fantasia

“O temor do sábio”

Ao invés de sentir receio ao estar frente a frente com 960 páginas, frenesi foi o que meu corpo experimentou ao abrir a capa do segundo livro de Patrick Rothfuss sobre a saga de Kvothe. Seguido de receio, sim. Mas não pelo calhamaço de páginas e sim pelo medo de não amar este livro como com “O nome do vento”.

temorsabio

Medo infundado. O livro é tão incrível quanto o anterior. Patrick Rothfuss, como conseguiu esta façanha? De não perder a mão em tamanha quantidade de páginas? Em manter meu interesse aceso por todas as aventuras que o Kvothe vivencia após suspender seus estudos na universidade?

Para quem gosta de ficção fantástica, é um verdadeiro delírio. História bem construída, com personagens apaixonantes, irritantes, amedrontadores, enigmáticos – tem de tudo. Só não tem tédio ou clichês baratos.

“O oceano no fim do caminho”

Neil Gaiman tem uma legião de seguidores, dos quais eu não me incluía porque sempre imaginei que ele escrevesse sobre assuntos “dark”. Acontece que alguns títulos tem tamanho poder de atração que você sequer percebe quem seria o autor.

“O oceano no fim do caminho”. Um título maravilhoso! Minha curiosidade ficou enormemente instigada…

Foto por Julia A. O.

Foto por Julia A. O.

A história é um pouco juvenil, vale o alerta. Tendo em mente esta consideração, a leitura é uma verdadeira delícia. O narrador é um homem que retorna a sua cidade natal para um velório. Essa volta faz com que ele rememore um importante evento de sua infância, em que realidade e fantasia se misturaram em uma aventura vivida na fazenda de sua amiga Lettie.

O leitor é presenteado com uma fábula agridoce, em que uma criança perde sua ingenuidade ao viver acontecimentos fantásticos.

 

“Os cem sentidos secretos”

Milênios separam o momento atual da minha última “leitura oriental”. Simplesmente não surgia o momento certo; ainda bem que “Os cem sentidos secretos”, de Amy Tan me pegou em uma fase sensível e delicada, ajustando-se perfeitamente ao que meus olhos e coração queriam.

É uma história muito bonita, com momentos de melancolia, tristeza, esperança e doçura. Trata de relações familiares, bem ao estilo Amy Tan; de amores (dos mais variados tipos); das diferenças de pensamento e de modo de viver norte-americano x chinês; de lendas; de destino; do que os cinco sentidos “comuns” não conseguem sentir…

Assim como ler Gabriel García Márquez, você tem que se render ao aspecto fantasioso e nele mergulhar, para assim curtir toda a experiência de um livro da escritora americana, descendente de chineses.

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(foto por Júlia A. O.)

“Os cem sentidos secretos” gira em torno de duas meia-irmãs: Olivia, nascida nos Estados Unidos e que sofre com a falta de amor por parte da mãe; Kwan, nascida na China e que já adolescente deixa o país natal para viver com a família de sua meia-irmã.

Kwan envergonha Olivia, com sua ingenuidade e desconhecimento da língua inglesa. Kwan parece não notar a aversão da irmã, por quem nutre grande carinho, que supera todas as maldades sofrida, e para quem confidencia seu poder de falar com fantasmas.

No final, o livro se resume na busca de ambas pelo amor: Olivia para preencher o vazio por sentir que nem sua mãe, nem seu marido a amam com todo o coração; Kwan, para provar sua lealdade amorosa, vinda de vidas passadas.

“A noiva fantasma”

Uma das sensações mais deliciosas é quando eu começo a ler um livro e já nas primeiras linhas eu SEI que vou amar a história.

Foi assim com “A noiva fantasma”, de Yangsze Choo.

Quando vi a capa linda e as primeiras páginas estampadas, eu quis ter o livro por questões estéticas. O lado racional meu freou e pediu o mínimo: confirme se a história te interessa, Júlia! Sim, sim. Mistura de elementos da cultura oriental com fantasia faz meu gênero. Posso ir para o caixa, lado racional? Pode.

Li Lan é uma jovem malaia, no ano 1893. A moça é surpreendida quando seu pai – pessoa que ela adora, mas que os levou à falência – a surpreende com a indagação: “o que você acharia de ser uma noiva fantasma?'” (parênteses: não é de arrepiar os pelos a ideia de “noiva fantasma”? Eu fiquei alucinada com isso, procurando na internet..!)

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Noiva fantasma era (ou é?) uma prática chinesa antiga, em que uma moça viva se casava com um rapaz…morto. Isso acontecia em geral para aplacar o espírito daquele que morreu sem ter se casado. Ou a família do rapaz podia querer uma companhia jovem para substituir o filho perdido, já que a mulher vai viver na casa dos pais do marido.

Não quero contar muito mais para não estragar a história, cujo desenvolvimento é bem diferente do que eu já li. Só quero dizer que a mistura de sobrenatural, com amor, vingança, suspense e amadurecimento resulta em páginas a serem saboreadas com calma e um tiquinho de medo.

“O nome do vento: primeiro dia”

Há teeeeempos eu estava atrás de um bom livro de fantasia. Algo como Harry Potter, Senhor dos anéis ou Os magos. E eu nunca recebia nenhuma dica! Quando vasculhava as prateleiras das livrarias, tudo me parecia bobo, forçado, juvenil.

Cerca de 2 meses atrás foi atendida por uma vendedora excelente na Livraria Cultura, que demonstrava saber do babado. Então me arrisquei e pedi uma indicação de livro do setor de fantasia. Saí com “O nome do vento – A crônica do matador do rei: primeiro dia”, de Patrick Rothfuss.

Não busquei nada sobre o livro na internet e confiei.

Fui feliz.

Logo de cara eu não me empolguei com o livro. Não teve aquele “bam!”. Depois de alguns capítulos, a história passou a a ser melhor conduzida e percebi que já estava envolta naquele mundo inventado. Descobri que minha criança interior estava muito satisfeita em ter alguns momentos para acreditar em magia, seres estranhos, conjunções astrais e coisas do gênero.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Kothe é um dono de estalagem que esconde um passado repleto de aventuras e desventuras. Ele quer deixar tudo isso para trás e viver uma vida pacífica (e sem graça). Seu plano começa a dar errado quando criaturas estranhas começam a atacar humanos perto de sua via. A aparição de um cronista em sua taberna é mais um indício de que seu passado não está tão bem enterrado assim. E é para esse cronista que ele resolve contar a sua versão de todos os acontecimentos que levaram a surgir tantos boatos, tanto heróicos como desabonadores, em volta de sua figura.

Da infância feliz com seus pais e demais artistas mambembes, à tragédia que o deixou órfão, ao período negro de garoto de rua à reviravolta de chegar à Universidade, meus momentos favoritos estão neste último ambiente. Imaginar que existem escolas em que não só se aprende matérias “comuns”, como possuem magia as rodeando é para lá de empolgante para uma leitora como eu. Esses trechos bebem na fonte de Harry Potter, não se pode negar, e ainda assim tem seus elementos que tornam a história muito boa por si só – e não só uma “cópia” bem feita.

Não se assustem com as centenas de páginas; a leitura não cansa. Foi bem no finalzinho que me dei conta de que aquele não era o término de meu contato com Kothe – trata-se de uma trilogia. Ah, não! Mais dois para a pilha de leitura!! Pelo menos sei que, se seguirem na mesma linha, serão leituras divertidas e que servem de respiro para a realidade.

Mistura que não funcionou

caminhos da florestaVocê vê que a Meryl Streep participa do filme e pensa que não tem como errar. Só que nem a Meryl é livre de fazer escolhas ruins. E “Caminhos da floresta” foi uma escolha errada.

Chato, confuso, sem graça. Não se decide se quer ser engraçado ou sombrio, juvenil ou para todos os públicos, moderno ou com um pé na tradição das histórias já consagradas. Ainda que os atores de Hollywood possuam essa incrível capacidade de atuar, cantar e dançar, as músicas são fracas ao ponto de não importar se quem as canta é bom ou não.

O enredo? Uma mistura dos contos infantis da Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, Cinderella e João e o pé de feijão. E uma bruxa. Sempre tem que ter uma bruxa, que nesse caso serve para unir as histórias. Só que as histórias se unem de maneira tão tola e superficial que nem Meryl salva “Caminhos da floresta”.

O final do prólogo da confusão do anel

Eu havia lido uma crítica sobre o último filme da trilogia do Hobbit, “A batalha dos cinco exércitos” na revista da Folha, se não me engano. E vou fazer dela minhas palavras: um filme sem enredo e com muita ação.

anoes hobbit

Ou seja, é um filme bem divertido, cheio de figuras fantásticas na tela e que finaliza bem o prólogo ao inigualável “Senhor dos anéis”. Só que de história, bem, não há quase nada. É quase uma batalha ininterrupta. Bom para a correria do fim do ano, em que nosso cérebro quase se exaure de tanto tentar organizar todos os compromissos pessoais e profissionais que nos atinge nessa época.

(o título do post ficou maior que a resenha)