chicklit

“Tem alguém aí?”

Foto tirada do site magia literaria

Foto tirada do site magia literaria

No mundo do chick-lit, para mim a Marian Keyes é rainha (já falei dela aqui, aqui e aqui). Consegue pegar temas tristes e transformá-los numa deliciosa diversão. Aquele tipo de leitura que pede praia, relaxamento, riso solto.

Com essa expectativa, fui ler “Tem alguém aí?” (Ed. Bertrand Brasil) . Mais uma das irmãs Walsh entra em cena: Anna. Depois de dias e dias e mais dias jogada no sofá da casa de seus pais em Dublin, Anna volta para Nova York. Lá tem apartamento, amigos, emprego. E seu marido. O problema é que ela não o encontra e assim segue espiritualmente esfacelada.

A cada novo capítulo eu esperava o momento em que iria rir – ou ao menos sorrir – com alguma tirada que transformasse o drama em comédia. Só que esse momento nunca chegou. O livro é triste do começo ao fim. E conforme você vai deduzindo o que aconteceu, vai ficando mais chateada, sem o alívio cômico dos demais livros.

De todos os livros sobre as irmãs Walsh, esse é o que eu menos gostei. Talvez se eu soubesse que era só drama, não teria antecipado uma sensação que não foi preenchida.

 

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“Tamanho 42 e pronta para arrasar”

Volte aqui! O título engana: isto não é um livro de auto-ajuda para quem não é magra pelos padrões atuais.

Aliás, antes que eu fale mais sobre o livro, cabe um protesto: a autora, norte-americana, fala em tamanho 12, o que, no Brasil, corresponderia a um 44 ou 46. Como aqui a patrulha da magreza é pior do que lá, a quem coube a escolha da tradução do título pareceu que 42 já era bem gordinha. Oh, céus!

Deixando de lado meu incômodo, vamos ao que interessa: se o livro não é de auto-ajuda, que título é esse?

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Meg Cabot, rainha do chicklit, faz piada com essa questão do tamanho e cria uma série de até agora 4 livros, sendo “Tamanho 42 e pronta para arrasar” o último deles. Todos são bem engraçados e a personagem feminina, Heather Wells, é cativante. Ela é uma ex-estrela pop que após engordar e começar a pensar por conta própria perde o contrato com a gravadora e o namorado também famoso. Sua mãe foge com o empresário da filha e o pai é preso por crimes financeiros. Só lhe resta arrumar um emprego “de verdade”. Heather assume um cargo de assistente da direção de um dormitório universitário. Além dos dramas juvenis, a coitada se vê envolvida em situações que garantem ao local o apelido de “dormitório da morte”.

Com muitas referências atuais, é uma leitura perfeita para a praia, com o sol diminuindo o ritmo das ondas cerebrais. Os dois primeiros da série são bem mais engraçados e este último peca por pender para o tradicional chicklit mais do que para o humor auto-depreciativo. Ainda assim, li em poucos dias pela facilidade com que a leitura flui.

“Guia de caça e pesca para mulheres”

guia caça pesca elizabeth bankEu me interessei pelo livro principalmente por seu título curioso: “Guia de caça e pesca para mulheres”. Ou o livro estava na seção errada da livraria ou era uma sacada engraçada. Como descobri que era um exemplar de ficção, restou a segunda alternativa.

Elizabeth Bank é sagaz em criticar as regras de autoajuda destinadas a “encontrar o par ideal”; o faz por meio dos desencontros amorosos de Jane, desde a adolescência até a fase adulta. Dificuldades no trabalho, com sexo, em encontrar o amor… nada passa batido pela língua afiada da escritora e de sua personagem principal.

Eu era nova quando o li e acredito que agora, na fase adulta, compreenderia melhor a motivação de Jane em algumas passagens. A experiência de ler é muito relacionada ao momento de vida do leitor, que pode torna-lo mais ou menos receptivo ao que está ali escrito.

Um livro que agrada o público feminino, mas cujas sacadas irônicas provavelmente não encontram eco nos leitores do outro gênero.

“Los Angeles”

Quem conhece “Melancia”, de Marian Keyes, sabe que a personagem principal tem outras 4 irmãs. Dado o sucesso do primeiro livro, ao longo dos anos a escritora Marian Keyes aventurou-se a dar a cada uma das irmãs de Claire o seu próprio livro.

Em “Los angeles”, ganha voz a irmã mais velha Maggie. A única certinha na família Walsh pira, larga sua estabelecida vida (marido e emprego num escritório de advocacia) e parte, sem passagem de volta, para a ensolarada e colorida Los Angeles.

Los angeles Marian Keyes

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Rainha do chicklit, Marian Keyes sabe dosar humor e temas delicados, sem cair na pieguice ou na lição de moral. São livros que não farão muito sucesso com o público masculino, sem que isso signifique que seja uma “literatura” menor. É, tão-somente, um bom livro de férias, para distrair, sem emburrecer.

Só um PS: “Melancia” continua sendo meu preferido.

“Os diários de Carrie”

Candance Bushnell disse em uma entrevista que não escreveria mais sobre o que acontece com as personagens de “Sex and the city” após o segundo filme (ok, veremos se é verdade). Mas encontrou inspiração para escrever sobre a vida do quarteto antes de Carrie chegar a Nova York.

No primeiro livro sobre a fase pré-SATC*, Carrie está no último ano do colegial, indecisa quanto ao que fazer assim que se formar e apaixonada por um “bad boy”.

A meu ver, este livro tem dois públicos-alvo: fãs saudosos de “Sex and the city” e o chamado grupo de jovens adultos (pessoas no fim do colegial e início da faculdade).

Como já não sou mais uma “jovem adulta”, tenho o primeiro grupo para justificar a compra do livro!

É bobinho? É. Mas diverte. Ótimo para ler naqueles momentos em que você quer uma diversão estilo Disney: você fica alegre e usa pouco o cérebro.

*SATC= Sex and the city

(foto por Júlia)

“Melancia”

Chick lit é uma expressão que se usa no meio literário para denominar romances leves, voltados para o público feminino, tendo como personagens mulheres modernas. É a “literatura para mulherzinha”.

Se considerarmos em quantidade, há muitos representantes de chick lit com histórias bobinhas, previsíveis, esteriotipadas.

Só que separando o joio do trigo, você encontra livros divertidíssimos, que não são perda de tempo. Pelo contrário, servem para levantar o humor, dar umas risadas, torcer secretamente pela personagem (que parece com você ou com uma amiga).

Nesse meio eu adoro a escritora irlandesa Marian Keyes. E o meu preferido é “Melancia”. Não é um livro de reflexão, nem para adquirir mais conhecimento. É puro divertimento, mas, ainda assim, um divertimento sem ser fútil.

Aborda-se um tema delicado (depressão pós-parto) com bom humor. O marido de Kate a abandona logo após ela dar a luz. A solução é ela volta a morar com os pais e as duas irmãs mais novas, todos com algum traço excêntrico. 

O que podia ser um dramalhão mexicano é um livro de puro entretenimento – tão fácil de ler, que você nem vê o tempo passar…