infanto-juvenil

Amarelinhos

Em dúvida do que fazer no final de semana?

Assista o desenho animado “Minions”. Seja com criança ou na companhia de adulto, é diversão na certa. Esses seres amarelos que veneram os malvados são muito divertidos!!!

Há quem ache o filme um pouco violento para crianças pequenas – como eu fui criança nos anos 80 sem maiores traumas, com os bem violentos Pica Pau e Tom & Jerry, creio que os pequenos sabem diferenciar a violência da vida real daquelas espalhafatosas dos desenhos.

O filme é conta a história dos minions desde que eram seres de uma única célula até pouco antes de conhecerem o Gru (do filme “Meu malvado favorito”). Uma aula de história mundial, com algumas sacadas bem adultas e outras bem ao gosto infantil.

minions

Além de ser um filme que rendeu boas gargalhadas, vai ficar para sempre na minha memória com um gosto doce: a primeira vez que levamos nossa filha ao cinema!

Meu marido botava fé que ela iria aguentar a sessão inteira; eu apostei em 20 minutos. Perdi. Ela ficou vidrada na telona. Isso só foi possível, porém, com o apoio de pipoca (muita), leite, pular de um colo para outro e de volta para seu assento e muda de novo… O fofo foi que nas cenas bem agitadas ela dava risada. Que gostoso ouvir isso. Espero que ela também tenha gostado de ouvir nossas risadas. Que não foram poucas 🙂

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Perolazinha

Há filmes que são verdadeiras perolazinhas, não? “Uma viagem extraordinária” é um desses achados.

t s spivetT. S. Spivet é um garoto de 12 anos que vive em um ambiente incomum. Mora numa propriedade rural no interior de Montana, EUA, com sua peculiar família. Seu pai é um caubói bem calado. Sua mãe, uma cientista. Sua irmã mais velha, uma típica aborrecente. Seu irmão, seu melhor amigo. E ele, um gênio, que ganha um prêmio de uma valorosa instituição que não sabe da real identidade do vencedor.

O menino decide ir para Washington receber o prêmio pelo seu invento, sem avisar seus pais. Ele se sente culpado pela morte do irmão gêmeo e o ambiente familiar não está dos mais acolhedores desde a tragédia. Ele empreende uma grande aventura desde o rancho até a capital norte-americana.

O colorido do filme é mágico e lúdico. A trama tem um quê de surreal, bem ao estilo do diretor Jean-Pierre Jenunet (do meu amado “O fabuloso destino de Amelie Poulain”). Os personagens podem não ter muita profundidade, o que é compensado por diálogos saborosos e cenários de encher os olhos. Um filme muito criativo!

Quem tem medo da Angelina?

De acordo com o que li por aí, só uma das filhas da Angelina Jolie pôde fazer o papel da Aurora pequena, pois as demais crianças tinham medo da Malévola.

Do que eu estou falando? Vamos voltar um pouquinho…

Foto tirada do site cinematicos

Foto tirada do site cinematicos

Malévola é a bruxa má, que joga um feitiço sobre a pequena e doce Aurora: quando ela completar 16 anos, picará seu dedo na agulha de uma roca e dormirá um sono eterno. A não ser que seja salva pelo beijo de um amor verdadeiro.

O conto de fada bem conhecido é apresentado pela Disney sob um novo enfoque: o que levou a bruxa a ser tão malvada? E, na trilha do que foi criado por Gregory Maguire em “Maligna“, conhecemos outro lado da história: a do vilão. Que pode não ser tão mau assim… Afinal de contas, alguém é só mau ou bom, como nas lendas que contamos às crianças?

Parece-me que o maniqueismo dos contos de fadas tem seu papel na formação de todos nós. Mas, já crescidos, podemos muito bem lidar com histórias em que não há uma verdade e sim versões e lados e sentimentos conflitantes e emoções e arrependimentos e tudo mais que torna o ser humano complexo.

No novo momento “moderno” da Disney, de reconstrução dos personagens, veio a ideia de contar a história de Malévola, uma das firguras mais amedrontadoras, com aqueles chifres! Coube à sempre deslumbrante Angelina Jolie o papel da famosa vilã, em uma maquilagem incrível e efeitos especiais tão reais, que eu me esqueci de que aquilo não era possível.

O filme “Malévola” é para crianças (não muito pequenas, eu diria) e, com isso em mente, aproveitei bastante os curtos 90 minutos. A história poderia ser mais bem-desenvolvida? Sim. Personagens coadjuvantes, como as fadas-madrinhas e o corvo, mereciam mais cenas? Sim. O que se tem que ter em mente é que, sendo um filme para crianças, não há tempo para desenvolver o que nós, adultos, gostaríamos de ver na tela. Aceitando essas limitações, tem-se um programa divertido.

“Avalon high”

Posso fazer uma semana só de diversões lights? Só de filmes e livros bobinhos e divertidos, que entretem sem pedir muito do cérebro?

Pois o livro lido para o desafio literário de setembro – mitologia – seguiu este modelo. Minha cabeça tem sido tomada por tantas e tantas novidades, estudos e adaptações, que não tem sobrado neurônio para obras complexas.

A escritora Meg Cabot produz livros voltados a público adulto e ao infanto-juvenil. Nesta segunda linha, há “Avalon High”, sobre a adolescente Elie, nova na escola, com todas as complicações que isso traz. No processo de encontrar seu lugar no colegial, Elie percebe que alguns dos alunos tem algo em comum com a lenda do Rei Arthur, o que a intriga.

Vergonhosamente (ou não), confesso que adorei o livro… Talvez o que eu precisasse fosse justamente recreação juvenil!

(fonte foto: 1)

Dica da amiga (Juliana)

Livro: Por isso a gente acabou, Daniel Handler
 
Estilo: Romance juvenil

Tema: Min Green é uma garota de 16 anos que teve o coração partido. Para lidar com o sofrimento que o fim de seu namoro, ela decide escrever uma carta para Ed Slaterton e devolver a ele todos os objetos que servem como pequenas metonímias do relacionamento.

Por que vale a ler: Porque o livro põe por terra a lógica do senso comum que trata livros juvenis e amores adolescentes como literatura menor e amor que não é amor. Daniel Handler, com sua Min Green e os outros adolescentes absolutamente críveis que a cercam, criou uma história delicada, elegante e capaz de despertar a empatia de qualquer um. Conforme lemos a carta que Min escreve pro rapaz que estilhaçou o seu coração, é impossível não criar identificação com toda sorte de sentimentos que a menina experimenta em todas etapas do “ciclo de vida” do namoro. E, puxa, o texto é tão bem executado que a impressão que se tem é que Daniel Handler surrupiou a carta que Min deixou na porta da casa do ex-namorado e resolveu ganhar dinheiro com ela. Nada soa falso ou recai no clichê.

 Para além dos personagens bem delineados e do texto elegante, Por isso a gente acabou tem um projeto gráfico lindo. Sabe, lindo? Então, lindo! Cada capítulo traz ilustrações que retratam os objetos que Min colocou na caixa – ilustrações lindas. É um livro que enche os olhos, com sua capa colorida e um miolo tão“arrumadinho”. Aliás, eu me interessei por ele, à primeira vista, numa livraria. Depois de folheá-lo, tive a certeza de que deveria ler esse livro. E ao terminar, fiquei com uma inveja danada do Daniel Handler: se eu fosse escritora, gostaria de ter escrito um livro sobre amor igualzinho a Por isso a gente acabou.

PS: A Juliana escreve lindamente no blog http://juliana-finaflor.blogspot.com.br/

“Em chamas”

Como vocês sabem, baixou um surto de “Jogos vorazes” em mim. Depois de vorazmente devorar o primeiro livro, corri para ler o segundo, “Em chamas” (Suzanne Collins).

Ainda bem que a continuação não decepcionou! Pelo contrário, passei a gostar ainda mais dos personagens. E tamanha foi a conexão com eles que, quando parecia que a história seguiria por um certo rumo que eu não queria, quase larguei o livro. Como uma criança contrariada, eu não queria nem mais ler se a autora fizesse uma determinada escolha no destino de Katniss.

Em chamas jogos vorazes

Foto por Júlia A. O.

Pensei bem, resolvi continuar. O final do livro não foge da sina de “livro do meio” de uma trilogia (não há um encerramento e sim um gancho para o próximo livro). Mas a história é cativante, ainda mais se considerado que ele não possuía a seu favor o frescor do primeiro livro, onde tudo nos parece novo.

Como não quero trazer nenhum spoiler para quem não leu o primeiro volume, fica aqui somente minha aposta de que quem se viciou no primeiro, muito provavelmente vai continuar assim no segundo.

“Os 13 porquês”

Há livros em que você sente uma angústia incontrolável por não poder dar conselhos aos personagens. Ainda que você saiba que eles existem somente nas páginas do livro e que seus destinos já foram traçados pelo autor, no fundinho não perde a esperança de abrir os olhos daquela pessoa irreal/real para o que você acredita serem fatos relevantes que ela não está levando em consideração ao tomar suas decisões.

Foi assim que me senti ao ler “Os 13 porquês”, de Jay Asher.

thirteen reasons why

Foto por Júlia A. O.

A adolescente Hannah Baker comete suicídio. Ainda abalado com a morte da menina, Clay Jensen recebe fitas cassetes que Hannah gravou semanas atrás. Nestas fitas, explica os 13 motivos – ou 13 pessoas – que a levaram à decisão de deixar de viver. E ele é um dos motivos.

É um livro triste, triste, triste. Fiquei deprimida durante toda a leitura (que foi bem rápida). Ainda que seja uma história direcionada a jovens, me lembro da dificuldade que todos temos como adolescentes de imaginar que existirá um momento em que nos sentiremos bem na nossa própria pele, em que seremos fortes para não se abalar com qualquer coisa que nos digam, em que saberemos reconhecer quem nos faz bem e de quem devemos manter distância.

O livro intercala as fitas de Hannah e os pensamentos de Clay. Não importa que eu soubesse o final (que também era o começo do livro); passei por todos os capítulos querendo falar com Hannah, para dizer que faltava pouco para acabar a adolescência e que as coisas iriam melhorar; que ela devia procurar ajuda; que se ela quisesse, eu a ajudaria!

O suicídio ainda é um assunto controverso e por isso mesmo eu acho importante que pais e filhos estejam abertos a tratar do assunto sem estigma. De coração e ouvidos abertos. Sem menosprezar a gravidade dos sentimentos envolvidos. E cientes de que nossas ações afetam os outros muitas vezes em proporção maiores ou diversas do que podemos imaginar.