ficção científica

“Matéria escura”

A capa do livro chama muita atenção: um laranja quase neon, com uma moderna tipografia. Comigo não vale a máxima de não julgar um livro pela capa. Eu adoro capas bonitas e interessantes.

Eu estava ainda na alucinação após ter visto o filme “A chegada” e muito interessada em assuntos de física, tempo, espaço, universo. A proposta de “Matéria escura”, de Blake Crouch, encaixava-se perfeitamente em meu estado de ânimo, tanto que pulou na frente de dezenas de livros que aguardam em minha livraria particular (como gosto de chamar minhas pilhas de livros novos ainda por ler).

Foto materia escura

O livro tem premissas interessantes e questões de física quântica, que, para uma leiga, foram apresentadas de forma bastante convincente. Jason Dessen é um professor universitário de física, muito feliz com sua vida familiar (uma mulher e um filho), porém não totalmente satisfeito no campo profissional. Ele era um físico brilhante que teve de abandonar as pesquisas para se dedicar a ser um bom pai e marido.

Em um dia qualquer, ele é sequestrado e drogado. Colocado em uma caixa escura. Ao acordar, o protagonista parece estar em um mundo parecido com o seu, mas com elementos importantes totalmente diferentes. Não é casado, não tem filho e é um profissional renomado em sua área.

Jason não sabe mais o que é realidade, o que foi sonhado, qual sua verdadeira vida… Bastante angustiante, não?

A trama é bem veloz e com inimaginadas reviravoltas – com exceção de um fato importante, que saquei logo no começo. O que me incomodou foi eu perceber que a história é claramente um roteiro para um futuro filme. Não que livros não possam viram filmes – veja a maravilha que são os filmes do Harry Potter e do Senhor dos anéis. Só que quando a trama está mais preocupada em funcionar num filme do que ser uma boa leitura, eu implico.

E você não tiver este tipo de implicância, será uma leitura bastante divertida.

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100% do cérebro

Em comemoração ao aniversário de namoro (a gente tem que manter o romance no casamento, minha gente!), nos demos de presente ir ao cinema numa daquelas salas VIP. É cara? É. Muito. É maravilhosa, confortável, deliciosa? Ah, é. Muito.

O filme quase vira fator secundário.

Foto tirada do site Café com blablabla

Foto tirada do site Café com blablabla

“Lucy” foi a película escolhida. Se você não a levar muito a sério a parte “séria” do filme, é um entretenimento insanamente divertido!

Scarlet Johansson é uma atriz que começou super bem, fez escolhas ruins (sempre o mesmo papel de mocinha sedutora) e agora voltou a acertar. E aquela voz dela sempre ajuda. No mesmo filme tem a voz do Morgan Freeman. É o filme das vozes bonitas.

Voltando ao enredo… Lucy é uma mulher comum, tentando a vida em Taiwan. A reviravolta se dá quando o namorado a joga no meio de um bando de criminosos poderosos, maus e sem escrúpulos. Ela é obrigada a trabalhar de “mula”.

Só que o embrulho com a mais nova droga do momento estoura e Lucy, ao invés de morrer, passa a adquirir poderes. Nada sobrenatural, diz a explicação “científica” do filme. Os poderes decorrem do aumento do uso do percentual do cérebro.

É uma tese científica muito discutida essa do uso do cérebro. Ainda mais fantasiosa essa história de aquisição de poderes como controlar ondas magnéticas, telecinese, etc. Não pense nisso. Embarque na premissa e divirta-se.

“Oryx e Crake”

Muito nada sutilmente, eu sugeri exigi ao meu marido que me desse livros no Natal. Empenhado em acertar, ele leu meu blog atrás de autores cujos livros eu tenha adorado. Do resultado da sua investigação, sagraram-se vencedoras Margaret Atwood e Elizabeth Gilbert.

Da primeira, ganhei “Oryx e Crake”. Se eu lesse a orelha do livro, provavelmente ele não sairia da livraria comigo. Ficção científica não é minha primeira opção de leitura. Por sorte, outras pessoas nos trazem histórias incríveis que por nossa própria vontade não conheceríamos.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Margaret Atwood narra o fim do mundo como conhecemos. Acompanhamos Jimmy, que agora quer ser chamado de Homem das Neves, um dos únicos sobreviventes de todas as catástrofes ocorridas com o Homo Sapiens: aquecimento, destruição da natureza, vírus, excesso de pessoas…  Jimmy se vê em farrapos (físicos e emocionais), no meio dos Crakers – seres humanos geneticamente alterados para sobreviver ao colapso da Humanidade.

A curiosidade é enorme no começo do livro para descobrir como a espécie humana desapareceu. O Homem das Neves nos conduz ao passado em flashbacks de sua infância em um dos Complexos (locais protegidos e com boa vida para aqueles dotados de inteligência superior); de sua adolescência com o gênio Crake; de sua juventude em uma faculdade mediana até ser “resgatada” pelo poderoso Crake; de sua obsessão com Oryx, jovem escrava sexual que descobriu em uma de suas milhares visitas a sites de pornografia…

É um livro pesado, sem esperança, com linguagem e cenas que podem incomodar leitores mais sensíveis. O pior é que é muito difícil gostar do superficial protagonista e se importar com o que vai acontecer com ele. Esse ponto dificulta a leitura de quem, como eu, quer sentir uma ligação com o personagem principal. Por outro lado, esse distanciamento serve ao propósito da autora canadense – que escreve tão bem! – de te forçar a enxergar nosso atual comportamento como grupo no planeta e indagar se, como espécie, continuaremos muito tempo na Terra.

Adaptação boba

hospedeira filmeDepois da febre “Crepúsculo”, Stephenie Meyer havia me surpreendido com a ficção científica misturada com romance “A hospedeira“. O filme, talvez na esteira do sucesso da saga dos vampiros, foi logo produzido.

O problema foi esse “logo”… Que história mal-adaptada! O filme é bobo, sem cuidado, sem emoção. É tão difícil se apegar aos personagens, de compreender a complexidade de se ter duas vozes na mesma cabeça ou a confusão de sentimentos… Tudo que é cativante no livro se perde no filme. Uma bobeira juvenil.

Se o livro eu recomendo, sobre o filme eu digo “não perca seu tempo”.

Astronauta

Minha mãe já tinha me alertado que o filme dava náuseas e eu não acreditei. Até começar a me sentir mal e querer vomitar. Definitivamente eu nunca poderia ser astronauta…

gravidadeEm “Gravidade”, Sandra Bullock dá um show de interpretação como a astronauta novata que, consertando o telescópio Hubble, é atingida por uma chuva de debris de um satélite russo. Completamente à deriva, ela e o experiente Matt Kowalski (George Clooney) tem de encontrar uma forma de retornar à Terra.

O que dá mais aflição é que não é um filme fantasioso, em que os personagens tem super-poderes, como Homem de Ferro, e você pode esperar deles uma força ou astúcia fora do normal. Não! São seres humanos colocados em um ambiente completamente inapropriado para nossa constituição física.

Você consegue se libertar da angústia por pouquíssimo tempo e então vem mais um desastre para te deixar aflita e enjoada! Não sei como eu não saí com a mão doída de tanto apertar o braço do meu marido… E por falar em sair, pensei em sair no meio da sessão de de tanto nervoso que eu estava passando!

Um filme sem história e que te impede de piscar um segundo: façanha!

“A hospedeira”

Foto poe Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Na época da febre Crepúsculo, comprei o livro anteriormente escrito da Stephenie Meyer. Depois eu esqueci do dito cujo, que ficou mais de 1 ano na pilha… Até que baixou uma vontade de ler algo de ficção científica e resgatei “A hospedeira”.

A Terra foi invadida por e.t.s que entram na nossa cabeça e passam a controlar nossas mentes. Esses aliens são pacíficos e tornam a vida no nosso mundo livre de guerras e brigas. Tudo parece para melhor, tirando o fato de que sobraram alguns humanos que resistem a serem “abduzidos”, preferindo viver clandestinamente, mantendo suas mentes livres.

A história segue Melanie que consegue sobreviver com seu irmão ao ataque, até ser finalmente capturada. Mel, no entanto, pretende lutar até o fim e sua “hóspede” encontra resistência em tomar conta do cérebro da menina.

A premissa é estranha à primeira vista – mas funciona! Não imaginava como Stephenie Meyer conseguiria fazer o leitor entender esse duelo mental, mas logo você entende quando é cada uma “falando”. E quando você se vê torcendo tanto pela invadida como pela invasora, sente que a autora conseguiu um feito!

O livro vai virar filme ainda este ano.

Expectativa às vezes atrapalha

Três amigos crescem em um internato inglês que superprotege as crianças. Mais tarde descobrem que são clones nascidos com o único fim de doar seus órgãos para curar doenças dos “normais”. Esse destino significa que morrem após algumas cirurgias de doação, antes mesmo de atingir a meia-idade.

Aluguei o filme “Não me abandone jamais” esperando encontrar um bom filme de romance. Não era isso. Quando conheci melhor a história, passei a esperar detalhes sobre a realidade alternativa ali proposta, explicações, interpretações. Minha esperança de um filme de ficção científica também não foi correspondida.

É um filme bom, com atuações contidas e muito bem desenvolvidas. Só que as expectativas que eu criei sobre como seria o filme estragaram a experiência…