espionagem

“Serena”

Quando você cruza com um escritor/escritora que faz mágica com as palavras, dá uma invejinha, não? O recém-descoberto (por mim) Ian Mc Ewan acabou de se tornar alvo. Como escreve bem o danado! Não à toa é considerado por muitos um dos maiores ficcionistas da atualidade.

Conhecia o incrível filme “Desejo e reparação”. Depois de ler a resenha da Michele sobre “Serena”, decidi que devia conhecer a obra do autor no papel. E para isso, tive que descumprir minha promessa de começo de ano de só comprar um livro novo quando diminuísse a pilha de livros ainda não lidos aqui em casa.

Uma violação da regra por justa causa.

“Serena” não somente é bem escrito, como foi uma deliciosa pausa nos temas que eu normalmente procuro nas minhas leituras. Era justamente o que eu precisava: um livro BOM com temática diferente e, ainda, assim, envolvente.

Foto tirada por minha mãe!

Foto tirada por minha mãe!

A personagem principal – e narradora – nos conta sobre sua juventude, em especial os meses em que foi recrutada pelo Serviço de Inteligência Britânica, no fim dos anos 60. É uma história de espionagem na qual o foco não é o serviço secreto. Ou melhor, o serviço secreto é elemento relevante, mas somente parte de toda uma gama de construções em torno da inglesa bonitona que se forma em matemática em Cambridge, lê vorazmente e encontra no MI5 uma oportunidade de uma rotina diferenciada no meio da crise econômica e social pela qual a Inglaterra passava.

O leitor vai se enrolando na bem-tecida teia de Ian McEwan e nem percebe. Ainda bem.

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Fique quieto na cadeira e preste atenção

Filmes de ação norte-americanos são divertidos e distraem. Porém, parece-me que a hegemonia destes filmes nos cinemas brasileiros causam deficit de atenção na platéia.

A trama do filme “O espião que sabia demais” é muito interessante e demanda atenção aos detalhes e gestos dos personagens. Só que diversas pessoas no cinema ficavam inquietas, remexendo-se na cadeira. Houve até mesmo um ser que desistiu e saiu no meio do filme. E olha que não é um filme ultra-cabeça e “paradão”!

Atribuo essa impaciência à falta de costume com filmes que não contenham tiros, explosões e sustos a cada 5 minutos.

Na Inglaterra do período da guerra fria, suspeita-se que há um traidor na alta cúpula da inteligência secreta. O agente aposentado Smiley é convocado para descobrir se esta informação é correta e quem seria o espião dentre aqueles com quem trabalhou lado a lado por anos.

A coleta de informações não acontece em poucos dias. É o resultado de um trabalho lento, como um jogo de xadrez (analogia esta muito bem colocada por meu marido). E você fica curioso para saber quem é duas-caras, se é que essa teoria é verdadeira…

Recomendo principalmente para quem viveu no período da guerra fria e compreenderá o ritmo e as cores do filme.