suspense

“O livro dos espelhos”

Se ler me traz enorme prazer, também é verdade que ler muito me torna menos fácil de se agradar.

Tomemos por exemplo “O livro dos espelhos”, de E. O. Chirovici.

livroespelhos

Se eu tivesse lido dez, quinze anos atrás, teria achado um suspense muito bacana, que me deixaria curiosa pelo desenrolar da história e me faria ler madrugada adentro. Só que eu o li agora, depois de conhecer muitas histórias policiais, em especial “A verdade sobre o caso Harry Quebert“, que é dos meus livros preferidos da vida e cuja trama tem várias similitudes.

“O livro dos espelhos” é narrado, em cada uma de suas três partes, por um personagem diverso, o que achei original. A verdade sobre os fatos principais não é tão clara e se tem algo que eu adoro são jogos de “esconde e revela”, para eu ir criando minhas hipóteses ao longo da leitura.

Em 1987, o professor universitário Wieder foi assassinado. O crime não foi solucionado, apesar da grande comoção que causou na mídia e na universidade. Décadas depois, o agente literário Peter Katz recebe um manuscrito, em que o antigo aluno de Wieder, Richard Flynn, relata suas lembranças da época.

Só que o manuscrito é parcial e não revela o assassino – se é isso o que Richard pretendia, já que ele morre antes de entregar a Peter o restante das páginas. Tendo em vista que tal livro poderia ser um sucesso editorial, Peter contrata um repórter para investigar o caso.

Para um(a) leitor(a) cuja lista de livros policiais lidos não seja tão extensa, eu recomendaria “O livro dos espelhos”. Ele é razoavelmente bem construído, as reviravoltas nos intrigam e deixa algumas perguntas no ar, para que nós tiremos nossas próprias conclusões (ou não!).

Já para quem já leu muita ficção policial na vida, talvez não traga tanta novidade assim…

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“A origem”

Quando a gente gosta muito de um autor, sente um frisson ao dar de cara com um novo livro dele(a). Quer novamente sentir as mesmas emoções que a história anterior provocou. Só que se a fórmula se repete, se repete e se repete, sem nada novo, não há amor que resista.

Foi o que aconteceu comigo e Dan Brown.

Depois de ler “O Código da Vinci” eu quis repetir a dose inúmeras vezes. “O Símbolo perdido” consegue chegar perto. Os outros são diversões bacaninhas. “Anjos e demônios” é um tanto bobinho, mas dei um desconto.

E agora com “A origem”… Não tem mais como engolir essa mesma fórmula. Eu não pretendo ler o próximo livro dele, só para preservar o tanto que eu gostei d´”O Código da Vinci” e “O Símbolo perdido”…!

origem

Para quem quiser saber do que se trata: professor de simbologia Langdon é convidado por seu ex-aluno, o brilhante e controverso, Edmond Kirsch, para assistir a uma palestra na Espanha. Neste evento, o futurólogo (?) revelará as respostas às maiores indagações da humanidade “de onde viemos?” e “para onde vamos?”.

E lá vem toda a fórmula requentada: linda e inteligente garota se une a Langdon numa corrida contra o tempo e contra um fanático religioso para encontrar respostas para uma intrigante questão científica/filosófica/religiosa, percorrendo lugares interessantes e com carga histórica.

“Pequenas grandes mentiras”

Nem sempre um livro nos encontra na hora certa. Muitas vezes não estamos maduros o bastante para uma certa história (o que acredito que seja o que aconteceu comigo e com Elena Ferrante), pode ser que você não tenha vivenciado certa fase da vida para compreender o sentimento de um personagem… Não que seja necessário que você tenha a idade ou a vivência do personagem para amar um livro – porém, em alguns casos, a sua a fase da vida faz, sim, diferença na sua experiência como leitor.

E esse foi meu caso com “Pequenas grandes mentiras”, de Liane Moriarty.

pequenas grandes

Não fosse eu mãe de crianças pequenas que vão à escola, não compreenderia tão bem essa maluquice de muitas mães atuais de tomar conta de ABSOLUTAMENTE tudo o que acontece com a criança na escola. De tomar partido de tudo, de não deixar a criança resolver as questões por si só, de transformar uma comum questão infantil na III Guerra Mundial, como se o filho fosse o único ser importante na face da Terra.

Por estar inserida neste ambiente, eu me identifiquei muito com o ambiente em que a história das três mães se passam. Não que você tenha que ser “mãe-de-criança-pequena-que-vai-à-escola” para curtir este livro, que é uma ótimo entretenimento de qualquer forma. O que eu quis ressaltar é que muitas vezes a sua experiência na vida real afeta positiva ou negativamente sua leitura e neste caso ela deu um super realce!

“Pequenas grandes mentiras”, que virou até badalada minissérie na HBO, começa com uma morte em uma reunião de pais. A Autora é engenhosa o suficiente para que a sua curiosidade maior não seja tanto pela identidade do morto ou pela dinâmica do evento, mas sim em acompanhar as três personagens principais.

Temos Celeste, linda, rica, casada com um marido que a presenteia com jóias, com dois meninos gêmeos e uma casa deslumbrante. A vida perfeita. Só aparentemente perfeita.

Temos Jane, mãe solteira, recém-chegada na cidade, sem amigos e cujo filho – de meros 5 anos – é acusado de bater em uma coleguinha no primeiro dia de aula, mas o menino jura inocência.

E por fim, minha preferida, Madeline, uma filha adolescente do primeiro casamento, dois filhos do segundo casamento, aquela correria na casa, geralmente bem-humorada em cima de seu salto rosa, desde que não cruze com seu ex-marido, a quem ainda não conseguiu perdoar por tê-la abandonada com a filha pequena e – ai que raiva da menina! – a quem a menina prefere.

As três acabam se tornando amigas e o livro vai misturando diversas questões, como violência, maternidade (tão curioso ver que questões que acontecem na Austrália são iguais as do Brasil!), amizade…

Eu fiquei bem grudada na história, com minhas suspeitas sobre o autor do bullying (acertei!), sobre a morte do começo do livro (errei!), sobre o segredo de cada personagem… Pena que o finalzinho do livro tenha sido um pouco decepcionante.

Para ler de uma tacada só!

“The book of speculation”

book of speculation

Foto por Júlia A. O.

Livros que falam sobre livros são instantaneamente atraentes para mim. Quem é viciado em ler – e ler em papel – me entenderá.

Livro é um objeto mágico. Ao te transportar para outras histórias, ele serve como amigo (e às vezes como inimigo). Ele te ensina, te faz rir, te faz chorar, te faz questionar, te faz sentir aquele quentinho no coração. Ele amplia seu repertório mesmo sem você ter vivido aquilo.

“The book of speculation”, da Erika Swyler, é um livro sobre um livro. Como esse livro une gerações e gerações. O livro é muito importante para a trama e outras horas ele quase desaparece.

Os capítulos intercalam a história de Simon e de Amos. Simon trabalha em uma biblioteca e vive na casa que era de seus pais. A casa está caindo aos pedaços, mas ele não tem dinheiro para consertá-la. Um marchand de livros desconhecido envia ao rapaz um livro que teria pertencido à avó de Simon.

Ao ler o livro, Simon começa a se preocupar cada vez mais com sua irmã, pois aparentemente existe uma maldição que recai sobre todas as mulheres da família: mesmo elas sabendo segurar o fôlego como se sereias fossem, elas morrem afogadas.

Já a história de Amos se passa no passado e é de cortar o coração. Abandonado, ele é resgatado por um circo. Primeiramente ele faz apresentações como uma criança selvagem, todo desgrenhado, aterrorizando os espectadores. Mesmo sendo mudo, a cartomante o escolhe como aprendiz e a vida do menino melhora, até uma menina, com dons de sereia, se juntar à trupe.

O engraçado é que eu fiquei muito curiosa para saber o final e li numa boa velocidade, indicativos de que eu amei uma história. Só que eu não posso dizer que eu o tenha amado.

Os elementos fantásticos são bem dosados e a tensão vai sendo construída engenhosamente. O que especialmente não me fez adorar o livro como eu deveria eu até agora não consegui identificar!

Mentir até quando?

De vez em quando eu encontro umas boas surpresas no Netflix ou na Apple TV e me pergunto por que tal filme não teve maior bilheteria ou repercussão quando estreou no cinema, ao passo que umas belas porcarias ganham tamanho destaque…

Uma dessas boas descobertas foi “A grande mentira”, com as excelente atrizes Helen Mirren e Jessica Chastain (há protagonistas masculinos, mas elas dominam a tela).

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Três agentes da Mossad são destacados para capturar um nazista na Berlim dos anos 60. O plano termina com o assassinato do criminoso e os agentes são condecorados pelo sucesso da missão. Trinta anos depois, surgem dúvidas se a captura foi realmente exitosa…

O que me surpreendeu é que a história mistura romance, suspense, ação, questões de cunho moral… Além de ser original! Se não fosse o final que eu achei um pouco forçado, o filme seria 10 estrelas.

“Miniaturista”

miniaturista

Foto por Júlia A. O.

Sabe quando você fica esperando aquele momento do livro em que você será fisgado pela história? E quando ele só acontece nas páginas finais? Um tanto decepcionante, não?

Essa foi a experiência com “Miniaturista”, de Jessie Burton.

A história é boa e eu racionalizava que logo eu estaria tão presa a ela que correria para pegar o livro. Infelizmente, faltavam poucas páginas quando eu percebi que certa expectativa minha não seria preenchida e que era melhor eu me focar em outro aspecto da história, correndo o risco de, não mudando o foco, desgostar da leitura.

Na rica Amsterdã do século XVII, Petronella (ou Nella) é uma garota de dezoito anos que saí de sua cidade do interior para se casar com o rico comerciante Johannes Brandt. Como o casamento foi arranjado, costume da época, ela não sabia o que encontraria na sua nova casa.

Com o que ela se depara? Um marido ausente, uma cunhada rígida e desagradável, uma criada intrometida e um empregado negro, algo que ela nunca havia visto em sua vida. Os dias passam desanimados até que ela ganha de seu marido uma gigantesca casa de bonecas. Para preencher o tempo e desfrutar do presente, Nella encomenda algumas miniaturas. Só que tais miniaturas parecem prever o futuro. A garota fica assustada, fascinada e confusa com a mensagem que parece lhe estar sendo transmitida por meio dos pequenos objetos.

Digam se a sinopse não é empolgante? E que não eleva as expectativas às alturas?

No estilo de “Match Point”

Ano passado Woody Allen tinha me decepcionado com “Magia ao luar”. Esse ano, porém, ele recuperou a boa forma.

“O home irracional” segue a mesma linha do inigualável “Match Point”, com questionamentos de se o crime compensa. Li muitas críticas comparando os filmes e dizendo que o atual sai perdendo. Concordo com que “O homem racional” não se iguala a “Match point”. Nem por isso deixa de ser um ótimo filme, em que me percebi dando risinhos de nervoso.

home irracional emma stone

Joaquim Phoenix é o professor universitário Abe Lucas, que chega a uma pequena faculdade carregando depressão e fama, em iguais medidas. Ele se envolve primeiramente com uma professora de sua idade e depois com uma aluna. Sempre existem mocinhas que curtem esse modelo de homem pessimista e má companhia. Mesmo com tantas distrações, Abe não vê sentido em viver. Ele filosofa demais. Sua apatia é curada com uma questão envolvendo homicídio.

Não vou além para não estragar a surpresa. E alguns reclama que Woody Allen se repete, pois eu respondo: que ele se repita mesmo, se for para nos trazer um bom filme como este! Vida longa ao neurótico diretor!