II guerra mundial

“Os últimos dias de nossos pais “

Um dos melhores livros que li nos últimos tempos e que recomendo a torto e a direito é “A verdade sobre o caso Harry Quebert”, de Joel Dicker. Tamanha é minha paixão pelo livro, que meu marido saiu à caça de mais livros do mesmo autor. Encontrou e me presenteou com “Os últimos dias de nossos pais “.

foto ultimos dias

Dentre os milhares de temas relacionados à II Guerra Mundial, a trama gira em torno de franceses que se tornaram espiões para o governo britânico, em uma manobra inteligente do primeiro ministro Churchill. Eles eram treinados na Inglaterra e aqueles que sobrevivessem a essa difícil peneira eram “devolvidos” a seu país de origem, para lá atuarem infiltrados, em espionagem ou sabotagem.

O livro segue um grupo de rapazes e uma moça que, ao longo dos treinamentos, tornam-se amigos e cuja atuação na Resistência francesa os leva a destinos variados.

É um bom livro? É. Chega aos pés da obra mais conhecida do mesmo autor? Não. Nem de longe. A comparação é injusta. Talvez se eu não soubesse quem era o escritor e tivesse expectativas normais em relação ao novo livro cuja leitura eu iniciava… Mas não há como eu mudar essa experiência que eu já tive. Eu esperava um novo Harry Quebert e não o encontrei.

“Os últimos dias de nossos pais ” é um livro que eu daria de presente, que eu indicaria… Só não para alguém que já tivesse tido a sorte grande de já ter lido “A verdade sobre o caso Harry Quebert”.

Mentir até quando?

De vez em quando eu encontro umas boas surpresas no Netflix ou na Apple TV e me pergunto por que tal filme não teve maior bilheteria ou repercussão quando estreou no cinema, ao passo que umas belas porcarias ganham tamanho destaque…

Uma dessas boas descobertas foi “A grande mentira”, com as excelente atrizes Helen Mirren e Jessica Chastain (há protagonistas masculinos, mas elas dominam a tela).

grandemetira

Três agentes da Mossad são destacados para capturar um nazista na Berlim dos anos 60. O plano termina com o assassinato do criminoso e os agentes são condecorados pelo sucesso da missão. Trinta anos depois, surgem dúvidas se a captura foi realmente exitosa…

O que me surpreendeu é que a história mistura romance, suspense, ação, questões de cunho moral… Além de ser original! Se não fosse o final que eu achei um pouco forçado, o filme seria 10 estrelas.

Dama de ouro

Um dos grandes motivos pelos quais eu amo tanto viajar é que o que eu aprendo permanece comigo. Quando o que eu vi ou vivenciei é novamente colocado diante de mim na forma de um livro ou um filme, a curiosidade revive, as lembranças retorna, outras lembranças correlatas assaltam minha mente…

Ao assistir ao filme “A dama dourada”, eu fui presentada não só com uma bela história – minha memória deliciou-se ao passear de novo por Viena, apreciar as obras de Klimt no museu Belvedere e se deslumbrar com o retrato de Adele Bloch-Bauer (já em NY).

dama dourada

Helen Mirren é Maria Altman, sobrinha de Adele Bloch-Bauer, uma das sortudas pintadas pelo famoso pintor Gustav Klimt. Maria e sua família levavam uma vida confortável até a invasão nazista na Áustria. As posses da família judia foram saqueadas, em especial as obras de arte, dentre elas o famoso quadro de sua tia Adele.

Décadas mais tarde, Maria decide reaver o quadro roubado, agora em exposição no Belvedere (museu em Viena?). Para isso, contrata um advogado que a auxilia a processar o governo austríaco. É uma história verídica e emocionante.

Ainda que o filme não fuja de algumas frases de clichês irritantes, há outras cenas tão poderosas que eu não consegui disfarçar as lagriminhas que teimaram em descer por minha bochecha.

Criança no armário

chave de sarahNo meio de soluços incontroláveis, percebi – tardiamente – ter escolhido o filme errado para aquele momento. De TPM, às vésperas do dia das mães, com a filhota dormindo na casa dos avós, não devia ter escolhido uma história que envolve crianças em campo de concentração, não é?

“A chave de Sarah” é um filme que eu queria assistir há um tempão e que o Netflix trouxe como recomendação para mim. Julia (a sempre fabulosa Kristin Scott-Thomas) é uma jornalista americana, radicada em Paris, a quem é dado o trabalho de escrever uma reportagem sobre a pouco falada contribuição da França ocupada com o plano de extermínio dos judeus pelos nazistas.

Um assunto incômodo e que não é fácil julgar se você não estava na pele de qualquer dos envolvidos, sejam franceses judeus, sejam franceses de outras religiões.

Em paralelo, corre a história da menina Sarah. Quando oficiais chegam em seu apartamento e dele expulsam ela e seus pais, Sarah esconde seu irmão no armário, o tranca lá e pede que espere por ela.

Em sua ingenuidade – e também na dos pais, que não sabiam direito o que vinha a seguir – Sarah não imaginava que ficaria presa no Velódromo e depois em um campo de detenção, esperando ser transferida para um campo de concentração, enquanto seu irmão a aguardava dentro do armário.

A menina não se descuida do seu objetivo: voltar a casa e abrir o armário. Seu irmão não sai de seu pensamento e isso reflete em todas suas atitudes. É angustiante e comovente.

A história não é original ou extremamente bem conduzida, mas é um filme interessante e que tem a virtude de mostrar não só que os desdobramentos de um único ato podem não ser aqueles que você previu, mas também que há feridas que nunca saram de verdade.

Matemática da guerra

jogo imitacaoEstou bem atrasada nos filmes do Oscar. Meu queridinho é “O grande hotel Budapeste”. E agora assisti a outro dos concorrentes que é muito, muito, muito bom: “O jogo da imitação”.

Baseado em fatos reais, Benedict Cumberbatch é Alan Turing, prodígio da matemática que foi recrutado pelo serviço de inteligência britânico para “quebrar” o código usado pelos alemães para suas principais comunicações. Como todo gênio, tinha dificuldade de relacionamento e era bem excêntrico. Para piorar o cenário de sua vida pessoal, o coitado tinha de esconder sua homossexualidade, considerada como crime nas décadas de 40-60.

Benedict está excelente no papel e a história é muito bem conduzida, tratando tanto do jogo da guerra, de matemática, da questão da homossexualidade, tudo de forma competente, intrigante e muitas vezes divertida.

Um forte competidor pelo prêmio!

O tipo “errado” de alemão?

Meu interesse é constantemente despertado por livros ambientados na II Guerra Mundial. Acho que o ser humano em geral tem uma atração/repulsão por eventos terríveis. Parece que você não quer saber, não quer ser tocado pela violência, e ainda assim não consegue tirar os olhos da cena brutal.

Livros, eu encaro aos montes. Já em relação a filmes sobre esse período eu tenho mais restrições, dói ver na tela as atrocidades. Ainda assim, algo me fez assistir a “Lore”, de Cate Shortland, um premiado filme alemão.

loreComeço dizendo que o filme é tão bom que não parei de pensar nele. Demorei a dormir revivendo alguma cenas na cabeça. No caminho todo para o trabalho tentei lidar com o fato de que a vida não é tão preto no branco, que é difícil definir o que e quem é mau, que há questões éticas envolvendo a punição, como definir que é culpado, se é possível reparar crueldades, como balancear o instinto de sobrevivência com a solidariedade…

Como vocês veem, são tantas e tantas questões que este filme levanta que meu cérebro está fervendo!

O interessante do filme é que o foco não são os campos de concentração. Ele retrata uma família alemã nazista logo após o fim da guerra. Os pais nazistas são presos e as crianças são deixadas à própria sorte. Liderados por Lore (Saskia Rosendahl), a irmã mais velha, no início da adolescência, o grupo tenta atravessar centenas de quilômetros para chegar à casa da avó, em Hamburgo.

São crianças – um deles até um bebê (que cada vez que chorava fazia o coração de uma recém-mãe desabar). Crianças que pagam pelo comportamento dos pais. Os mais novos não possuem tanta noção política, mas Lore é mais crescida e acredita nos ideais da juventude hitlerista. Aprendeu a ter nojo dos judeus, a se ver como superior aos pobres, a idolatrar Hitler.

Por outro lado, ainda lhe resta um bocado de inocência infantil, que vai sendo retirada quando se defronta com um país arrasado, sem comida, com mortos pelo caminho, sem uma figura adulta que lhe acolha. Sim, dá raiva de certas atitudes da garota, ao mesmo tempo em que você sente pena e tenta compreender o que é ser doutrinada desde a infância por algo que seus pais acreditam e que você não tem maturidade para questionar.

Se por um lado eu admiro a resiliência de muitos povos europeus, que enfrentam privações materiais e seguem em frente, meu lado latino sofre com a falta de carinho. Com a falta de toque, de abraço, de palavras acolhedoras. Para mim, deve existir um meio-termo entre rigidez para educar e prosperar e acolhimento para fortalecer a autoestima.

Outro ponto que me chamou atenção no filme são as cores verdes e azuis. Lindas. Principalmente quando em contraste com o sangue de vermelho-vivo…

Poderia escrever páginas sobre este filme. Sugiro que você assista e também se questione.

11 homens viram 7 e uma missão

Poxa, George Clooney, dessa vez você pisou na bola… Pegou uma história muito curiosa e de relevância e a transformou em um filme bobinho demais!!

Quando vi o trailer de “Caçadores de obra-primas”, mal podia esperar pelo lançamento. George Clooney, Matt Damon e Cate Blanchett dividindo a tela? Retratando um grupo que, no final da 2 Guerra Mundial, fez um trabalho heróico de resgatar obras de arte que os nazistas haviam roubado e pretendiam ou queimar ou manter no futuro museu de Hitler? Sim, sim, quero ver já!

Fonte: celebridades/uol.com.br

Fonte: celebridades/uol.com.br

Pena que todos os talentos e ideias interessantes não corresponderam a 2 horas de bom entretenimento. A direção se perde, o filme não é nem comédia, nem drama, nem história, nem documentário… Nem sei classificá-lo! Os atores são mal aproveitados em diálogos e situações bobas… Que decepção!

Parece o filme “11 homens e um segredo” piorado.

Livro no pedestal, filme na escada

“A menina que roubava livros”, de Markus Zusak, é um dos meus livro prediletos de todos os tempos. Tamanho o amor ao livro, me rendeu simpatia instantânea a uma conhecida que compartilhava do mesmo gosto (assim como do desgosto com “O caçador de pipas”). De conhecida virou amiga. Até hoje.

Narrado pela Morte, conhecemos Liesel, uma criança alemã cuja mãe, perseguida por ser comunista, encontra como solução para proteger sua filha deixá-la com um casal mais velho, ao menos na fachado simpático ao regime de Hitler. Rosa e Hans acolhem a menina, cada um a seu jeito; ela, durona, ele, terno. Tudo poderia ser mais simples se não fosse o casal confrontado com a situação de esconder um judeu em seu porão. Liesel, que aprendeu a ler somente com Hans, encontra na leitura um refúgio do seu sofrimento e algo que a une com Max.

menina roubava livro

Estando o livro no meu pedestal, o filme recém-lançado possuía uma missão árdua pela frente. Como ficar à altura? A adaptação cinematográfica tem como trunfos a gracinha Sophie Nélisse no papel principal e os excelentes veteranos Emily Wats e Geoffrey Rush, além de um visual muito bonito, principalmente as cenas com neve.

Acontece que 2 horas são ínfimas para criar o laço que o livro forma entre leitor e personagens… A emoção tão forte que senti ao ler passagens importantes do livro não conseguem tradução fiel nas telas. Max, por quem você tanto torce nas páginas de papel, mal consegue cativar o espectador do cinema. Liesel recupera-se rápido demais da perda do irmão e do abandono forçado da mãe. O terror contínuo dos que viviam sob o regime nazista é abrandado ao ponto de não parecer tão perigoso esconder um judeu em sua casa ou dizer algo que soasse antinacional.

O que sobra é um filme bem-feito, mas que não chega aos pés do meu amado livro.

“The lost wife”

Não é nenhum segredo que a-d-o-r-o livros ambientados na II Guerra Mundial. Uma história de amor interrompida pela guerra? Pode ter certeza que tal sinopse me fará olhar uma segunda vez para o livro na prateleira.

the lost wife

Foto por Júlia A. O.

E assim, feliz com a escolha, comecei a ler “The lost wife”, de Alyson Richman. Josef e Lenka apaixonam-se e casam-se pouco antes dos alemães chegarem à Praga. Com o avanço das tropas de Hitler, o casal se vê separado. Josef acredita que Lenka morreu e é forçado a reconstruir sua vida nos Estados Unidos. Só que Lenka sobreviveu em Terezín, gueto judeu formado pelos nazistas.

A história que à primeira vista me pareceu impossivelmente romântica terminou por me irritar com tantos clichês e repetições. Não é um livro tão ruim para que eu o deixasse pela metade (um pecado quase capital!), mas desinteressante ao ponto de eu não me comover com as terríveis provações que Lenka vive na Europa invadida, nem com a “força do primeiro amor”. Corri com a leitura, sem muito aproveitar.

“Maus”

Na II Guerra de Art Spiegelman, judeus são ratos, alemães são gatos, poloneses são porcos e norte-americanos são cachorros. O antropomorfismo serve tanto como sátira, como me parece uma técnica para tornar a história mais palatável. Só que todos os horrores sofridos pelos perseguidos na II Guerra não tem como ser tolerável.

Em “Maus”, Art conta a história real de seu pai, Vladek, que sobreviveu ao holocausto. O livro em quadrinhos reflete a escalada da perseguição aos judeus e outros grupos “indesejados”: intoletância na rua, “venda” forçada das lojas e indústria, identificação dos judeus e possibilidade de compra de alimentos somente por tickets, desconfiança entre os integrantes da própria comunidade, guetos, campos de trabalho forçado e, por fim, campos de concentração.

Maus art spiegelman

Foto por Júlia A. O.

A minha amiga que me deu o livro preveniu-me sobre o estado emocional após ler passagens mais fortes. E foi bem assim… Certas maldades retratadas tocavam mais fundo e eu ficava especialmente incomodada.

Se ler quadrinhos é uma atividade bem mais rápida que ler um livro “de palavras”, a história de “Maus” não se apagou da minha mente na mesma velocidade. Pelo contrário. O tanto que eu fiquei indignada não só com esta terrível demonstração, mas com todas as atrocidades feitas por aí contra outros seres humanos, como acontece com os meninos-soldados na guerra civil de países africanos, por exemplo, deixou um persistente gosto amargo em minha boca.

O desafio literário deste mês foi excelente.