quadrinhos

“Maus”

Na II Guerra de Art Spiegelman, judeus são ratos, alemães são gatos, poloneses são porcos e norte-americanos são cachorros. O antropomorfismo serve tanto como sátira, como me parece uma técnica para tornar a história mais palatável. Só que todos os horrores sofridos pelos perseguidos na II Guerra não tem como ser tolerável.

Em “Maus”, Art conta a história real de seu pai, Vladek, que sobreviveu ao holocausto. O livro em quadrinhos reflete a escalada da perseguição aos judeus e outros grupos “indesejados”: intoletância na rua, “venda” forçada das lojas e indústria, identificação dos judeus e possibilidade de compra de alimentos somente por tickets, desconfiança entre os integrantes da própria comunidade, guetos, campos de trabalho forçado e, por fim, campos de concentração.

Maus art spiegelman

Foto por Júlia A. O.

A minha amiga que me deu o livro preveniu-me sobre o estado emocional após ler passagens mais fortes. E foi bem assim… Certas maldades retratadas tocavam mais fundo e eu ficava especialmente incomodada.

Se ler quadrinhos é uma atividade bem mais rápida que ler um livro “de palavras”, a história de “Maus” não se apagou da minha mente na mesma velocidade. Pelo contrário. O tanto que eu fiquei indignada não só com esta terrível demonstração, mas com todas as atrocidades feitas por aí contra outros seres humanos, como acontece com os meninos-soldados na guerra civil de países africanos, por exemplo, deixou um persistente gosto amargo em minha boca.

O desafio literário deste mês foi excelente.

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“Lina”

Para abrir novos horizontes e prestigiar a produção nacional, me aventurei por um livro de história em quadrinhos da Cristina Judar e do ilustrador Bruno Auriema.

Lina é uma moça entediada com a vida numa grande metrópole, que encontra refúgio na loja de antiguidades do avô. Em um dia como qualquer outro, encontra-se em situações inusitadas, nas quais aparecem personagens que não se encaixam muito bem no conceito de vida real, como um soldado inglês que luta (sim, no presente) na II Guerra Mundial.

Desenhos bonitos e a história não é de todo ruim. O que não gostei foi o fato de haver tantas referências a outros países, numa história que imaginei que se identificaria com uma grande metrópole como São Paulo. Talvez seja minha falta de intimidade com HQ que tenha provocado esse desgosto com a aparente falta de identidade brasileira da personagem principal…

Valeu como experiência.

Dica da amiga (Flavia G. N. Becker)

Livro: “Maus”, de Art Spiegelman
Estilo: Livro em Quadrinhos
Tema: O livro conta a história verídica de como Vladek Spiegelman, pai do autor,  passou e sobreviviu ao Holocausto – o extermínio, durante a 2a Guerra Mundial, de milhões de pessoas que faziam parte de grupos politicamente indesejados pelo então regime nazista, entre eles os judeus, os homossexuais, as testemunhas de Jeova etc.
Vladek é um judeu polonês que passou por toda a 2a Guerra Mundial, foi enviado ao campo de concentração de Auschwitz e sobreviveu. No livro, ele narra sua experiência ao filho (autor do livro), que diversas vezes interrompe a narrativa do pai para fazer questionamentos, seja sobre a história, seja sobre o próprio caráter do contador da história. A história é retratada em quadrinhos em preto e branco, e os personagens são transformados em animais: os judeus são retratados como ratos, os nazistas como gatos, os poloneses não judeus como porcos e os americanos como cachorros.
Por que vale a pena ler: O livro retrata de forma singular o Holocausto. Apesar do tema pesado, sua leitura, graças aos quadrinhos, é muito mais “leve” do que o de costume. “Maus” me cativou desde as primeiras páginas e não consegui parar de ler. Você se apega ao personagem, mesmo ele não sendo nenhum super herói ou bom mocinho, e quer saber como toda aquela história acaba, ficando chocado com as coisas que o homem pode ser capaz de fazer a outro ser humano. Ao tratar da história de uma pessoa, no meio daquela multidão de vítimas da guerra, o livro dá forma, nome e rosto a pessoas que, na maioria dos casos, são tratadas apenas como números. É uma leitura interessante, com muito conteúdo e reflexão, mas sem aquele tom tão pesado. Recomendo 100%.

Para melhorar o humor

Tirando as revistinhas da Turma da Mônica, nunca fui aficcionada por quadrinhos.

Até descobrir “Macanudo”, do cartunista argentino Liniers. 

Um antídoto contra o mau-humor!

 Se não estou 100%, leio umas tirinhas antes de dormir, dou boas risadas e o sono vem melhor. Historinhas simples, com personagens muitas vezes ingênuos, porém com uma veia reflexiva colocada de forma tão leve, que você nem percebe.

É a inocência usada para crítica. E para te fazer rir.

Agora que já me familiarizei com os personagens, é só ver a carinha deles que o sorriso vem fácil, imaginando o que vem dessa vez!