arte

Expo Frida Kahlo e pintoras mexicanas surrealistas

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Semana passada eu fui com eu marido na exposição da Frida Kahlo e pintoras mexicanas surrealistas, que está acontecendo no Instituto Tomie Othake. A exposição está muito, mas muito boa, melhor do que a que eu fui no Botanical Garden de Nova York (uhu, olha o Brasil arrasando no mundo das artes).
Particularmente, eu acho os quadros dela esteticamente feios. Não é uma visão que encha meu coração, como Monet, Beatriz Milhazes, Chagal. Eu não penduraria na minha parede a grande maioria das pinturas dela. Talvez tivesse pesadelos…
O que eu ADORO na arte da Frida é o significado de suas obras; a rebeldia da Frida ante o padrão (homem europeu x mulher latina); a personagem que ela montou com todas as suas desgraças e vontade de romper limites…
Além de que eu amo aquele visual colorido dela! As flores no cabelo, as saias e blusas adornadas com trabalhos manuais esplendorosos… Toda essa imagem para impactar, transmitir uma ideia e, ao mesmo tempo, esconder suas deformidades físicas e dores.
A vida da Frida é pontuada por muita coisa ruim, muita dor física e emocional. Justamente este tormento da alma, essa inquietação do espírito que a levou a ser essa figura internacionalmente conhecida (e que agora virou pop, com milhões de traquitanas vendidas pelas lojas mundo afora).
A mostra também conta com quadros de outras artistas, nascidas ou radicadas no México, que transitavam no grupo da Frida e que com ela compartilhavam do surrealismo como forma de expressão.
Para visitar a exposição, a melhor opção é comprar pela internet, que delimita o horário da sua entrada – e ajuda a fugir das filas.
Corram que fica somente até 10 de janeiro.
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Exposição OSGEMEOS

Os irmãos grafiteiros osgemeos ultrapassaram a barreira da clandestinidade do grafite para se tornarem artistas de renome internacional. Eu ADORO seus bonecos amarelos, com uma brasilidade inegável.

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

No Galpão Fortes Vilaça (que eu não conhecia e agora fui em minha segunda exposição lá), os irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo expõe o trabalho “A ópera da Lua”. A maioria das peças é inédita e há tanto desenhos que remetem à delicadeza, aos sonhos, como aquelas de crítica social. Um trabalho incrível dessa dupla que me faz sorrir toda vez que dou a sorte de encontrar um grafite pela rua antes que, infelizmente, a recente administração municipal apague.

O único porém da exposição é que, por eles serem famosos, o ambiente fica muito cheio. Eu não curto aquela multidão que te impede de ver o trabalho com calma. Eu fico tensa por não poder apreciar devagar; por estar na frente de alguém, atrapalhando sua visão; por ter todo aquele ruído que impede a contemplação detalhada. Se você puder, recomendo ir durante a semana.

Vai até 16/08.

Exposição – Polvo – Adriana Varejão

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Uma artista brasileira que descobri recentemente e que tem obras impressionantes é a Adriana Varejão. Não gosto de todo seu conjunto, mas há algumas realmente incríveis. A sua nova obra está neste patamar.

Em um espaço perdido numa rua nada atraente, está o Galpão Fortes Villaça. Lá estão expostas as caixas de tintas e os quadros que compõem “Polvo”. Inspirada em uma pesquisa do IBGE, Adriana Varejão há anos desenvolve as tintas que representam 33 tipos de cores com os quais os brasileiros se descreveram.

Explixo melhor: nesta pesquisa da década de 70, as pessoas foram perguntadas sobre qual seria sua cor. Sem o formato limitador de 5 opções (branco, negro, amarelo, vermelho e pardo), surgiram respostas criativas, como “cor firme”, “agalegada” e “meio-preta”. Intrigada com essa dificuldade de definição da cor e com a reduzida oferta de tintas “cor da pele”, Adriana desenvolveu suas próprias cores. Depois disso, em 33 retratos de si própria, fez intervenções de cores, com padrões indígenas.

O resultado não somente é bonito, como te faz questionar como é possível um povo tão miscigenado se enquadrar em somente 5 tipos de raças. Além disso, a exposição é curta e pode funcionar como o primeiro contato de uma criança (ou um bebê, como no nosso caso) com a arte.

Eu quase deixei de passar essa dica – a exposição só vai até metade de maio, então corram! Fica na Rua James Holland, 71, Barra Funda.