pedacinhos do cotidiano

Atualmente eu estou…(2)

… lendo “A amiga genial”, da aclamada Elena Ferrante e me esforçando para gostar, já que o livro chegou a mim com tantas recomendações fervorosas da minha mãe.

… lendo, também, a tese de mestrado da minha amiga Flavia (e morrendo de orgulho dela!).

… tentando me ajustar a vida corrida de ter dois filhos. Trabalho em dobro, amor em quádruplo.

… ouvindo os últimos cds do Linkin Park, Ed Sheeran e Shakira (ouçam, ouçam, ouçam).

… assistindo “Downton abbey”  e me deliciando com cada cena da última temporada. Espero que seja verdadeiro o rumor de que farão um filme.

… aprendendo a inspirar e expirar calmamente no meio de um momento de “aimeuDeusnãovoudarcontadetudo”

Wishlist #1

Além dos cerca de 30 livros que placidamente aguardam sua vez na minha sempre crescente pilha, eu ainda encontro espaço para uma listinha de futuras aquisições desejadas. É pouco tempo para tanto livro, mas a gente segue acreditando que vai conseguir!

Vocês conhecem algum desses? Recomendam ou posso cortar da minha lista?

  • “Os antiquário”, Pablo de Santis
  • “Cartas do Papai Noel”, Tolkien
  • “Onda”, Suzy Lee (livro infantil)
  • “Em um bosque muito escuro”, Ruth Ware
  • e mais que tudo, os novos livros lindos ilustrados do Harry Potter ❤ ❤ ❤

Standstill

Comecei as 800 páginas de “Mr. Norrell & Jonathan Stange”, de Susanna Clarke, muito empolgada. Estou agora a passos de lesma, ao ponto de parecer que o marcador de livros não mudou de lugar.

Tantos filmes bons do Oscar e não tive tempo de ir ao cinema.

E também tem os da AppleTv e do Netflix, só que o sono ganha de mim.

As ideias para posts surgem para logo serem afastadas pelas tarefas do trabalho ou do cotidiano do ser adulto.

Minhas amigas e eu não conseguimos decidir por uma data para nos encontrarmos.

A pilha de revista está juntando pó.

Há fases de “suspensão”. Não vou lutar contra ela. Vou deixar o tempo do mundo reorganizar meu tempo a seu próprio tempo.

Direito/direito

Alerta: pode parecer que este texto é sobre Direito. Não é. É sobre fazer o que é direito.

O Código de Processo Civil brasileiro será substituído por um novo, no ano que vem. O novo código tem como um de seus princípios básicos impedir decisões-surpresas. Ele quer que haja diálogo antes das decisões. Parte-se da premissa de que o juiz exerce um nobre ofício, o que não significa que esteja acima das partes. Sua missão é solucionar o conflito, mas com a possibilidade de que cada parte se manifeste previamente à tomada de decisão.

Refletindo sobre o assunto, percebi que este princípio não vale somente para o processo judicial. Vale para vida.

Se existe uma regra  – seja ela explícita (escrita ou falada) ou implícita (atitude que se espera comumente em determinada relação) – e uma das partes envolvidas decide não obedecê-la ou mudá-la, o diálogo antes da decisão é essencial. É medida de respeito dar a chance ao outro afetado para que diga suas razões e saiba, antecipadamente, da possibilidade de que o esperado não se concretize.

É fazer o que é direito.

Não estou aqui nem discutindo a validade de não se seguir uma regra ou querer mudá-la no meio do jogo. Isso vale outra longa reflexão.

O que eu defendo aqui é a transparência prévia – que se evite decisões-surpresas na vida das pessoas com quem você convive.

Outro paralelo com a atividade jurisdicional e a vida é como um bom julgador analisa o conflito a ele submetido.

Cada parte, por óbvio, vai defender que está certa em sua atitude. O bom advogado sabe usar as palavras a seu favor. Recheia sua argumentação de dados periféricos que parecem distorcer a fala do outro. Coloca em dúvida a certeza com o qual a outra parte afirma seu direito. Tenta mudar o foco da discussão para coisas menores e assim desviar a atenção dos fatos que realmente importam.

O bom julgador consegue ver além da retórica. Consegue destacar da discussão os poucos fatos que são verdadeiramente relevantes. Não se deixa levar por argumentos que só lateralmente tocam na questão. Por questões que não são as cruciais. O bom julgador analisa os fatos que, sem a influência desses “frufrus” tendenciosos, leva a dar razão a um ou outro.

Na vida também é assim. Quantas vezes somos levados a pender para um lado por minúcias que despertam a simpatia, mas que no frigir dos ovos não são exatamente o que se está discutindo? É um trabalho difícil, esse de reduzir a análise do conflito ao que importa, àquelas atitudes que foram determinantes para o resultado e que são centrais para ter surgido a disputa em primeiro lugar. Que difícil é não se desviar da análise correta quando se depara com um bom jogo de palavras!

Não importa se é difícil fazer o que é direito quando isso nos trará um prejuízo, quando será prejudicial a nossas vontades ou desejos. Fazer o que é direito equivale a uma consciência tranquila, mesmo que doa o bolso, os projetos e os interesses pessoais.

E se, por acaso, pelo simples fato de ser humano, você surpreender outra pessoa com o desvio de uma regra (quem não erra?), dê um freio no instinto de ficar na defensiva. Assuma seu comportamento. E mesmo que você não esteja disposto a compensar o erro por inteiro, a honestidade ajuda a aliviar um pouquinho o gosto amargo na boca.

Correndo no spa? Correndo do spa

Tendo 8 dias a mais de férias que meu marido, não quis gastá-los todos em São Paulo. Como não faz sentido eu viajar para um lugar bacana sem meu preferido companheiro de viagem, imaginei que 3 dias de relaxamento num spa seria uma excelente ideia.

Só que foi uma ideia de girico.

O problema todo consistiu na não correspondência entre o que um spa oferece e o que eu pretendia. Eu pretendia ficar tranquila. E isso significa, para mim, acordar tarde, ler um monte, ver um filme, comer algo gostoso. Um spa (pelo menos o que eu escolhi) oferece acordar cedo, um monte de aula de ginástica e pouca comida.

Ou seja, ao invés de ficar no dolce far niente eu estava passando fome. E sozinha. Imagina o mau humor. E o desalento.

Até que meu marido me “permitiu” desistir, dizendo que se não estava bom, por que eu não considerava voltar antes para casa? Passei o dia jogando com a ideia para lá e para cá na minha cabeça. E quando pensei “por que não?”, um alívio me invadiu e tive a certeza de que era a decisão acertada!

Quando cheguei em casa, vi minha filha dormindo, dei um beijo no meu marido, comi um chocolate e sentei na minha cama para ler uma revista percebi que, sim, era ali que eu queria estar. E que da próxima vez eu não vou decidir nada às pressas, porque para ficar longe da minha família, o programa tem que valer a pena!

De todo jeito, esse post não é para chorar as pitangas de uma escolha errada e sim para contar de forma bem-humorada os acontecimentos nesses 2 dias e meio de spa:

– Não quero nunca mais ver chia na minha frente. Imagina ter quase todos os pratos salpicados com a semente. É melancia com chia. É salada com chia. É frango com chia. Tira essa maldita no meu prato!

– Na sexta eu estava sozinha no spa. No sábado, as companheiras eram uma senhora bem gorda e uma mulher sarada. A mulher sarada era a típica soccer mom (expressão que os americanos usam para aquelas mães que não trabalham, cuidam do corpo e da beleza e ficam em função de buscar e levar os filhos). Bom, além da raiva de ver o corpo da soccer mom que definitivamente não precisava do spa, ela ficava gritando na aula de hidroginástica “queima, queima, queima”. Será que as calorias precisam de incentivo verbal para serem queimadas? Residirá aí minha dificuldade de emagrecer?

– No domingo, minha companheira era uma senhorinha de 102 anos que “alugou” o instrutor de musculação, que não pôde caminhar comigo na orla porque tinha que andar a 1 km/h com ela.

– E falando em velhinhas, os elogios que eu recebi dos professores não surtiram nenhum efeito na minha auto estima. Para quem está acostumado com senhoras de pernas varicosas e dezenas de kilos a mais, é óbvio que impressionavam meu “pique” e “coordenação”. Por mais que esteja longe do corpitcho de uma blogueira fitness, eu sempre fiz ginástica e tenho só 35, né?!

– Senti-me uma daquelas crianças enjoadas para comer. “Será que a banana pode vir sem canela?”. “Será que dá para trocar esse iogurte natural por outra coisa?”. “Não como melão”. “Não como mamão”. “Não como caqui”. “Não como pudim de coco”. E por aí vai… Até que fiquei com tanta vergonha que comecei a comer gelatina, kiwi e outras coisas das quais não gosto só para não me sentir a crica da alimentação.

– A sociedade brasileira não confia no pai. Não bastasse a culpa e a saudade de estar longe da minha filha, quando eu dizia que a deixei aos cuidados do pai, a cara de espanto era geral. Pessoal, minha filha não estava com uma pessoa qualquer, era com o PAI dela. Tadinhos, ninguém bota fé nos pobres pais.

Deu para sentir o drama do meu final de semana, não?