a que tipo de personalidade você pertenceria.

Foi a meia hora mais divertida do meu dia:

https://www.16personalities.com/

Há o teste completo e pago da fundação que leva o nome das pesquisadoras, mas o testezinho grátis já está bom, não é?

Para minha alegria, a descrição do meu tipo de personalidade ajusta-se exatamente no que penso sobre mim. Sou ISFJ-T. Introverted, observant, feeling, judgind, turbulent (o teste é em inglês).

Essa sou eu.

Introvertida, mas gosto de eventos sociais – características que sempre me pareceram compatíveis, ainda que haja quem confunda introversão com timidez. Quero que os outros gostem de mim; fujo de conflito; amo ser mãe; procuro relacionamentos estáveis, de confiança e nos quais meu empenho seja apreciado; me dedico às tarefas a mim confiadas; me sobrecarrego para não chatear os outros; tenho dificuldade com tarefas que exija somente criatividade; adora montar planos detalhados; busco harmonia.

E você? Você me conta que tipo de personalidade você é?!