não recomendo

Mistura que não funcionou

caminhos da florestaVocê vê que a Meryl Streep participa do filme e pensa que não tem como errar. Só que nem a Meryl é livre de fazer escolhas ruins. E “Caminhos da floresta” foi uma escolha errada.

Chato, confuso, sem graça. Não se decide se quer ser engraçado ou sombrio, juvenil ou para todos os públicos, moderno ou com um pé na tradição das histórias já consagradas. Ainda que os atores de Hollywood possuam essa incrível capacidade de atuar, cantar e dançar, as músicas são fracas ao ponto de não importar se quem as canta é bom ou não.

O enredo? Uma mistura dos contos infantis da Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, Cinderella e João e o pé de feijão. E uma bruxa. Sempre tem que ter uma bruxa, que nesse caso serve para unir as histórias. Só que as histórias se unem de maneira tão tola e superficial que nem Meryl salva “Caminhos da floresta”.

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“Nadando de volta para casa”

O inferno astral me perseguiu até nos livros!

O que começou como uma boa indicação de uma revista feminina (acho que era Cláudia) terminou como um triste abandono de leitura.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

“Nadando de volta para casa”, de Deborah Levy (Ed. Rocco), é um livro de diminutivos. Poucas páginas (pouco mais de 150). Capítulos curtos. Economia de palavras. Sem gracinha.

Joe, sua esposa Isabel, a filha Nina e mais um casal de amigos aluga uma casa de verão na França. Ao chegarem, deparam-se com uma moça nua na piscina. Kitty, ao invés de ser escurraçada, é convidada por Isabel para ficar no quatro extra. Mas Kitty não estava lá por acaso: é fã do poeta Joe e quer lhe mostrar um conto que escreveu.

O que poderia ser uma interessante história de infidelidade, descobertas da adolescência, casamento, é um aborrecimento. A narrativa não tem graça. Falta graça aos personagens ao ponto de seus destinos não me importarem. Ao ponto de eu abandonar a leitura! E olha que o livro é curto, eu poderia ter insistido. Mas não.  Simplesmente não dava.

Conto de fadas que não funciona

O que acontece que só assisti a filmes bobinhos nestas últimas duas semanas? Preciso rever minhas escolhas!

conto destinoNo caso de “Um conto do destino”, fui enganada pela minha adoração por Dowton Abbey… A personagem principal do filme é interpretada por Jessica Brown Findlay, que atuava na série inglesa. Então eu, inconscientemente, fui atraída pelo filme esperando um pouco mais de Dowton.

Essa é a minha explicação – furada – pela escolha de um filme tão banal.

Na Nova York do século XIX, o ladrão invade uma mansão. É surpreendido pela mocinha, que não viajou com a família. Sabe-se lá como, eles se apaixonam. Ainda mais quando ele descobre que ela está prestes a morrer. No meio disso, o vilão quer separar o casal e matar o ladrão. O espectador demora a entender o porquê, por falha do roteiro e não por ser um “grande mistério”. O ladrão continua vivo por centenas de anos. Insiram uns toques fantasiosos. Cenas pueris de causar vergonha alheia.

Pronto. Eis “Um conto do destino”.

Fantástica chatura

Goste bem de um filme com toques fantasioso e coloridos – não é à toa que “O fabuloso destino de Amelie Poulain” é um dos meus filmes favoritos.

História fantástica com a Audrey Tautou? Tô dentro. “A espuma dos dias” prometia. Prometia e quase me matou de tédio. Ou de dor nos olhos, tamanha a correria de muitas cenas e diálogos.

Foto retirada do site da revista Época

Foto retirada do site da revista Época

Rapaz relativamente rico e de bom coração decide que é hora de se apaixonar. Aparece uma moça para preencher o vazio de seu coração. São felizes até ela contrair uma doença gravíssima. Podia ser terno, triste, comovente. É chato.

O filme se perde com um amontoado de invenções malucas do protagonista, como um piano que faz drinques, uma campainha que parece uma aranha e sai andando pela casa, um rato que tem uma casa igual ao de seu “dono”. Elas tem grande destaque nos minutos do filme, mas pouco acrescentam à trama. E desde que a história segue para a parte de sofrimento, é de um arrastar cansativo.

Não gaste seu tempo.

“The wheel of darkness”

Pegar uma série no meio não é uma boa ideia porque muito do personagem já foi construído nos livros anteriores e você pode ou perder algo de importante no enredo ou não estar ainda “apegado”, o que te faz um leitor mais crítico e menos permissivo.

The wheel of darkness“The wheel of darkness” é o oitavo livro da série do agente Pendergast e sua..hum..escudeira?…Constance Greene. Enquanto estudam meditação no Tibete, fugidos de tragédias pessoais, um artefato é subtraído do monastério em que estão hospedados. Os monges pedem aos dois que recuperem tal objeto, que coloca em risco toda a humanidade.

Muitos elementos interessantes estão na trama: a curiosa vida neste monastério afastado, lendas apocalípticas, perseguição em várias cidades. Só que no fim, fiquei com a sensação de que os autores Preston e Child jogaram tantos ingredientes na mesma panela, que o prato final não agrada. Um mix exagerado e personagens aos quais não me afeiçoei.

Será que os primeiros livros da série são melhores? Alguém já leu?

“Transgressão”

Fonte 1

Fonte 1

Não fechei 2012 com chave de ouro; o livro que eu estava lendo no fim do ano era muito chato!

“Transgressão”, de Rose Tremain, foi nomeado ao Man Booker Prize de 2010. Os elementos de um ótimo livro estavam lá: uma antiga propriedade de pedra, dois irmãos com um passado obscuro que levou Aramon a ser alcóolatra e Audrun a se isolar, um mercador de antiguidades londrino que decide refazer sua vida no interior da França…

Tudo muito promissor, até os personagens revelarem suas personalidades, as quais me repeliram de tal forma que eu não gostava de me encontrar com nenhum deles ao abrir as páginas! Ficava torcendo para a história caminhar diferente. Só que a autora do livro não sou eu. Só me restou forçar a passagem até o fim do livro, de modo a não terminar o ano com uma leitura pela metade.

“The lost wife”

Não é nenhum segredo que a-d-o-r-o livros ambientados na II Guerra Mundial. Uma história de amor interrompida pela guerra? Pode ter certeza que tal sinopse me fará olhar uma segunda vez para o livro na prateleira.

the lost wife

Foto por Júlia A. O.

E assim, feliz com a escolha, comecei a ler “The lost wife”, de Alyson Richman. Josef e Lenka apaixonam-se e casam-se pouco antes dos alemães chegarem à Praga. Com o avanço das tropas de Hitler, o casal se vê separado. Josef acredita que Lenka morreu e é forçado a reconstruir sua vida nos Estados Unidos. Só que Lenka sobreviveu em Terezín, gueto judeu formado pelos nazistas.

A história que à primeira vista me pareceu impossivelmente romântica terminou por me irritar com tantos clichês e repetições. Não é um livro tão ruim para que eu o deixasse pela metade (um pecado quase capital!), mas desinteressante ao ponto de eu não me comover com as terríveis provações que Lenka vive na Europa invadida, nem com a “força do primeiro amor”. Corri com a leitura, sem muito aproveitar.