romance historico

“Os últimos dias de nossos pais “

Um dos melhores livros que li nos últimos tempos e que recomendo a torto e a direito é “A verdade sobre o caso Harry Quebert”, de Joel Dicker. Tamanha é minha paixão pelo livro, que meu marido saiu à caça de mais livros do mesmo autor. Encontrou e me presenteou com “Os últimos dias de nossos pais “.

foto ultimos dias

Dentre os milhares de temas relacionados à II Guerra Mundial, a trama gira em torno de franceses que se tornaram espiões para o governo britânico, em uma manobra inteligente do primeiro ministro Churchill. Eles eram treinados na Inglaterra e aqueles que sobrevivessem a essa difícil peneira eram “devolvidos” a seu país de origem, para lá atuarem infiltrados, em espionagem ou sabotagem.

O livro segue um grupo de rapazes e uma moça que, ao longo dos treinamentos, tornam-se amigos e cuja atuação na Resistência francesa os leva a destinos variados.

É um bom livro? É. Chega aos pés da obra mais conhecida do mesmo autor? Não. Nem de longe. A comparação é injusta. Talvez se eu não soubesse quem era o escritor e tivesse expectativas normais em relação ao novo livro cuja leitura eu iniciava… Mas não há como eu mudar essa experiência que eu já tive. Eu esperava um novo Harry Quebert e não o encontrei.

“Os últimos dias de nossos pais ” é um livro que eu daria de presente, que eu indicaria… Só não para alguém que já tivesse tido a sorte grande de já ter lido “A verdade sobre o caso Harry Quebert”.

“One night in winter”

Quando eu adoro um livro, procurou outros títulos do mesmo autor, na esperança de encontrar outra história para me deliciar. Em geral, funciona. Outras vezes, o acaso feliz não se repete.

Sashenka“, de Simon Sebag Montefiore, foi um desses livros que me prendeu do começo ao fim. O autor é historiador e o pano de fundo da Rússia de Stalin é ricamente tecido. Empolgada, comecei a leitura de seu outro livro de ficção, “One night in winter”. E se nesse a parte histórica é igualmente rica, a parte ficcional deixa muito a desejar. É tão melosa que meus olhos reviravam…

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Na Escola 801 estudam os filhos da elite de Stalin. Na Rússia logo após a vitória na II Guerra, o clima era de festa e os adolescentes do último ano puderam se dar ao luxo de se apaixonar pela literatura (vista como burguesa) de Pushkin. Eles foram além: criaram um grupo, The Fatal Romantics, no qual fazem pactos de viver pelo amor e brincam de recriar o duelo entre dois personagens dos poemas do famoso poeta russo.

Só que o duelo, que era para ser uma encenação, dá errado e dois dos alunos são mortos. Se o ocorrido envolvesse adolescentes comuns, o caso teria logo caído no esquecimento. Mas não. Os alunos mortos e seus amigos são filhos de importantes oficiais do governo de Stalin e o que começa como a investigação de um suicídio, transforma-se na caça por elementos que provem um golpe contra Stalin. Nem que para isso seja necessário prender e torturar crianças e adolescentes.

Como o livro não quer ser somente sobre o terror da ditadura stalinista, histórias de amor proibidas ganham relevo e são essas as partes que ao invés de me fazer suspirar e torcer pelos personagens, me deixavam cada vez mais decepcionada.

Resumindo: não ando com muita sorte nas minhas últimas leituras!

“O tempo entre costuras”

Uma das minhas metas para 2015 é ler todos (ou quase todos, sejamos realistas) os livros que eu ganhei de presente nos últimos anos. A pessoa vai lá, pensa, pensa, pensa e escolhe um livro que imagina que você vai gostar. O mínimo que você, presenteada, pode fazer, é reorganizar a lista de leituras e dar prioridade aos presentes, não?

Nesse espírito, comecei o ano com “O tempo entre costuras”, de María Dueñas. E que começo! Um livro fantásticos!

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Acompanhamos a vida de Sira, uma jovem costureira sem muita perspectiva, que vê sua vida virar de cabeça para baixo por uma paixão avassaladora, que a leva da Espanha para o Marrocos. Se por um lado a mudança implicou fugir da guerra civil espanhola, por outra levou-a a conhecer o lado ruim das pessoas e ter de enfrentar uma nova realidade sem qualquer conhecido para lhe acolher.

Essa primeira parte é boa, mas confesso que levei umas boas 100 páginas para deixar de implicar com a Sira. Quando ela leva um tombo e começa a se reerguer é que o livro fica interessante. E fica ainda mais empolgante quando começa a II Guerra Mundial e então a mocinha tem de virar mulher.

O que eu não gostei da história são as similitudes com a trajetória da Coco Chanel. O que não tira o imenso prazer que esse livro me proporcionou, em especial com construções de imagens tão lindas como a que ela descreve o silêncio invadindo a sala de costura e pousando sobre as dobras de tecido. Tem quem tenha uma habilidade de transformar palavras em poesia! Maria Dueñas é dessas priviliegiadas.

“O olho do tsar vermelho”

Depois da minha mãe e do meu pai encontrarem diversão no “O olho do tsar vermelho” (Ed. Record), de Sam Eastland, chegou minha vez.

A época do fim da dinastia dos Romanov na Rússia e tomada do poder pelos comunistas é um momento histórico rico tanto em fatos verdadeiros quanto em lendas. Durante muito tempo apareceram pessoas clamando ser algum dos Romanov que teria sobrevivido ao massacre, em especial a princesa Anastásia. Também não é de conhecimento público até os dias de hoje quem teria dado a ordem de execução da família real.

A história de “O olho do tsar vermelho” é ambientada nesse curioso momento. Petara foi o maior detetive da monarquia russa. Um profissional tão diferenciado que trabalhava exclusivamente para o czar Nicolau, recebendo a alcunha de “o olho de esmeralda”.

Com a revolução bolchevique, Petara caiu das alturas e acabou como prisioneiro isolado em terrasgeladas e longínquas. Depois de anos de isolamento, suas habilidades são requisitadas por Stalin, que quer encontrar o tesouro perdido dos últimos Romanov. É a chance de Petara ser livre – ou ser morto, se falhar.

O livro não ambiciona a grandes revelações históricas – é um livro puramente de diversão. E como diversão entretém belamente. Meu único porém é em relação à última página, já que não gostei do final dado. Talvez seja um final realista, mas me reservo o direito de ter imaginado algo diferente.

 Um livro que eu recomendaria para se dar de presente aos mais variados tipos de leitores.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

“O homem que amava os cachorros”

De Natal, ganhei de um casal de amigos queridíssimos o livro “O homem que amava os cachorros” (Boitempo Editorial), de Leonardo Padura. Ao ler o título, estranhei a escolha do presente porque eu acho cachorros fofos, mas não sou fã do tipo que se empolgaria com uma história sobre amor aos animais. Virei o livro, li a sinpose e me acalmei: ufa, meus amigos me conhecem, o título engana.

Três história se entrelaçam, todas com o socialismo tanto como pano de fundo como personagem principal. Ivan, na Cuba atual, revela as restrições que a revolução trouxe aos cubanos. Seu caminho cruza com o de um personagem sem nome, que lhe conta sobre Ramon Mercader, espanhol aliciado por Stalin para matar Trotski. Por fim, os últimos anos de Trotski, um dos líderes da Revolução Russa e agora exilado por ordem de Stalin.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

De rica base histórica, o autor cubano destrincha as condições reais dos diversos grupos que primeiramente se abergavam sob o manto comum da revolução comunista e que depois, com facões em punho, esqueceram a irmandade e partiram para a luta de poder. É igualmente interessante conhecer um pouco de uma figura tão emblemática como Leon Trotski – não imagino o que é viver todos os dias em prol de uma utopia, que está acima de qualquer relacionamento pessoal e das próprias dúvidas.

Elogios feitos, não posso deixar de compartilhar a dificuldade em terminar o livro. Longuíssimo (quase 600 páginas, o que em si não é problema), a história move-se a passos de tartaruga e a leitura não rende. Além disso, não conheço as particularidades dos grupos de revolucionários, principalmente da guerra espanhola, o que me fazia perder a real dimensão do jogo político que havia na época. A falta de empatia com os personagens também afetou o ritmo da leitura, já quem nem todos os dias vocês está animado a se encontrar com pessoas (imaginárias, eu sei!) de quem você não gosta particularmente.

Uma leitura para guerreiros.

“A dama e o unicórnio”

Minha memória me falha e já não sei se primeiro li o livro “Moça com brinco de pérola”, de Tracy Chevalier ou se foi o filme, com Scarlett Johansson… De todo modo, o que importa é que gostei bastante de ambos. Assim, busquei outros títulos da autora e me deparei com “A dama e o unicórnio”.

Na França do final do século XV, Nicolas é contratado por um nobre para desenhar tapeçarias comemorativas. O artista convence seu patrono quanto a uma audaciosa mudança de tema das peças ao mesmo tempo em que se apaixona pela filha daquele.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

A sinopse pareceu-me atraente, com bonitas descrições da técnica de tapeçaria como arte. O que me fez desgostar do livro foi o erotismo da filha do nobre, na minha concepção uma menina muito nova para tudo o que vive no campo sexual. Ainda que na Idade Média a moral e os costumes fossem outros, não pude me desprender da minha cabeça da era “moderna”.

Quase desisti de Tracy Chevalier, mas outro livro da autora, “O azul da virgem”, veio a seu resgate. Falo dele outro dia.

Hyde Park americano

Ao ler “Hyde Park” em “Um final de semana em Hyde Park”, animei-me com a perspectiva de um filme passado em solo inglês. Só não sabia que também há (ou havia?) um Hyde Park nos Estados Unidos, o que faz mais sentido se considerarmos que o personagem principal é o ex-presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt.

Foto do site tom magazine

Foto do site tom magazine

Os principais eventos do filme são a visita do Rei George e sua esposa, na esperança de assegurar o apoio americano em caso de uma guerra mundial, e o envolvimento amoroso do presidente com uma prima distante. O primeiro ganha um retrato desconfortável da monarquia inglesa, como se eles fossem uns pedantes bobões. O segundo foco de interesse não me causou simpatia. Pouco é dado ao público para se afeiçoar ou entender a prima Daisy. Roosevelt, ainda que um excelente político, é um galinha, característica que sempre cai mal a meus olhinhos românticos.

Passei quase que o filme todo na expectativa de que ele melhorasse… Fiquei só na esperança.