filme

Mentir até quando?

De vez em quando eu encontro umas boas surpresas no Netflix ou na Apple TV e me pergunto por que tal filme não teve maior bilheteria ou repercussão quando estreou no cinema, ao passo que umas belas porcarias ganham tamanho destaque…

Uma dessas boas descobertas foi “A grande mentira”, com as excelente atrizes Helen Mirren e Jessica Chastain (há protagonistas masculinos, mas elas dominam a tela).

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Três agentes da Mossad são destacados para capturar um nazista na Berlim dos anos 60. O plano termina com o assassinato do criminoso e os agentes são condecorados pelo sucesso da missão. Trinta anos depois, surgem dúvidas se a captura foi realmente exitosa…

O que me surpreendeu é que a história mistura romance, suspense, ação, questões de cunho moral… Além de ser original! Se não fosse o final que eu achei um pouco forçado, o filme seria 10 estrelas.

A primeira infância

Um lenço de papel, uma toalha ou um balde, a depender do seu nível de “chorabilidade”.

No meu atual modelo para lá de sensível, nem o balde daria conta da corrente de lágrimas que inundou minha sala nos primeiros minutos do documentário brasileiro “O começo da vida”. Ao ponto do meu marido, que lida bem com meu chororô, ter perguntado se eu gostaria de assistir a outra coisa…!

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A linguagem do documentário é propositadamente emocional, para atingir a todo o tipo de público, não só aquele mais acostumado a argumentos mais complexos. O propósito é despertar em todos – cidadãos, empresas, políticos – a noção da imprescindibilidade do cuidado com a primeira infância como forma de construir a história humana com menos violência e mais “sucesso”.

O documentário é muito bem montado, com participação de famílias de diferentes países e configurações a estudiosos do tema (até prêmio Nobel). E destaca como o amor e o cuidado diário são as bases de formação de qualquer ser humano.

O discurso vai ao encontro do que eu acredito, ainda que nem todo dia eu consiga fazer as escolhas mais acertadas em relação a minha filha.  O importante é que carinho nunca é demais (assim como penso que colocar limites e dizer não é dar carinho).

Não sei qual seria minha percepção se eu não fosse mãe. Acredito que me emocionaria do mesmo jeito (com uma menor quantidade de lágrimas). Torço para que a mensagem do documentário de cuidar do “começo da vida” para que nossa história seja feliz atinja positivamente milhões de pessoas.

Cerejeira, pasta de feijão e segundas chances

De repente um filme te toca tanto, que aquele gosto agridoce que ele deixou em sua boca permita que você acredite na existência de pequenos grandes gestos.

O filme japonês “Sabor da vida” desenvolve-se essencialmente em torno da “biboca” que vende doces dorayaki. E tal como o produto vendido, o filme é doce. De uma doçura que desarma, que questiona, que  envolve.

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Sentaro trabalha dia após dia preparando e vendendo seus doces com recheio de feijão. Anuncia a vaga de ajudante, para a qual se candidata Tokue, uma senhora de 75 anos. Ele gentilmente a dispensa. Ela insiste. Apresenta sua pasta de feijão. E é tão gostosa, que Sentaro dá uma chance a Tokue.

A alegria de Tokue a ser aceita para o cargo é tão visceral que me deu vontade de chorar. E quando, mais para frente, você descobre o por quê de tanta felicidade, dá ainda mais vontade de chorar. Chorar pelas chances perdidas, pela solidão, pela injustiça, pela ignorância que destrói vidas.

Mesmo tratando de temas pesados, a história é conduzida de forma tão leve, tão delicada…

Há cenas de contemplação, de natureza, aos quais nossos olhos acostumados com a rapidez norte-americana às vezes estranham. Uma vez que estou em um momento em que tenho pensado muito no benefício de se ter atenção ao momento presente, foi um lindo exercício. Como a paciência e o “estar presente”, que a cultura japonesa tem costurados em sua origem, são elementos que eu gostaria de trazer para minha vida!

Não quero contar muito mais do filme, para não estragar suas revelações que tornam a história cada vez mais envolvente.

Quero recomendar “O sabor da vida” para todo mundo. Para se assistir de coração aberto e dócil paciência.

Do luxo de Dowton ao lixo de Camden

Maggie Smith poderia ser eterna. Ela convence como a rica, politicamente incorreta (para os dias atuais) e engraçadíssima Condessa Grantham do seriado “Dowton Abbey” com a mesma facilidade que nos faz crer ser uma pessoa em situação de rua no filme “A senhora da van”.

Antes de falar sobre o filme, queria fazer um pequeno comentário de cunho pessoal: eu adoro ir ao cinema com meu marido. É minha companhia preferida. Ele carinhosamente segura minha mão, ele gosta de ouvir o que eu falo e dividir suas impressões sobre a história, ele é curioso e muitas vezes vai atrás de mais informações sobre os eventos reais relacionados ao filme…

Fazia um bom tempo que não conseguíamos ir ao cinema (“Zootopia” com a filhota não conta). E quando finalmente conseguimos umas horinhas para um programa adulto, eu sorri e fechei aos olhos, saboreando o momento, enquanto as luzes do cinema iam se apagando.

Mas voltando ao filme…

“A senhora da van” é uma história verídica. Apesar do alerta no começo, eu me esqueci, tamanha a bizarrice dos acontecimentos. Mary Shepherd – se é que é seu verdadeiro nome – é uma senhora que vive em uma van. Como não tem banheiro próprio e é um pouco maluquinha, dá para imaginar a sujeira em que vive.

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Ela estaciona sua van por aí. No recorte do filme, ela está em Camden Town, bairro londrino que na década de 70 começa a se valorizar. Ninguém quer aquela senhora fedida na frente de sua casa. Ninguém quer ser insensível e os vizinhos tentam fazer alguma caridade por ela, que nunca agradece.

Quando a Prefeitura proíbe que se estacione carros na rua onde ela costuma parar, uma solução surge: ela é “convidada” por um escritor, Bennet, a deixar sua van na vaga de garagem na frente do imóvel dele. Assim, ela continua morando do jeito que quer (na van, seguindo suas próprias regras) e não precisa sair de Camden.

Eu não entendi totalmente o motivo de Bennet ter feito tal oferta. O que era para ser temporário transforma-se em um arranjo permanente, sem que nenhuma das partes avance nenhum centímetro em direção à mudança: ela mudar de local de estacionamento ou aceitar ir para uma casa de idosos assistencialista ou ele pedir que ela saia ou fazer com que aceite outra alternativa de moradia.

O fato dessa situação peculiar ter interesse ao lado escritor de Bennet parece suplantar os incômodos que isso traz ao lado morador de Bennet…

O filme anda numa constante, sem nenhuma grande reviravolta ou grande clímax. É, por outro lado, um ótimo filme para buscar completar as complexidades destes dois personagens (em especial dela), não apresentadas numa bandeja ao espectador.

E, já que estou dada a devaneios pessoais hoje, uma frase dita por Bennet reverberou perfeitamente em mim. Ela diz que “to care” (que pode ser traduzido como “importar-se” ou “tomar conta”) tem muito a ver com merda (desculpem a palavra!). Quem tem filhos pequenos compreende totalmente essa frase, pois um dos pontos em torno do qual a sua vida passa a gravitar é do cocô de seu rebento. E tanto o cuidar, como o importar-se com seu filhote passa por ter de lidar com…cocô.

bexigaEu estou QUASE me convencendo de que nunca mais terei tempo de escrever posts bem pensados para o blog. Ainda não cheguei lá. Quero crer que voltarei a ser assídua aqui!

Já que não dá para eu escrever posts lindos e refletidos sobre o que anda acontecendo de bom, de ruim e de mediano na área do lazer livro-cinema-música-comida, vai um resuminho, só para não dizer que eu nunca mais dei uma boa dica para vocês!

“Um homem entre gigantes” – juntar genética/investigação médica e suspense é muito bom. Will Smith em excelente atuação (e olha que ele peca bastante na escolha dos papéis). Filme que conta a história de um médico legista que descobre uma doença neurológica decorrente dos impactos do jogo de futebol americano e começa uma luta contra a NFL, que obviamente quer abafar o caso.

“As sufragistas” – cada vez que vejo pessoas que sacrificaram a vida pessoal por um bem maior, dou graças por elas existirem. Confesso, sou medrosa, acomodada e individualista. Não conseguiria abandonar minha liberdade, conforto e família para lutar pelo direito das mulheres votarem, assim como essas maravilhosas inglesas fizeram, permitindo que nós sejamos ouvidas e participemos da vida política. Filme dos bons.

cd novo da Birdy – no primeiro momento foi uma decepção gigante. Achei que seria amor à primeira ouvida, como nos dois primeiros. É um cd muito produzido e o que eu mais gosto nela é a sua voz + piano. Estou ouvindo outras vezes, dando chance de gostar de “Beautiful lies”.

Continuo empacada em “Mr. Norrell & Jonathan Strange”. Não desisti. Sigo lendo 5 páginas por semana. Deve levar só mais 2 anos para terminar.

Mini-seriado demaaaaais que descobri no Netflix: “Códigos de Bletchley Park”. Inglesinhas (sempre elas <3) que durante a guerra eram “destruidoras de códigos”. Agora levam uma vida bem menos interessante, até que acabam por se reunir para desvendar uma série de homicídios.

E vocês, me contem o que anda fazendo de bom!!

O que eu já assisti – Oscar 2016

Áureos tempos em que eu havia assistido a todos (ou quase todos) filmes concorrentes ao Oscar antes da premiação. Com criança pequena, eu conheço um ou outro filme, o que me permite participar moderadamente na torcida pelo favorito.

Do Oscar 2016 eu estava bem desatualizada. Como muita gente também não está tão por dentro (eita vida corrida!), sinto-me na “obrigação” de ajudar na escolha daqueles poucos que passarão pela peneira de serem assistidos – afinal das contas, há fases em que temos de ser seletivos com nosso tempo!

O filme ganhador do Oscar – “Spotlight” – é sim um ótimo filme. Só não diria que seria “O” filme de 2015/2016… Quando li a sinopse, tirei-o da minha lista. “Filme sobre padres católicos molestando crianças?”. “Não, não!”. Por sorte, meu irmão me fez mudar de ideia, explicando que a história concentra-se na investigação jornalística (real) feita por um grupo de um jornal de Chicago. E ainda que o tema seja pesado e a realidade por trás dele muito triste, o foco é o bom jornalismo, tão em baixa em tempos de “copie e cole” que vemos hoje em dia. Até aquele chato do Mark Ruffalo está bem no papel!

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Um que eu adorei foi “Brooklyn”. Que delicadeza! Que fotografia! E, se posso dar uma de menina, que fofo! A irmã de Eilis quer que esta tenha mais oportunidades e, por isso, consegue um patrocínio para que ela viaje aos Estados Unidos e lá tente sua sorte. Eilis encara uma longa viagem de barco rumo ao desconhecido. No Brooklyn, tem ajuda de um carinhoso padre católico (um contraponto não intencional com ao padres de “Spotlight”), que lhe arruma teto e emprego.

Por um infeliz acontecimento, Eilis precisa voltar temporariamente à Irlanda. Essa volta a faz ficar dividida entre dois caminhos – dois bons caminhos – que sua vida pode tomar: voltar aos EUA, onde está um grande amor, ou continuar na sua terra natal, onde agora surgem oportunidades antes inexistentes de emprego e um bom rapaz para chamar de seu?

brooklyn2

E, por fim, um que eu NÃO gostei nem um pouco, exceção feita às roupas fenomenais de chiques e à atuação sempre impecável de Cate Blanchet: “Carol”. Que filme mais chato! Arrastado, entediante. A atração entre duas mulheres no início da década de 50: uma casada, rica, descontente com o marido, apaixonada por sua filhinha; a outra, bem jovem, pouca grana, pouca instrução, em um namoro sem graça. Agora imagine silêncios e olhares intermináveis que cansam. Se nem Cate Blanchet segura a chatice, duvido que alguém possa!

carol

No estilo de “Match Point”

Ano passado Woody Allen tinha me decepcionado com “Magia ao luar”. Esse ano, porém, ele recuperou a boa forma.

“O home irracional” segue a mesma linha do inigualável “Match Point”, com questionamentos de se o crime compensa. Li muitas críticas comparando os filmes e dizendo que o atual sai perdendo. Concordo com que “O homem racional” não se iguala a “Match point”. Nem por isso deixa de ser um ótimo filme, em que me percebi dando risinhos de nervoso.

home irracional emma stone

Joaquim Phoenix é o professor universitário Abe Lucas, que chega a uma pequena faculdade carregando depressão e fama, em iguais medidas. Ele se envolve primeiramente com uma professora de sua idade e depois com uma aluna. Sempre existem mocinhas que curtem esse modelo de homem pessimista e má companhia. Mesmo com tantas distrações, Abe não vê sentido em viver. Ele filosofa demais. Sua apatia é curada com uma questão envolvendo homicídio.

Não vou além para não estragar a surpresa. E alguns reclama que Woody Allen se repete, pois eu respondo: que ele se repita mesmo, se for para nos trazer um bom filme como este! Vida longa ao neurótico diretor!