romance

Mentir até quando?

De vez em quando eu encontro umas boas surpresas no Netflix ou na Apple TV e me pergunto por que tal filme não teve maior bilheteria ou repercussão quando estreou no cinema, ao passo que umas belas porcarias ganham tamanho destaque…

Uma dessas boas descobertas foi “A grande mentira”, com as excelente atrizes Helen Mirren e Jessica Chastain (há protagonistas masculinos, mas elas dominam a tela).

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Três agentes da Mossad são destacados para capturar um nazista na Berlim dos anos 60. O plano termina com o assassinato do criminoso e os agentes são condecorados pelo sucesso da missão. Trinta anos depois, surgem dúvidas se a captura foi realmente exitosa…

O que me surpreendeu é que a história mistura romance, suspense, ação, questões de cunho moral… Além de ser original! Se não fosse o final que eu achei um pouco forçado, o filme seria 10 estrelas.

O que eu já assisti – Oscar 2016

Áureos tempos em que eu havia assistido a todos (ou quase todos) filmes concorrentes ao Oscar antes da premiação. Com criança pequena, eu conheço um ou outro filme, o que me permite participar moderadamente na torcida pelo favorito.

Do Oscar 2016 eu estava bem desatualizada. Como muita gente também não está tão por dentro (eita vida corrida!), sinto-me na “obrigação” de ajudar na escolha daqueles poucos que passarão pela peneira de serem assistidos – afinal das contas, há fases em que temos de ser seletivos com nosso tempo!

O filme ganhador do Oscar – “Spotlight” – é sim um ótimo filme. Só não diria que seria “O” filme de 2015/2016… Quando li a sinopse, tirei-o da minha lista. “Filme sobre padres católicos molestando crianças?”. “Não, não!”. Por sorte, meu irmão me fez mudar de ideia, explicando que a história concentra-se na investigação jornalística (real) feita por um grupo de um jornal de Chicago. E ainda que o tema seja pesado e a realidade por trás dele muito triste, o foco é o bom jornalismo, tão em baixa em tempos de “copie e cole” que vemos hoje em dia. Até aquele chato do Mark Ruffalo está bem no papel!

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Um que eu adorei foi “Brooklyn”. Que delicadeza! Que fotografia! E, se posso dar uma de menina, que fofo! A irmã de Eilis quer que esta tenha mais oportunidades e, por isso, consegue um patrocínio para que ela viaje aos Estados Unidos e lá tente sua sorte. Eilis encara uma longa viagem de barco rumo ao desconhecido. No Brooklyn, tem ajuda de um carinhoso padre católico (um contraponto não intencional com ao padres de “Spotlight”), que lhe arruma teto e emprego.

Por um infeliz acontecimento, Eilis precisa voltar temporariamente à Irlanda. Essa volta a faz ficar dividida entre dois caminhos – dois bons caminhos – que sua vida pode tomar: voltar aos EUA, onde está um grande amor, ou continuar na sua terra natal, onde agora surgem oportunidades antes inexistentes de emprego e um bom rapaz para chamar de seu?

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E, por fim, um que eu NÃO gostei nem um pouco, exceção feita às roupas fenomenais de chiques e à atuação sempre impecável de Cate Blanchet: “Carol”. Que filme mais chato! Arrastado, entediante. A atração entre duas mulheres no início da década de 50: uma casada, rica, descontente com o marido, apaixonada por sua filhinha; a outra, bem jovem, pouca grana, pouca instrução, em um namoro sem graça. Agora imagine silêncios e olhares intermináveis que cansam. Se nem Cate Blanchet segura a chatice, duvido que alguém possa!

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“A abadia de Northanger”

Adoto todos os filmes baseados nas obras de Jane Austen. E já havia lido “Razão e sensibilidade” para ter a certeza em minha cabeça de que a acho incrível, revolucionária para época, além de ser exatamente o tipo de história de amor que me faz suspirar. O problema é que fazia tanto tempo que eu havia lido sua obra mais famosa, que já não me recordava se havia gostado da escrita da autora inglesa…

Uma linda capa rosa me chamou a atenção. “A abadia de Northanger”. Nome promissor. “Jane Austen”. Boa! Já para minha casa!

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(foto por Júlia A. O. – filtro #acolorstory)

Este livro é uma de suas primeiras obras, porém somente foi publicado décadas após ter sido escrito. Na nota explicativa no começo do livro, a própria Jane desculpa-se caso haja alguma imprecisão dado o tempo transcorrido (o que para uma pessoa do século XXI não é perceptível) e afirma desconhecer os motivos pelos quais alguém compraria os direitos de sua obra para não publicá-la de imediato.

Talvez por ser uma de suas primeiras incursões na arte de escrever um livro e ela ainda estar aprimorando sua técnica, pareceu-me que o final veio apressado, como se faltassem algumas páginas entre o clímax e o desfecho. Feita esta ressalva, a história é uma delícia de ler e o livro foi devorado em poucos dias.

Catherine é uma menina ingênua, curiosa e leitora voraz de livros góticos. É convidada a passar uma temporada em Bath, cidade que lhe apresenta diversões até então desconhecidas, como teatro e dança, assim como lhe traz novos amigos.

Convidada pelo pai de um deles a conhecer sua propriedade, a Abadia de Northanger, Catherine vibra com a ideia de desvendar mistérios em uma construção gótica semelhante àquelas que vê reproduzida nos seus amados livros.

Pena que a realidade não se igual aos livros… Os assuntos do coração, por outro lado, a farão perceber que a vida fora dos livros pode ser tão ou mais recompensadora que aquele da ficção.

Nicole não é Grace

Se eu me rendesse à preguiça, copiaria certo trechos da minha resenha sobre o filme da princesa Diana para falar sobre o filme da princesa Grace…

grace de monaco

“Grace de Mônaco” retrata uma pessoa icônica. Beleza, glamour, realeza. Um aparente conto de fadas da vida real. Uma fórmula perfeita, se não fosse a alta de substância, que faz o lindo bolo se despedaçar com o calor.

Nicole Kidman se esforça para convencer como Grace (Naomi Watts como Diana se saiu melhor). O resultado é mediano. E se por um lado o filme sobre a princesa Grace apresenta uma história mais interessante do que “Diana”, por outro a tristeza e a vontade de pertencer não são bem explorados.

Eu saí do cinema com aquela sensação de “bleh”. Não é ruim, tampouco me acrescentou algo. Uma sessão da tarde é o lugar desse filme que não conseguiu captar as nuances de quem não estabeleceu com certeza seu lugar no mundo.

“A noiva fantasma”

Uma das sensações mais deliciosas é quando eu começo a ler um livro e já nas primeiras linhas eu SEI que vou amar a história.

Foi assim com “A noiva fantasma”, de Yangsze Choo.

Quando vi a capa linda e as primeiras páginas estampadas, eu quis ter o livro por questões estéticas. O lado racional meu freou e pediu o mínimo: confirme se a história te interessa, Júlia! Sim, sim. Mistura de elementos da cultura oriental com fantasia faz meu gênero. Posso ir para o caixa, lado racional? Pode.

Li Lan é uma jovem malaia, no ano 1893. A moça é surpreendida quando seu pai – pessoa que ela adora, mas que os levou à falência – a surpreende com a indagação: “o que você acharia de ser uma noiva fantasma?'” (parênteses: não é de arrepiar os pelos a ideia de “noiva fantasma”? Eu fiquei alucinada com isso, procurando na internet..!)

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Noiva fantasma era (ou é?) uma prática chinesa antiga, em que uma moça viva se casava com um rapaz…morto. Isso acontecia em geral para aplacar o espírito daquele que morreu sem ter se casado. Ou a família do rapaz podia querer uma companhia jovem para substituir o filho perdido, já que a mulher vai viver na casa dos pais do marido.

Não quero contar muito mais para não estragar a história, cujo desenvolvimento é bem diferente do que eu já li. Só quero dizer que a mistura de sobrenatural, com amor, vingança, suspense e amadurecimento resulta em páginas a serem saboreadas com calma e um tiquinho de medo.

29 anos para sempre

“A incrível história de Adaline” não é uma obra relevante, original, emocionante ou qualquer primor de construção narrativa. É um pequeno e bonitinho filme de amor. Um romance bem açucarado. Com detalhes que, no entanto, o retiram da prateleira dos filmes passáveis e o coloca na prateleira de bons filmes para uma noite cinzenta.

Blake Lively (que menina charmosa, até dá um pouco de raiva) é Adaline. Em um acidente de carro, acontece uma conjunção de fatores que a torna imortal. Ela para sempre terá 29 anos. E se essa é uma idade em que ela é linda, jovem e feliz, com seu marido e filhinha, é uma maldição viver para sempre e perder as pessoas que lhe são mais queridas. Imagina sua filha envelhecer e você continuar com 29 anos?

a incrivel historia de adaline

Com medo de se envolver com outras pessoas e de se transformar em objeto de estudo científico, Adaline foge pelo mundo, mudando de identidade e cidade de tempos em tempos. Até que uma paixão à primeira vista pelo igualmente charmoso Ellis (Michiel Huisman) a faz repensar seu modo de viver.

A fotografia do filme é belíssima, como se uma fábula fosse. As atuações são o.k. e o texto não é nada acima da média. O resultado final é um filme gostosinho de se assistir, se acompanhado por uma guloseima e um coração leve.

Hugh Grant ainda convence como galã (pelo menos para mim!)

O estado de espírito influencia muito a experiência. Já falei disso aqui no blog em mais de uma ocasião e continuo colhendo exemplos…

Dessa vez foi com o filme “Virando a página”, com Hugh Grant e Marisa Tomei. Comédia romântica norte-americana não é meu forte. Em regra. Se os astros se alinharem, a história não for 100% clichê, os atores forem bons e o humor estiver afável, meu sorriso cúmplice aparecerá durante o filme.

virando a pagina

Eu estava justamente neste clima e curti bastante a história do roteirista cujo sucesso ficou no passado e, para pagar as contas, aceita o emprego de professor de uma universidade mediana em uma cidadezinha. Você já sabe o que vai acontecer. Romance, redenção, erros transformados em aprendizado. Nada inovador, não discuto. E, ainda assim, muito gostoso de se assistir em razão do charme de Hugh Grant e uma predisposição a achar a trama uma boa distração.