maternidade

“Crianças francesas não fazem manha”

Pamela Druckerman é uma americana que se casou com um inglês e com ele foi morar em Paris. Lá ela teve sua primeira filha. Quando a pequena começou com falta de rotina para dormir, birras e afins é que Pamela levou um susto ao perceber que as mães parisienses não sofriam com as mesmas dificuldades. Quando vieram os gêmeos, a diferença entre a educação norte-americana a que Pamela estava acostumada e a que ela observava na rua tornou-se ainda maior.

Sua formação jornalística – e desespero como mãe – levou-a a investigar o que os genitores franceses faziam de tão espetacular para que suas crianças fosse bem-comportadas.

O resultado de seu “estudo de campo” é um livro delicioso, chamado “Crianças francesas não fazem manha” (Ed. Fontanar).

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Em cada capítulo a autora aborda um tema, como sono, alimentação, impor limites. Não se trata de um livro em que regras são apresentadas aos montes e te deixam com a sensação de que você nunca vai conseguir implementá-las. Pelo contrário. Pamela mistura histórias pessoais e engraçadas com suas observações sobre o jeito francês de educar: a tal da moldura bem-definida e rigorosamente imposta, mas dentro da qual a criança tem liberdade de agir, escolher e pensar.

Você pode concordar ou não com o modelo de educação que os pais parisienses aplicam a seus filhos. Se você concordar, é bacana passar a aplicar as lições trazidas no livro no seu dia-a-dia. Se não concordar, serve para analisar o modo de criação que você gostaria de seguir, aplicando-o de modo consciente e não somente porque é o único que você conhece.

Eu, particularmente, concordo com vários aspectos, como a questão de rotina fixa para dormir, de apresentar à criança pratos saudáveis, variados e muitas vezes considerados como de “adultos” e de ser firme quando disser não. Por outro lado, não concordo com o método das escolas, em que você nunca atinge o ideal, em que suas provas e trabalhos são 99% das vezes objeto de críticas e notas medianas. Nem a exigência de estar em forma 3 meses depois do parto.

Também acho que nem sempre é fácil querer trazer para a realidade brasileira o modelo francês, pois nossa cultura é diferente, mais “mole” com as crianças. E não que isso seja ruim, é uma característica nossa. O que me parece mais interessante no livro é parar um minuto para refletir sobre a educação, nem que seja para continuar fazendo tudo igual, mas agora consciente das escolhas.

Além de agradar às mães de bebês e crianças pequenas, minha experiência em Paris trouxe à leitura uma graça adicional, já que eu conseguia enxergar os parisienses adotando certas posturas que a autora narra. E se por um lado eles são fechados, resmungões e blasé, por outro são extremamente charmosos e tem o dom de aproveitar as coisas boas da vida!

“A maternidade e o encontro com a própria sombra”

Por sugestão de uma amiga, que confessou ter aberto os olhos para muitas coisas com o livro, ataquei com voracidade “A maternidade e o encontro com a própria sombra”, de Laura Gutman.

Laura propõe o “resgate do relacionamento entre mães e filhos“. Explica como as sombras, isto é, os problemas emocionais da mãe, afetam o bebê. É uma teoria bem construída, com exemplos de casos que ela atendeu. Só que não me convenceu… Não me identifiquei com a forma que a psicoterapeuta enxerga as dificuldades do início da maternidade e como propõe solucioná-los.

É o tipo de livro que ou você compra a ideia e dele tira uma lição ou que mais cedo ou mais tarde vai abandonar. Acabei na segunda categoria. Cheguei a um ponto em que não via mais sentido em continuar lendo se eu não havia de fato embarcado na viagem com a autora. E se antes eu já não gostava de perder tempo, agora não posso mais me dar esse luxo.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Ainda não me decidi sobre indicar ou não este livro a futuras mães. A experiência da maternidade é tão única… E se para mim o livro não fez sentido, para outras ele serviu de guia e apoio.

“A ciência dos bebês”

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Como era de se esperar, a recente maternidade teve como consequência uma pequena alterada de foco nas leituras. Continuo amando meus livros de ficção – não mudei tanto assim! – só que o espaço deles agora é repartido com livros de…bom…de mãe!

Um dos que eu mais gostei, indicado pela queridíssima amiga Teca, é “A ciência dos bebês – da gravidez aos cinco anos”, de John Medina. O livro é excepcional pois mistura dicas para futuros pais aflitos com dados científicos, tudo de um modo divertido, compreensível para leigos e muito, mas muito informativo.

O autor é biólogo molecular e pai; logo, entende tanto de ciência como da experiência da paternidade. Suas explanações vão se dividindo entre o que é genético e o que é comportamental. Para ter um filho inteligente, feliz e moralmente correto, os pais precisam compreender no que podem auxiliar os filhos e o que é determinado por fatores biológicos, ou seja, em geral fora de seu alcance.

As dicas não são, portanto, gratuitas; tem um embasamento de pesquisas que aumenta a confiabilidade no que se está lendo. Não me parece que tudo o que está lá deve ser levado a ferro e fogo… Ninguém é perfeito e todos temos dias de mau-humor e cansaço. O que me agradou foi poder compreender e – espero! – assimilar certas atitudes que poderão ajudar minha filha a desenvolver seu potencial, ser saudável e, principalmente, feliz.

Fórmula infalível não existe, mas ninguém deve dispensar uma ajuda que vai ao encontro de seus valores, não é?