Autor: Júlia

Frase de Ralph Waldo Emerson

“Eu não consigo me lembrar dos livros que li nem das refeições que fiz; mesmo assim, ambos fizeram quem eu sou.”

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“A amiga genial”

Por amor a minha mãe, eu queria ter me juntado a ela – e às milhares (ou milhões?) de pessoas que se apaixonaram, que se viciaram, que grudaram na série napolitana da Elena Ferrante.

amiga genial

Foto por Júlia A. O.

A mágica não aconteceu comigo.

Eu passei a história inteira torcendo “agora eu vou gostar, vai ser agora que eu vou me apegar, acho que agora vai ser o momento da virada…”. E lá ia eu persistindo na leitura, me afeiçoando mais das duas amigas, torcendo para elas não fazerem escolhas erradas, compreendendo o estilo de Elena Ferrante escrever, percebendo o que teria feito minha mãe amado tanto a história.

E se minha vontade inicial de largar o livro passou, eu não cheguei ao amor. E como eu quis! Como eu quis sentir aquela vontade louca de espremer uns minutos na minha rotina louca para ler mais umas páginas.

Houve um momento em que eu achei que isso iria acontecer! Lá pelo final, quando Elena (a personagem, não a escritora) vai para a praia e fica alguns dias longe da boa/má influência da amiga Lila, eu me apaixonei por aquele capítulo. Pena que foi só um capítulo.

Não consigo entender o que foi que não me “pegou”. É uma história muito bem construída. Bem escrita. Palavras bem colocadas. Você não sabe para onde a vida das personagens principais, as amigas Lila e Elena, está indo. A relação das duas é ao mesmo tempo benéfica e maléfica e este é um tema interessante. A Itália, onde a história se passa, é um país interessante.

O que será aconteceu que eu acabei a leitura sem ter me decidido se encaro os demais 3 livros da quadrilogia? E com tristeza por não poder compartilhar deste amor com minha mãe?

Fiquei divagando e nem falei sobre a história do livro que, a essa altura, tamanho o sucesso dele, todos devem conhecer: na Napóles do pós-guerra, duas pré-adolescentes fazem amizade, uma relação complexa e que molda suas escolhas, neste ambiente de pobreza, violência e poucas escolhas para mulheres.

Atualmente eu estou…(2)

… lendo “A amiga genial”, da aclamada Elena Ferrante e me esforçando para gostar, já que o livro chegou a mim com tantas recomendações fervorosas da minha mãe.

… lendo, também, a tese de mestrado da minha amiga Flavia (e morrendo de orgulho dela!).

… tentando me ajustar a vida corrida de ter dois filhos. Trabalho em dobro, amor em quádruplo.

… ouvindo os últimos cds do Linkin Park, Ed Sheeran e Shakira (ouçam, ouçam, ouçam).

… assistindo “Downton abbey”  e me deliciando com cada cena da última temporada. Espero que seja verdadeiro o rumor de que farão um filme.

… aprendendo a inspirar e expirar calmamente no meio de um momento de “aimeuDeusnãovoudarcontadetudo”

Feliz aniversário de 6 anos, blog!

Hein? Seis anos?

Levei um susto. Como pode meu blog já ter tudo isso de tempo?

A gente era bem grudadinho e cheio de ideias no começo. Então vieram os filhos de carne e osso, que tomaram meu tempo (e meu coração, minha cabeça, minha conta bancária, praticamente quase todo meu ser!).

E o blog ficou de lado. Mas NUNCA ABANDONADO!

Venho aqui de vez em quando, escrever sobre algo que eu acredito que vale a pena dividir. Ou quando nem é algo tão interessante, mas aconteceu de eu me ver num momento em que eu pude achar tempo para escrever.

Então, meu blog querido, desejo que a gente continue por aqui, com mais ou menos frequência, mas SEMPRE com o mesmo amor pela leitura. Isso não diminui com nenhuma mudança na minha vida.

Ler é parte de quem eu sou. ❤

“Americanah”

Depois de Chimamanda Adichie ter virado ídola após eu ver sua palestra no Ted Talks e lido seu manifesto “Como educar crianças feministas”, estava mais do que na hora de eu ler o lindo presente que ganhei da Juliana, do blog Fina Flor.

E o livro estava à altura do desafio de manter minha admiração pela escritora nigeriana!

americanah

É um livro de romance. Acompanhamos os encontros e desencontros amorosos de Ifemelu e Obinze na adolescência e idade adulta. São personagens fortes, falhos, apaixonantes, com detalhes que vão os tornando cada vez mais reais. Eu sentia que em outras circunstância de vida poderia tê-los conhecido! Eles descobrem um laço fortíssimo a os unir, então as escolhas os separam, o tempo passa…

É um livro de crítica social. Pouco conheço da Nigéria e foi uma experiência muito interessante saber mais sobre um país que não é glamoroso ou visto nos filmes que assisto ou livros que leio. Também é uma crítica sobre os Estados Unidos, país para onde a Ifemelu se muda de modo a terminar sua faculdade após intermináveis greves na sua universidade nigeriana.

É um livro relevante para o debate do racismo. Chimamanda se vale de uma história fictícia e de humor para trazer à baila as questões de raça. É um tema espinhoso por ser incômodo e muitas vezes porque nós, que não sofremos discriminação, podemos não perceber certas atitudes como racistas ou o que é ter a cor da sua pele como elemento que impacta tanto sua vida. Na maior parte da história, a escritora dosa bem as questões raciais/sociais e a história de vida e de amor ali trazida. E quem não sabe o que é passar por isso, vai sentindo empatia e questionando tantas coisas. E quem sabe o que é passar por isso, se sente acolhido, sente que passa a ter representação na História.

É um livro de humor. Tem drama, sim, mas Chimamanda sabe ser engraçada ao criticar, principalmente através da Ifemelu, que não consegue se conter e muitas vezes se passa por “bocuda”.

Um verdadeiro presente que ganhei de uma pessoa que eu sequer conheço na vida real. Obrigada, Juliana!

Para uma leitora de 4 anos

Em comemoração ao aniversário da minha lindeza, compilei aqui os livros que eu acho que ela adoraria conhecer (#dicadepresente 😉

  • “Alice viaja nas histórias”, Luciana Pisnky
  • “Me…Jane”, Patrick Mcdonnell
  • “Histórias de Willy”, Anthony Browne
  • “Minha mãe é uma bruxa?”, Liz Martinez
  • “Papai é meu”, Ilan Brenman
  • “Bichodario”, Telma Guimarães
  • “Abra com cuidado! Um livro mordido”, Nicola O´Byrne
  • “A fada que tinha ideias”. Fernanda Lopes de Almeida