critica social

“A abadia de Northanger”

Adoto todos os filmes baseados nas obras de Jane Austen. E já havia lido “Razão e sensibilidade” para ter a certeza em minha cabeça de que a acho incrível, revolucionária para época, além de ser exatamente o tipo de história de amor que me faz suspirar. O problema é que fazia tanto tempo que eu havia lido sua obra mais famosa, que já não me recordava se havia gostado da escrita da autora inglesa…

Uma linda capa rosa me chamou a atenção. “A abadia de Northanger”. Nome promissor. “Jane Austen”. Boa! Já para minha casa!

abadia

(foto por Júlia A. O. – filtro #acolorstory)

Este livro é uma de suas primeiras obras, porém somente foi publicado décadas após ter sido escrito. Na nota explicativa no começo do livro, a própria Jane desculpa-se caso haja alguma imprecisão dado o tempo transcorrido (o que para uma pessoa do século XXI não é perceptível) e afirma desconhecer os motivos pelos quais alguém compraria os direitos de sua obra para não publicá-la de imediato.

Talvez por ser uma de suas primeiras incursões na arte de escrever um livro e ela ainda estar aprimorando sua técnica, pareceu-me que o final veio apressado, como se faltassem algumas páginas entre o clímax e o desfecho. Feita esta ressalva, a história é uma delícia de ler e o livro foi devorado em poucos dias.

Catherine é uma menina ingênua, curiosa e leitora voraz de livros góticos. É convidada a passar uma temporada em Bath, cidade que lhe apresenta diversões até então desconhecidas, como teatro e dança, assim como lhe traz novos amigos.

Convidada pelo pai de um deles a conhecer sua propriedade, a Abadia de Northanger, Catherine vibra com a ideia de desvendar mistérios em uma construção gótica semelhante àquelas que vê reproduzida nos seus amados livros.

Pena que a realidade não se igual aos livros… Os assuntos do coração, por outro lado, a farão perceber que a vida fora dos livros pode ser tão ou mais recompensadora que aquele da ficção.

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“As viúvas das quintas-feiras”

Condomínios fechados na qual vive a elite. Empregadas domésticas de outras nacionalidades. Moradores que fizeram dinheiro honestamente convivem com outros que o ganharam em esquemas escusos. Vizinhos em competição pelo melhor carro, melhos escola do filho, melhor performance no golfe e tênis. Desespero com a chegada da recessão. A suspeita morte de três homens em um dos seus semanais encontros masculinos (as mulheres ficam livres para compras e seus afazeres).

Este cenário poderia ser brasileiro. Mas não é. Ambientado na Argentina, a história ganha contornos de crítica social nas mãos de Cláudia Piñeiro. Uma interessante mescla entre uma história de suspense e o exame do quão importante é “ter” ao invés de “ser.

Buenos Aires - por Cristiano Cittadino Oliveira

“A ditadura da moda”

Eu adoro a revista TPM. E dou graças a Deus de existir uma revista inteligente voltada para minha faixa etária. Uma das coisas que eu mais gosto nela são as reportagens da Nina Lemos, que eu acho engraçadíssima.

Quando ela lançou um livro, já fui logo comprando. Infelizmente, o livro não me agradou tanto quanto seus comentários na revista. Acho que a história deve fazer sentido somente para seu grupo de amigos nerds/cools, que não é o meu caso.

A personagem principal parece um alter-ego da jornalista Nina, que trabalhou com moda e tem pais que defendem a política de esquerda, dois assuntos que não são particularmente harmônicos. Na ficção, Ludimila é uma fashionista que passa a sofrer crises de consciência por conta do embate “mundo de consumo” que a fascina x ser filha de pai guerrilheiro assassinado na ditadura.

Serve para questionar essa loucura em torno do “tem que ter” roupas da moda, com uma certa graça. Ainda assim, não é o melhor de Nina Lemos, que consegue me fazer rir sozinha com suas tiradas ácidas na revista TPM.

“Uma real leitora”

Adoro pequenas ideias que viram um livro inteligente. Alan Bennet teve uma dessas ideias e criou uma história deliciosa.

Imagine se a Rainha da Inglaterra descobrisse uma devoradora paixão por livros e não desse mais a devida atenção a suas obrigações de monarca? Com esse ponto de partida, desenrolam-se cenas muito divertidas, como a que a Rainha Elizabeth prefere discutir sobre autores franceses com o governante francês ao invés de tratar dos assuntos políticos.

A voracidade com que ela devora livro atrás de livro e o sentimento de que o dia não é longo o bastante para ler tudo o que se gostaria são meus velhos conhecidos.

Leitura rápida e de qualidade.

(foto por Júlia)

“Where children sleep”

O fotógrafo James Mollison propõe uma reflexão sobre desigualdade social, econômica e cultural por meio de fotografias de quartos de crianças espalhadas por 16 países, como Inglaterra, Brasil, Nepal e Liberia.

A cada página há uma foto da criança escolhida, acompanhada de um pequeno texto sobre suas condições de moradia, idade, sonhos, etc. Ao lado, a foto do quarto onde dorme – ou, nos casos mais tristes, dos espaços que são considerados como quartos.

Só o fato de eu poder comprar um livro em dólares já me mostra como sou privilegiada – e torna ainda mais doloroso ver situações precárias e sem futuro de crianças como Roathy, que mora num lixão no Camboja ou Lehlohonolo, de Lesoto, que perdeu ambos os pais para a AIDS.