brasileiro

A primeira infância

Um lenço de papel, uma toalha ou um balde, a depender do seu nível de “chorabilidade”.

No meu atual modelo para lá de sensível, nem o balde daria conta da corrente de lágrimas que inundou minha sala nos primeiros minutos do documentário brasileiro “O começo da vida”. Ao ponto do meu marido, que lida bem com meu chororô, ter perguntado se eu gostaria de assistir a outra coisa…!

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A linguagem do documentário é propositadamente emocional, para atingir a todo o tipo de público, não só aquele mais acostumado a argumentos mais complexos. O propósito é despertar em todos – cidadãos, empresas, políticos – a noção da imprescindibilidade do cuidado com a primeira infância como forma de construir a história humana com menos violência e mais “sucesso”.

O documentário é muito bem montado, com participação de famílias de diferentes países e configurações a estudiosos do tema (até prêmio Nobel). E destaca como o amor e o cuidado diário são as bases de formação de qualquer ser humano.

O discurso vai ao encontro do que eu acredito, ainda que nem todo dia eu consiga fazer as escolhas mais acertadas em relação a minha filha.  O importante é que carinho nunca é demais (assim como penso que colocar limites e dizer não é dar carinho).

Não sei qual seria minha percepção se eu não fosse mãe. Acredito que me emocionaria do mesmo jeito (com uma menor quantidade de lágrimas). Torço para que a mensagem do documentário de cuidar do “começo da vida” para que nossa história seja feliz atinja positivamente milhões de pessoas.

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Caliente

“Latitudes”, com Alice Braga e Daniel de Oliveira, é um filme moderno, ágil, atual. E caliente. Bem caliente. Sem ser vulgar ou explícito, o que é um grande feito! O clima de sedução entre os dois que vão se encontrando por oito cidades pelo mundo é tão palpável, que você se sente até um pouco voyeur.

A melhor definição da história é do diretor Felipe Braga: “uma história de amor não romântica”.

latitudesOlivia e José são, respectivamente, editora de moda e fótografo reconhecido (que rejeita a ideia de fotografar moda). O caso deles começa com uma noite, então viram encontros ao acaso, depois combinados…

No começo, eu tive dúvidas se o jeito sedutor do José significasse que ele era um pouco canalha, depois passei a achar a Olivia muito indecisa e contraditória. Ou seja, pessoas reais, que podiam ser seus amigos.

Além disso, é uma delícia passear por cidades maravilhosas, como Paris, Londres, Veneza, Istambul…

O projeto deles foi lançar o filme em capítulos, na internet e na TNT, em agosto de 2013. Ainda bem que eu não esperei pelos capítulos semanais (ansiosa!) e já assisti à história completa na AppleTV.

Cool ou bobinho?

O jeito fofo da Clarice Falcão fora do Portas dos Fundos é cativante. Desde que em pequenas doses. Senão enjoa.

clarice falcaoEssa foi minha conclusão após assistir ao filme “Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida”. Clarice é Clara, adolescente indecisa quanto ao que fazer da vida. Está no primeiro ano do curso de medicina e mata as aulas, para não fazer nada. Até conhecer o Guilherme, que lhe propõe uma espécie de gincana para que ela descubra do que gosta e para o que tem talento.

O filme é gracinha, divertidinho…até que chega uma hora que tantos “inhos” acabam se transformando em… bobinho. Além disso, o tempo todo eu me pegava pensando que o filme poderia ser uma produção norte-americana, com Zooey Deschanel no papel principal. Clarice e Zooey tem cabelos castanhos e olhos azuis, jeito meigo, fala gaguejante, cantam músicas doces.

O filme funciona mais para o público jovem ou para quem é super fã da Clarice. Para os demais, serve para um momento em que você não quer ocupar sua mente, só o seu tempo.

“Cordilheira”

O mundo parecia conspirar para eu ler “Cordilheira”, do Daniel Galera. Referências ao livro ou à coleção na qual ele está inserido (“Amores expressos”, da Cia. das Letras) pipocavam por aí. Melhor me render.

E valeu a pena?

Sim e não. Para tantas indicações que me fizeram decidir por fazer esse livro pular para o topo da imensa lista de leituras, não foi um amor para a vida. Está mais para uma paixonite de inverno.

Por outro lado, que refresco entrar em um mundo jovem e atual! Se eu ignorasse os arroubos de maluquice dos personagens, poderiam ser pessoas que cruzaram meu caminho. Além disso, a linguagem é moderna ao ponto de eu sentir que a história estava acontecendo agora mesmo.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Anita não sabe muito bem o que quer da vida aos trinta anos. Na verdade, ela quer ter um filho e ficar em casa. Suas ambições terminaram ao escrever um livro de sucesso anos atrás. A tentativa de suicídio de uma amiga e o rompimento com o namorado a levam a sair da inércia e viajar para Buenos Aires. A edição argentina de seu livro contará com uma festa de lançamento e a editora a convidou para participar. Até aí a história parece ser a das dificuldades sobre crescer, ser adulto, etc.

Na capital portenha, Anita se envolve com um argentino e seu grupo de amigos. E é nesse ponto que a história fica interessante: esse pessoal leva muito a sério a literatura. Ao ponto de misturar ficção e realidade em suas próprias vidas. Fiquei muito curiosa para ver aonde Daniel galera ia levar essa narrativa. E gostei bastante do resultado.

 

“Das coisas esquecidas atrás da estante”

Na minha fase “secretamente queria ser amiga da Clarah Averbuck”, penei até encontrar seu livro “Das coisas esquecidas atrás da estante”.

Foto por Júlia Antunes Oliveira

Foto por Júlia Antunes Oliveira

Uma vez de posse do livro, demorei uns dias para começar a ler, com medo que a imagem de moça independente-inteligente-um pouco revoltada-gênio sofredor que eu tinha dela se desfizesse. A nossa imaginação sempre é mais fértil que a realidade, não é?

Com muitos respiros de alívio, a leitura manteve a experiência de ouvir a voz de Clarah na minha cabeça – ela escreve sem pretensão de ser culta, mas de um jeito que faz você sentir que está dialogando com uma amiga.

Agora, já adulta, imagino se gostaria do livro. Se todo aquele sofrimento em volta de amor, sexo, solidão, “qual é meu lugar no mundo?” faria sentido. Pois uma coisa é ser jovem e identificar-se com os questionamentos aparentemente intermináveis. Outra é ser finalmente adulta e segura de si. Talvez eu encarasse o livro com nostalgia.

Não sei.

Só sei que quando o li, no comecinho dos meus vinte anos, foi como encontrar uma amiga cool para uma noite de vinho e choramingos.

Visita ao Templo Zulai

O budismo exerce atração em mim pelos ensinamentos de simplicidade, equilíbrio, generosidade. Mas, já tendo minha religião, encaro-o mais como uma filosofia.

Além disso, visitar templos budistas tem sido uma nova e interessante descoberta. Já conheci alguns na China, Butão e Nepal. A maravilha da experiência não pôde ser recriada no Brasil, pois muitos outros aspectos a completam, como estar num país tão diferente do meu, a magia de se estar viajando, as pessoas ao redor, etc, etc.

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Ainda assim, foi bem bacana conhecer o templo budista Zulai, em Cotia. Demos a sorte de ver cerejeiras em flor (não tem árvore florida mais linda!), de respirar ar puro e de sair um pouco da rotina corrida da nossa amada São Paulo.

De carro não é difícil de chegar e há uma grande área para estacionamento. No site há explicação de como ir de ônibus.

Além do templo, há agradáveis áreas arborizadas e até um laguinho, com ponte e tartarugas!

Alguém também adorou as cerejeiras! Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Alguém também adorou as cerejeiras!
Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Vá lá: Estrada Municipal Fernando Nobre, 1461 (Km 28,5 da Rodovia Raposo Tavares)

Exposição OSGEMEOS

Os irmãos grafiteiros osgemeos ultrapassaram a barreira da clandestinidade do grafite para se tornarem artistas de renome internacional. Eu ADORO seus bonecos amarelos, com uma brasilidade inegável.

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

No Galpão Fortes Vilaça (que eu não conhecia e agora fui em minha segunda exposição lá), os irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo expõe o trabalho “A ópera da Lua”. A maioria das peças é inédita e há tanto desenhos que remetem à delicadeza, aos sonhos, como aquelas de crítica social. Um trabalho incrível dessa dupla que me faz sorrir toda vez que dou a sorte de encontrar um grafite pela rua antes que, infelizmente, a recente administração municipal apague.

O único porém da exposição é que, por eles serem famosos, o ambiente fica muito cheio. Eu não curto aquela multidão que te impede de ver o trabalho com calma. Eu fico tensa por não poder apreciar devagar; por estar na frente de alguém, atrapalhando sua visão; por ter todo aquele ruído que impede a contemplação detalhada. Se você puder, recomendo ir durante a semana.

Vai até 16/08.