terror

“O bom filho”

“O bom filho”, de You-Jeong Jeong chegou até a mim por meio de uma assinatura trimestral que fiz da TAG Livros – inéditos, pois estava curiosa para saber que a tipo de literatura eu seria apresentada. Ainda não li os outros três livros que chegaram nos meses em que a assinatura vigeu, mas posso dizer que esta escolha foi bem interessante.

Só o fato do livro ter sido escrito por uma sul-coreana já me deixou curiosa para conhecer o estilo de escrita e ambientação da história.

A história? A história é terrível.

bom filho

Não terrível no sentido de ruim. Terrível no sentido de causar terror, de ser atroz. De incutir temor no leitor.

Yu-Jin mora com sua mãe e seu irmão adotivo num espaçoso apartamento em uma cidade sul-coreana que ainda está se desenvolvendo, por isso mais parece um canteiro de obras. Ele acorda um dia com um gosto ruim na boca, que é intensificado pela chocante cena ao descer as escadas do duplex: sua mãe está morta e uma enorme quantidade de sangue está espalhada pela casa.

O rapaz não se lembra direito do que aconteceu na noite anterior e é a jornada pela recobrada da memória que acompanhamos. O que se percebe logo de cara é que a reação de Yu-Jin não é o que naturalmente se espera de uma pessoa que se depara com um ente querido morto em circunstâncias tenebrosas.

A leitura transcorria como um acidente cheio de sangue pelo qual eu passava ao lado e não sabia se queria olhar ou não. E o pior de tudo era acompanhar tudo pela mente do narrador, cujos pensamentos e atitudes me deixavam cada vez mais incomodada e assustada.

Muitas vezes eu queria fechar os olhos – o que com a leitura de um livro físico não era possível, então segui na escalada assombrosa do enredo. Mesmo com repugnância no coração, gostei bastante do livro.

 

Centavos de terror

Sempre antenada aos últimos lançamentos de seriados que recaiam dentro de seu leque de gosto pessoal, a Michele, do blog Resumo da Ópera, havia falado muito bem sobre “Penny dreadful”.

Lá fui em conferir.

E não me decepcionei!

 penny dreadful personagens

O seriado é de terror para os mais fracos (leia-se: eu, que fiquei com medo, confesso) ou de suspense, para aqueles de coração mais resistente. Na Londres dos 1.800s, o cidadão comum não imagina que um outro mundo esteja logo ali, nas sombras. Já alguns cidadãos não comuns conhecem esse lado negro e nele se embrenham por diferentes motivos (pessoal, financeiro, em busca de aventura).

Sir Malcolm é o senhor (ainda galã, as meus olhos) que procura a filha desaparecida, refém de uma dessas criaturas terríveis. Vanessa Ives é a sensual médium, que ajuda Sir Malcolm nessa empreitada e que o auxilia na formação de um grupo de pessoas corajosas, como o americano desgarrado Ethan Chandler, o mordomo misterioso, o médico Victor Frankeinstein, entre outros.

A produção é para lá de espetacular! O colorido macabro somado à riqueza de detalhes dos ambientes e roupas te transportam para a tela e te fazem sentir como parte da cena.

Só assisti três episódios e por enquanto a personagem de Eva Green – a sensitiva Miss Ives – é disparada minha favorita. A atriz é sexy por natureza, de um jeito felino, com um quê de perigoso. Sua atuação é de botar medo, o que no caso dessa série é um trunfo. É inegável que ela guarda segredos de carga explosiva, que talvez a tornem um pouco má – só que eu não os conheço e não pude deixar de torcer para que ela saia sã e salva dessas explorações pelo mundo sobrenatural.

PS: Por que a série se chama “Penny Dreadful”, se não há nenhuma personagem de nome Penny? Investigando, adorei a história do nome – publicações populares com histórias de terror eram chamadas de “penny dreadful”, o que se poderia traduzir por centavos de terror.

“Noturno”

Eu sou sugestionável e medrosa. O que não prejudica minha afirmação de que o livro “Noturno” me deixou com medo. Confesso que até pensei em deixar uma luzinha acessa à noite (essa parte já é exagero meu, pessoas de coragem normal não precisarão deste recurso).

Guillermo del Toro e Chuck Hogan criaram uma história de vampiros cuja tensão vai crescendo a cada página e o alívio de um susto não acontece… Nada de vampiros sedutores, humanizados. Criaturas más, irracionais, sendentas. Medo!

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

O começo do livro é muito intrigante porque você não entende o que está acontecendo, assim como os personagens humanos. Os autores vão oferecendo migalhas de informações que parecem não fazer sentido… Até que finalmente fazem. Os personagens varões predominam, assim como detalhes sobre aviões, rotinas de órgãos americanos de crise e outros assuntos que agradam em especial o público masculino.

O final me pareceu um pouco apressado e desprovido da tensão que eu tanto gostei no começo. Por seu o primeiro de uma trilogia, tinha-se de deixar alguns ganchos para o próximo, o que não me agradou particularmente. Ainda assim, uma história muito boa.

Livros de terror não são minha leitura comum. Esse foi uma ótima experiência. Estou curiosa para ler os próximos e ao mesmo tempo receosa de só ver mais do mesmo. O que me aguarda?

PS: Esse era o desafio de agosto do “Desafio literário”.

Esteja preparado

Eu e meu marido temos como regra tentar ver todos os filmes do Woody Allen e do Almodóvar, independentemente da crítica ou do assunto tratado. Acho que esse preceito foi minha mãe que inventou, então a gente obedece.
 
Estreado o novo filme do diretor espanhol, “A pele que habito”, lá fomos nós ao cinema. Arte nem sempre precisa ser bonita, nem te deixar feliz. E Almodóvar segue com temas “tapa na cara”, cenas fortes e reveladoras do lado sombrio do ser humano.
 
Em seu 18° filme, Pedro Almodóvar conta a história do Dr. Ledgard, cirurgião plástico, que pretende produzir uma pele humana resistente a queimaduras, obsessão surgida após a morte de sua mulher. Para tanto, mantém uma cobaia humana em sua casa. Muitas reviravoltas no vai-e-vem temporal da vida dos envolvidos fazem as peças do todo irem se encaixando.


 
Não nego que é um bom filme. Porém, sendo eu uma pessoa que não tem estômago forte, senti falta de um saquinho de vômito para lidar cada novo pedaço de perversão que aparecia na tela. Não é para todos.

PS: me pergunto o que passa na cabeça dele para imaginar tanta bizarrice…

(imagem tirada do site assistir.info)