suspense

Mentir até quando?

De vez em quando eu encontro umas boas surpresas no Netflix ou na Apple TV e me pergunto por que tal filme não teve maior bilheteria ou repercussão quando estreou no cinema, ao passo que umas belas porcarias ganham tamanho destaque…

Uma dessas boas descobertas foi “A grande mentira”, com as excelente atrizes Helen Mirren e Jessica Chastain (há protagonistas masculinos, mas elas dominam a tela).

grandemetira

Três agentes da Mossad são destacados para capturar um nazista na Berlim dos anos 60. O plano termina com o assassinato do criminoso e os agentes são condecorados pelo sucesso da missão. Trinta anos depois, surgem dúvidas se a captura foi realmente exitosa…

O que me surpreendeu é que a história mistura romance, suspense, ação, questões de cunho moral… Além de ser original! Se não fosse o final que eu achei um pouco forçado, o filme seria 10 estrelas.

“Miniaturista”

miniaturista

Foto por Júlia A. O.

Sabe quando você fica esperando aquele momento do livro em que você será fisgado pela história? E quando ele só acontece nas páginas finais? Um tanto decepcionante, não?

Essa foi a experiência com “Miniaturista”, de Jessie Burton.

A história é boa e eu racionalizava que logo eu estaria tão presa a ela que correria para pegar o livro. Infelizmente, faltavam poucas páginas quando eu percebi que certa expectativa minha não seria preenchida e que era melhor eu me focar em outro aspecto da história, correndo o risco de, não mudando o foco, desgostar da leitura.

Na rica Amsterdã do século XVII, Petronella (ou Nella) é uma garota de dezoito anos que saí de sua cidade do interior para se casar com o rico comerciante Johannes Brandt. Como o casamento foi arranjado, costume da época, ela não sabia o que encontraria na sua nova casa.

Com o que ela se depara? Um marido ausente, uma cunhada rígida e desagradável, uma criada intrometida e um empregado negro, algo que ela nunca havia visto em sua vida. Os dias passam desanimados até que ela ganha de seu marido uma gigantesca casa de bonecas. Para preencher o tempo e desfrutar do presente, Nella encomenda algumas miniaturas. Só que tais miniaturas parecem prever o futuro. A garota fica assustada, fascinada e confusa com a mensagem que parece lhe estar sendo transmitida por meio dos pequenos objetos.

Digam se a sinopse não é empolgante? E que não eleva as expectativas às alturas?

No estilo de “Match Point”

Ano passado Woody Allen tinha me decepcionado com “Magia ao luar”. Esse ano, porém, ele recuperou a boa forma.

“O home irracional” segue a mesma linha do inigualável “Match Point”, com questionamentos de se o crime compensa. Li muitas críticas comparando os filmes e dizendo que o atual sai perdendo. Concordo com que “O homem racional” não se iguala a “Match point”. Nem por isso deixa de ser um ótimo filme, em que me percebi dando risinhos de nervoso.

home irracional emma stone

Joaquim Phoenix é o professor universitário Abe Lucas, que chega a uma pequena faculdade carregando depressão e fama, em iguais medidas. Ele se envolve primeiramente com uma professora de sua idade e depois com uma aluna. Sempre existem mocinhas que curtem esse modelo de homem pessimista e má companhia. Mesmo com tantas distrações, Abe não vê sentido em viver. Ele filosofa demais. Sua apatia é curada com uma questão envolvendo homicídio.

Não vou além para não estragar a surpresa. E alguns reclama que Woody Allen se repete, pois eu respondo: que ele se repita mesmo, se for para nos trazer um bom filme como este! Vida longa ao neurótico diretor!

“A noiva fantasma”

Uma das sensações mais deliciosas é quando eu começo a ler um livro e já nas primeiras linhas eu SEI que vou amar a história.

Foi assim com “A noiva fantasma”, de Yangsze Choo.

Quando vi a capa linda e as primeiras páginas estampadas, eu quis ter o livro por questões estéticas. O lado racional meu freou e pediu o mínimo: confirme se a história te interessa, Júlia! Sim, sim. Mistura de elementos da cultura oriental com fantasia faz meu gênero. Posso ir para o caixa, lado racional? Pode.

Li Lan é uma jovem malaia, no ano 1893. A moça é surpreendida quando seu pai – pessoa que ela adora, mas que os levou à falência – a surpreende com a indagação: “o que você acharia de ser uma noiva fantasma?'” (parênteses: não é de arrepiar os pelos a ideia de “noiva fantasma”? Eu fiquei alucinada com isso, procurando na internet..!)

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Noiva fantasma era (ou é?) uma prática chinesa antiga, em que uma moça viva se casava com um rapaz…morto. Isso acontecia em geral para aplacar o espírito daquele que morreu sem ter se casado. Ou a família do rapaz podia querer uma companhia jovem para substituir o filho perdido, já que a mulher vai viver na casa dos pais do marido.

Não quero contar muito mais para não estragar a história, cujo desenvolvimento é bem diferente do que eu já li. Só quero dizer que a mistura de sobrenatural, com amor, vingança, suspense e amadurecimento resulta em páginas a serem saboreadas com calma e um tiquinho de medo.

“Um lugar perigoso”

Luiz Alfredo Garcia Roza envelhece e não perde a mão.

A décima aventura do delegado carioca Espinosa é tão boa quanto as anteriores. O que mais adoro nas histórias é que sempre fica um quê de dúvida no leitor, nunca se sabe exatamente se alguns dos eventos ocorreram na realidade ou somente na mente da pessoa.

Em “Um lugar perigoso”, Espinosa tem menos destaque do que nos livros anteriores, o que é uma pena porque adoro o personagem. Desta vez, ganha relevo o professor Vicente. Ele sofre de uma síndrome que o faz perder a memória. Para continuar “funcionando”, o doente preenche essas lacunas com criações que acabam se tornando reais, já que ele não sabe distinguir memórias reais daquelas inventadas.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Ao fazer sua arrumação anual, Vicente descobre uma lista com o nome de dez mulheres. Nomes que ele não reconhece. Ele começa a ter sonhos vívidos de um corpo de mulher desmembrado. Teria ele assassinado essas dez mulheres? Por que a lista, sem título que indique que mulheres são essas?

Ele procura o delegado, para que investigue o crime que seque sabe se ocorreu. Sem corpo e sem nenhuma outra evidência, o delegado não tem o que investigar. Há de se esperar o professor relembrar mais algum pedaço da história, se é que esse crime é real ou imaginário…

Exceleeeeeente suspense!

Centavos de terror

Sempre antenada aos últimos lançamentos de seriados que recaiam dentro de seu leque de gosto pessoal, a Michele, do blog Resumo da Ópera, havia falado muito bem sobre “Penny dreadful”.

Lá fui em conferir.

E não me decepcionei!

 penny dreadful personagens

O seriado é de terror para os mais fracos (leia-se: eu, que fiquei com medo, confesso) ou de suspense, para aqueles de coração mais resistente. Na Londres dos 1.800s, o cidadão comum não imagina que um outro mundo esteja logo ali, nas sombras. Já alguns cidadãos não comuns conhecem esse lado negro e nele se embrenham por diferentes motivos (pessoal, financeiro, em busca de aventura).

Sir Malcolm é o senhor (ainda galã, as meus olhos) que procura a filha desaparecida, refém de uma dessas criaturas terríveis. Vanessa Ives é a sensual médium, que ajuda Sir Malcolm nessa empreitada e que o auxilia na formação de um grupo de pessoas corajosas, como o americano desgarrado Ethan Chandler, o mordomo misterioso, o médico Victor Frankeinstein, entre outros.

A produção é para lá de espetacular! O colorido macabro somado à riqueza de detalhes dos ambientes e roupas te transportam para a tela e te fazem sentir como parte da cena.

Só assisti três episódios e por enquanto a personagem de Eva Green – a sensitiva Miss Ives – é disparada minha favorita. A atriz é sexy por natureza, de um jeito felino, com um quê de perigoso. Sua atuação é de botar medo, o que no caso dessa série é um trunfo. É inegável que ela guarda segredos de carga explosiva, que talvez a tornem um pouco má – só que eu não os conheço e não pude deixar de torcer para que ela saia sã e salva dessas explorações pelo mundo sobrenatural.

PS: Por que a série se chama “Penny Dreadful”, se não há nenhuma personagem de nome Penny? Investigando, adorei a história do nome – publicações populares com histórias de terror eram chamadas de “penny dreadful”, o que se poderia traduzir por centavos de terror.

“Tigres em dia vermelho”

A expectativa para gostar do livro era alta. Altíssima. Meu irmão me presenteou no meu aniversário. Eu que havia escolhido o título. Ele havia sido indicado por mais de um “amigo virtual”. A sinopse havia prendido minha atenção: relações familiares, um crime, efeitos da II Guerra Mundial…

“Tigres em dia vermelho”, de Liza Klaussmann, tinha tanta pressão em cima dele e infelizmente ele não suportou. Desmoronou. Não me encantou como eu esperava.

A história é contada pela perspectiva de 5 personagens, relacionados entre sim: primas, marido, filhos. As principais protagonistas são as primas adultas Nick e Helena. Grandes amigas, em uma relação que mistura carinho, competição, inveja, submissão, necessidade. Há também o marido de Nick, Hughes, cuja narrativa foi a única da qual me afeiçoei. Por fim, os filhos de cada uma: Daisy, a filha de Helena, que sabe o que quer e não aceita “não como resposta” e Ed, filho de Helena, perturbado, mas não se sabe até que ponto.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

O trunfo do livro são as camadas com que cada personagem é construído. Ninguém é raso: cada um tem qualidade e defeitos. Seres humanos imperfeitos.

A dificuldade que eu encontrei é que tamanha imperfeição me afastou dos personagens. Com exceção de Hughes, não senti empatia por nenhum dos demais, o que, para mi, afeta a leitura. Há leitores que não necessitam dessa conexão; que inclusive gostam de ler sobre pessoas de quem sente raiva ou algum outro sentimento “ruim”. Eu, não. Eu preciso me afeiçoar razoavelmente a um dos personagens principais, caso contrário a leitura não flui.

Para os do primeiro time, recomendo “Tigres em dia vermelho” para apreciar as nuances das relações familiares de pessoas que buscam a felicidade a seu jeito. Para os do meu time, o prazer da leitura dependerá do quanto a compreensão das atitudes dos personagens superar a crítica a seus comportamentos.

PS: Irmão, fica meu muitíssimo obrigada pelo presente!