juvenil

“O oceano no fim do caminho”

Neil Gaiman tem uma legião de seguidores, dos quais eu não me incluía porque sempre imaginei que ele escrevesse sobre assuntos “dark”. Acontece que alguns títulos tem tamanho poder de atração que você sequer percebe quem seria o autor.

“O oceano no fim do caminho”. Um título maravilhoso! Minha curiosidade ficou enormemente instigada…

Foto por Julia A. O.

Foto por Julia A. O.

A história é um pouco juvenil, vale o alerta. Tendo em mente esta consideração, a leitura é uma verdadeira delícia. O narrador é um homem que retorna a sua cidade natal para um velório. Essa volta faz com que ele rememore um importante evento de sua infância, em que realidade e fantasia se misturaram em uma aventura vivida na fazenda de sua amiga Lettie.

O leitor é presenteado com uma fábula agridoce, em que uma criança perde sua ingenuidade ao viver acontecimentos fantásticos.

 

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Mistura que não funcionou

caminhos da florestaVocê vê que a Meryl Streep participa do filme e pensa que não tem como errar. Só que nem a Meryl é livre de fazer escolhas ruins. E “Caminhos da floresta” foi uma escolha errada.

Chato, confuso, sem graça. Não se decide se quer ser engraçado ou sombrio, juvenil ou para todos os públicos, moderno ou com um pé na tradição das histórias já consagradas. Ainda que os atores de Hollywood possuam essa incrível capacidade de atuar, cantar e dançar, as músicas são fracas ao ponto de não importar se quem as canta é bom ou não.

O enredo? Uma mistura dos contos infantis da Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, Cinderella e João e o pé de feijão. E uma bruxa. Sempre tem que ter uma bruxa, que nesse caso serve para unir as histórias. Só que as histórias se unem de maneira tão tola e superficial que nem Meryl salva “Caminhos da floresta”.

Versão

Quando começou o zum-zum-zum em torno do novo sucesso young adult “Divergente”, adotei minha habitual posição de pé atrás. Muitas vezes eu também viro fã, como no caso de “Crepúsculo” (que eu adorei antes da fama e acho os filmes péssimos) e “Jogos vorazes” (adoro os livros e os filmes). Na maioria das vezes, passo ilesa pela febre, como no caso de “A culpa é das estrelas”.

divergenteCom “Divergente”, decidi começar pelo filme e, se curtisse muito, partiria para a trilogia.

Vou ficar só nos filmes, mesmo.

Sinceramente? É uma versão de “Jogos vorazes”. Não sei se digo que é inspirado ou cópia mesmo. Futuro distópico, mocinha com extraordinárias habilidades físicas e mentais, romance com colega do “jogo/facção”, governo que quer manter a paz mas no fundo é mau, possibilidade de outra forma de viver que não se sabia que ainda era possível após a “guerra”, e por aí vai.

O filme tem o trunfo de ter Shailene Woodley, que torna crível o papel de Tris, garota que surpreende os pais ao optar por uma facção diferente da deles na cerimônia da escolha. O mundo, ou melhor, Chicago, tem as pessoas divididas em 5 facções, conforme suas habilidades. Uma vez escolhida a facção, você desempenhará determinado papel e nessa facção se manterá. Tudo para manter a paz, já que tira bastante do livre arbítrio com o mote “facção antes do sangue”.

Só que Tris é o que se chama de divergente, pessoa com habilidades que a coloca em mais de uma facção. Só que isso é perigoso, pois afronta o sistema, o que implica em esconder sua real identidade para não ser morta.

Se você tiver tempo de assistir, ótimo. Se não tiver, ótimo do mesmo jeito.

Não é fácil ser adolescente

Adolescentes tímidos, que não se encaixam. Que tem todo um mundo de emoções borbulhando abaixo da pele. Que são meigos e violentos, já que a adolescência é feita de extremos nem sempre bem controlados.

Assim são os personagens principais de dois filmes ótimos que assisti no final de semana. Foi por acaso que que este mesmo modelo permeou as duas histórias, contadas de modo diferente e ao mesmo tempo semelhante. Em que basta que estes meninos diferentes da massa juvenil homogênea encontrem amigos com quem compartilhar suas esquisitices e encontrem seu lugar no mundo para que suas boas qualidades possam aflorar.

moonrise kingdom

“Moonrise kingdom”, de Wes Anderson, não nega a identidade de seu diretor. Visual coloridíssimo, situações inusitadas, humor irônico, famílias disfuncionais que poderiam assustar, mas te fazem rir e se afeiçoar, sempre com atores tops.

O adolescente Sam abandona o acampamento de escoteiros e resolve fugir com Suzy, que vive na minúscula ilha. A fuga coloca os pais de Suzy, o policial da ilha e o escoteiro-chefe em desespero para encontrá-los. Adorável e original.

vantagens ser invisível

Já “As vantagens de ser invisível” é bem menos fantasioso e poderia acontecer com algum conhecido seu. Charlie inicia o colegial em uma nova escola. Nos Estados Unidos há toda aquela tensão da hora do almoço, em que você precisa encontrar sua turma para se encaixar em algum rótulo possível na hierarquia escolar. Só que Charlie é tão, tão tímido que só lhe resta comer sozinho. Até ficar amigo do veterano desbocado Patrick e de sua meia-irmã Sam (a gracinha da Hermione, digo, Emma Watson). Sensível sem ser demasiadamente sentimental.

“O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares”

O título já denota que a história tem um quê de bizarra. O mesmo vale pela foto da capa – uma daquelas fotografias antigas, com uma menininha levitando. Manipulação ou verdade?

Curiosidade devidamente atiçada + bastante tempo livre = livro devorado em 2 dias.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

O livro de Ransom Riggs é recheado de fotografias antigas igualmente perturbadoras, como uma única criança com duas refletidas na água, um rapaz com abelhas ao redor do corpo, um rosto pintado na parte de trás da cabeça de alguém… As fotos complementam a narrativa do adolescente Jacob que, após uma tragédia familiar, embarca numa viagem a uma remota ilha no País de Gales, para descobrir mais sobre o passado de seu avô em um “orfanato para crianças peculiares”.

A primeira metade do livro é original e curiosíssima. Até dá um tiquinho de medo. Já a segunda, após se jogar luz na maior parte dos mistérios,  é uma aventura juvenil que, ainda que prenda a atenção, não é tão espetacular como o começo. O bom mesmo do livro são as tais crianças peculiares – no que são peculiares? quem é a Srta. Peregrine que cuida dela? como foram parar lá? são perigosas? Uma vez respondidas tais indagações, o ritmo da leitura segue normal, de um livro bom, mas não magnífico.

Ótima opção para adolescentes, boa alternativa para quem tem sede de um quê de estranhice.