gótico

“A menina que não sabia ler – volume 2”

Quando li “A menina que não sabia ler“, fiquei amedontrada com a história de Florence. Um rico mistério gótico, que me divertiu imensamente.

Levei um susto quando me deparei na livraria com o segundo volume (Ed. Leya) – não vi nenhum gancho no final da trama para uma continuação… De todo jeito, sem nem pestanejar, comprei o livro e passei imediatamente a sua leitura.

Ah, John Harding, por que você me aprontou essa? Por que não parou no primeiro, que é um livro tão incrível? Por que foi criar um segundo volume de uma história que sequer precisava de continuação? Por que criou um enredo tão previsível e batido? Quase estragou o tanto que eu gostei do primeiro “volume”!!

Foto por Júlia A. O. (quase que deixo minha filha rasgar o livro, mas seria heresia imperdoável...)

Foto por Júlia A. O. (quase que deixo minha filha rasgar o livro, mas seria heresia imperdoável…)

Neste volume 2, Florence é paciente em um manicômio localizado numa pequena ilha. Não sabemos como ela chegou lá. Aliás, nem sabemos que Florence é Florence, mas como se trata de uma continuação, não há spoiler em dizer que ela é a paciente conhecida como Jane Pomba. Narrado pelo médico recém-chegado John Sheperd, encontramos um local desolador, com tortura e abandono das pacientes “loucas”. O médico tem seus próprios segredos e preocupa-se mais em esconder sua identidade do que com essas pobres coitadas. Até que decide dar um tratamento mais humano auma dessas pacientes, o que não é bem-visto pelo Dr. Morgan, chefe da instituição, mas que permite como experimento científico.

No começo não fiquei empolgada, mas segui confiante que viriam as dúvidas sobre o que é real e o que é imaginário, quais as motivações de cada personagem, qual o segredo que será revelado, todos esses ingredientes bem-trabalhados no primeiro volume. Só que dessa vez a receita é chocha e não encoontrei nada do que é tão instigador na leitura de “A menina que não sabia ler – vol.1”.

Volume 1: leiam, leiam, leiam.

Volue 2: fujam, fujam, fujam.

 

 

“O prisioneiro do céu”

“A sombra do vento”, de Carlos Ruiz Zafón, é um dos melhores livros de todos os tempos. Quem não leu não sabe o que está perdendo. É daquelas histórias que te envolvem de tal forma que você só pensa em voltar ao livro em qualquer minuto livre. Eu amo de paixão.

Lá se vão mais de 10 anos de seu lançamento. Foi seguido de “O jogo do anjo”, que é bom, mas não chega aos pés do anterior.

Agora aparece “O prisioneiro do céu”. No caso de “O jogo do anjo”, não era essencial ter lido “A sombra do vento”. As histórias tem pontos em comum, mas não ao ponto de estragar a leitura no caso de não se conhecer o primeiro da coleção “O cemitério dos livros esquecidos”. Aliás, eu sequer sabia que era uma coleção – o que fui descobrir quando vi na livraria “O prisioneiro do céu”, com o aviso “continuação”. Continuação? Vou ter mais de Daniel Sempere, da livraria de seu pai, de Barcelona, do cemitério dos livros esquecidos? É prá já!!

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Para ler “O prisioneiro do céu”, ainda que não seja absolutamente necessário ter lido “A sombra do vento”, a leitura fica mais rica quando se conhece o background dos personagens. Você já criou afeito por eles e delicia-se com o novo mistério, sempre envolto por uma camada gótica.

Na Barcelona do fim dos anos 50, os preparativos para o casamento de Fermín, melhor amigo de Daniel, não condizem com o estado de ânimo do noivo. Quando um misterioso homem surge na livraria dos Sempere, compra o livro mais caro da loja e o deixa de presente para Fermín, com uma estranha dedicatória, Daniel decide investigar o que pretende esta figura e qual o motivo de tamanha apreensão de seu amigo.

“O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares”

O título já denota que a história tem um quê de bizarra. O mesmo vale pela foto da capa – uma daquelas fotografias antigas, com uma menininha levitando. Manipulação ou verdade?

Curiosidade devidamente atiçada + bastante tempo livre = livro devorado em 2 dias.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

O livro de Ransom Riggs é recheado de fotografias antigas igualmente perturbadoras, como uma única criança com duas refletidas na água, um rapaz com abelhas ao redor do corpo, um rosto pintado na parte de trás da cabeça de alguém… As fotos complementam a narrativa do adolescente Jacob que, após uma tragédia familiar, embarca numa viagem a uma remota ilha no País de Gales, para descobrir mais sobre o passado de seu avô em um “orfanato para crianças peculiares”.

A primeira metade do livro é original e curiosíssima. Até dá um tiquinho de medo. Já a segunda, após se jogar luz na maior parte dos mistérios,  é uma aventura juvenil que, ainda que prenda a atenção, não é tão espetacular como o começo. O bom mesmo do livro são as tais crianças peculiares – no que são peculiares? quem é a Srta. Peregrine que cuida dela? como foram parar lá? são perigosas? Uma vez respondidas tais indagações, o ritmo da leitura segue normal, de um livro bom, mas não magnífico.

Ótima opção para adolescentes, boa alternativa para quem tem sede de um quê de estranhice.

Mais uma dobradinha TimBurton-Johnny Depp

Para curtir o novo filme de Tim Burton é preciso ajustar as expectativas. “Sombras da noite” não é um filme de terror. Não é um filme denso. Não é o melhor filme do Tim Burton. É, sim, um filme divertido, com boas sacadas e um visual super interessante, para quem gosta do modelito gótico-meigo-bizarro característico dosombras da noite cartaz diretor.

Baseado em um seriado de televisão da década de 60, Johnny Depp interpreta um rico rapaz que se envolve com uma moça loucamente apaixonada. E ponha loucamente nisto. Quando ele termina o relacionamento, a bruxa (no sentido literal e não-literal da palavra) lhe lança uma maldição, transformando-o em vampiro e trancando-o num caixão embaixo da terra.

Dois séculos depois, agora nos anos de 1970s, o vampiro Barnabás consegue sair do caixão e decide procurar os remanescentes de sua família Collins. Encontra uma família disfuncional vivendo na mansão que já foi sua, agora decadente. Lá também encontra a sósia da menina que foi sua grande paixão. Só que a bruxa desiludida continua na cidade…

A última refilmagem de “Jane Eyre”

Na escola de inglês, tempos e tempos atrás, eu li uma versão adaptada para o público infanto-juvenil da obra-prima de Charlotte Brönte, “Jane Eyre”. Anos depois assisti a versões para o cinema e para a televisão. E recentemente, o filme com Mia Wasikowska no papel principal e Michael Fassbender como Mr. Rochester.

Para quem não conhece o clássico, trata-se da história de Jane Eyre, órfã criada pela tia que a hostiliza. Enviada a um internato, forma-se professora e aceita o emprego como tutora de Adele. Já instalada na mansão de Thornfield Hall, conhece seu proprietário, o carrancudo e instável Mr. Rochester. Aos poucos, os dois deixam as reservas de lado e se apaixonam. Porém, um segredo muito bem escondido de Rochester impede a felicidade do casal.

Pode haver um pouco de exagero no drama, para nossos atuais padrões de comportamento e moral. Deixe isso de lado e envolva-se nesta cativante história, que não é um clássico à toa. Como bônus, o filme possui figurino impecável e direção de fotografia arrebatadora.

“Marina”

A obra mais conhecida de Carlos Ruiz Zafón, “A sombra do vento”, é um dos meus livros favoritos. Ele tem mistério, romance, personagens intrigantes, livros antigos, suspense, tudo isso ambientado numa cidade rica em destalhes (Barcelona).

“Marina” foi lançado recentemente em português, mas tem quase 10 anos a menos que “A sombra do vento”. É voltado ao público infanti-juvenil, mas não acho que isso seja empecilho a leitores adultos. É um bom livro? É. Você fica o tempo todo atento à história? Sim. Vale a pena ler? Vale.

Ainda assim, não é um livro top. Minha impressão é de que ele é um rascunho para o que viria a ser a obra-prima “A sombra do vento”. E para quem, como eu, já leu outros 2 livros do autor, não é difícil perceber a mesma estrutura em todos eles: 2 histórias interligadas. A do passado abriga um mistério tenebroso e um romance tumultuado. A do presente marca o primeiro amor e aflige o personagem principal com uma ou algumas pessoas que não aparentam ser humanas.

foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Em “Marina”, o adolescente Óscar gosta de sair do internato e passear pelas ruas de Barcelona. Numa dessas andanças, conhece Marina, que vive com o pai em uma mansão quase abandonada. Tornam-se amigos e decidem descobrir a identidade de uma mulher que todo domingo visita um túmulo sem nome, marcado somente por uma borboleta negra.

Se você não leu nada de Zafón, vai gostar. Se já leu “A sombra do vento”, é melhor abaixar as expectativas se decidir ler este que é um dos livros preferidos do próprio autor.

PS: Esse era o meu desafio de fevereiro da gincana “Desafio literário”

“A décima terceira história”

 

foto por Júlia

 

Não é fácil uma história me fazer soltar um “aaaaah!” ao revelar a chave do mistério. Talvez por eu ler bastante, muitas vezes percebo as pistas que o escritor vai deixando na narrativa e descubro o que deveria ser surpresa. Diane Setterfield pode ter deixado pistas, mas foram tão bem encobertas que eu tomei um susto quando as peças do quebra-cabeça finalmente se encaixaram.

Vida Winter, a (fictícia) maior escritora inglesa da atualidade, convida Margaret para escever sua biografia. O pedido causa estranheza, pois, sendo conhecida a reclusão e privacidade que rondam a vida da Sra. Winter, por que teria ela escolhido uma jovem de pouca experiência?

Margaret aceita a tarefa sob a condição de que a Sra. Winter conte a verdade. Começa, então, a história das irmãs gêmeas, envoltas por segredos de família, fantasmas, ligações fraternais extremas e dúvidas sobre a veracidade do que a escritora conta à Margaret.

Para ser absorvido(a) por uma história, vá em frente.