Frases

Já não posso abrir um livro sem desejar ver seu rosto calmo e concentrado, sem constatar que não a verei mais e, o que talvez seja pior, que não serei mais vista por você. Nunca mais seus olhos olharão para mim. Quando o mundo começa a se despovoar das pessoas que nos amam, pouco a pouco vamos nos transformando em desconhecidos, ao ritmo dessas mortes. Meu lugar no mundo estava no seu olhar e ele me parecia tão incontestável e eterno que nunca me incomodei em ver qual era.”

Trecho de “Isso também vai passar”, de Milena Busquets

Se você foi abençoado nesta vida com uma mãe maravilhosa – como eu tenho a sorte de ter, em quem você deposita tanto do que você é, te desafio a não chorar com essa reflexão de uma filha adulta sobre a perda de sua genitora.

Trecho do artigo “Colorir”

“A leitura é uma caminhada rumo ao topo de uma montanha, ela exige uma certa preparação, a trilha é permeada por imprevistos (quedas, avalanches, encontros inusitados, visões inesperadas, etc.), cansaço, desânimo, entusiasmados ao ver o topo se aproximando e, ao chegar lá, estamos diferentes, por fora e por dentro, de quando começamos a jornada.

A experiência leitora amadurece, nos torna donos do nosso destino, exige que sejamos responsáveis por nossos atos e dizeres.”

trecho do artigo “Colorir”, da coluna “Palavrórios e rabugices”, Ilan Brenman, Revista Crescer

ahs, ihs, ohs e uhs

Estou tão sem tempo, mas não sem tempo de ler umas palavrinhas que fazem sorrir:

alegria

a alegria, como quando ouvimos a voz das coisas – a planta que viceja, o bolo que cresce, o ar que rumoreja – é quando o corpo diz mais do que as palavras. as pernas querem mexer, as mãos bater, o peito avançar, os olhos procurar e as palavras, tímidas diante de tanto sentido, só sabem ahs, ihs, ohs e uhs. alegria é quando as palavras emburrecem.”
(Noemi Jaffe)

“Amizade é o colchão da cama da gente”

Não basta eu colocar o link aqui. Eu TENHO que copiar a texto da Juliana, do blog Fina Flor. Porque ele é lindo demais. Porque ele fez eu querer abraçar cada um dos meus amigos. Porque ela é muito talentosa ao juntar palavras. Porque eu quero reler esse post mil vezes.

Eu acho que amizade é um evento. É uma coisa como a chuva.  A gente até sabe como a chuva acontece, sabe que tem algo a ver com pressão, ar, vento, ciclo, mas chuva é mesmo encantamento, aquela monte de água caindo do céu, enchendo tudo, molhando e deixando cheiro na terra e no asfalto. Não é sempre que paro pra prestar atenção na chuva, mas  quando paro, fico meio confusa pensando: meu deus, tá caindo água do céu! Não é incrível que caía água do céu? Eu acho incrível.

Amizade é feito chuva.  Tem algo a ver com o lugar onde você mora, quanto dinheiro você tem, que livros você lê, quem é a sua família. Tem a ver com o ano em que você nasceu. Tem a ver com condições favoráveis e ciclos. Mas se a  gente para pra pensar nada disso faz sentido. É coisa mais maluca você viver toda uma vida longe de alguém e , de repente ( não tão de repente como um passo de mágica, é um de repente mais processual), uma vida se encaixa em outra vida e uma pessoa passa ser como uma casa.
Amigo é uma casa. A gente deita no ombro na alegria e na tristeza. A gente se esconde entre os braços quando tudo pesa. A gente dança em torno do amigo pra celebrar. Amigo é pra onde a gente volta.
Eu não me canso de me deslumbrar com a amizade. É um afeto que não arde, não dói. Amizade é uma coisa macia. Amizade é o colchão da cama da gente.”

Perfeito!

Ao ler estas palavras, pareciam que elas tinha saído da minha cabeça. Ou melhor, do meu coração:

Um bom livro, Marcus, não se mede somente pelas últimas palavras, e sim pelo efeito coletivo de todas as palavras que as precederam. Cerca de meio segundo após terminar o seu livro e ler a última palavra, o leitor deve se sentir invadido por uma sensação avassaladora. Por um instante fugaz, ele não deve pensar senão em tudo que acabou de ler, admirar a capa e sorrir, com uma ponta de tristeza pela saudade que sentirá de todos os personagens. Um bom livro, Marcus, é um livro que lamentamos ter terminado.” (“A verdade sobre o caso Harry Quebert”, Joël Dicker, Ed. Intrínseca, pág. 563)

Perfeito. Emocionante. É assim que me sinto. E é assim que me senti com este livro. Logo falo dele. Mas já recomendo: leiam. Já.