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“O temor do sábio”

Ao invés de sentir receio ao estar frente a frente com 960 páginas, frenesi foi o que meu corpo experimentou ao abrir a capa do segundo livro de Patrick Rothfuss sobre a saga de Kvothe. Seguido de receio, sim. Mas não pelo calhamaço de páginas e sim pelo medo de não amar este livro como com “O nome do vento”.

temorsabio

Medo infundado. O livro é tão incrível quanto o anterior. Patrick Rothfuss, como conseguiu esta façanha? De não perder a mão em tamanha quantidade de páginas? Em manter meu interesse aceso por todas as aventuras que o Kvothe vivencia após suspender seus estudos na universidade?

Para quem gosta de ficção fantástica, é um verdadeiro delírio. História bem construída, com personagens apaixonantes, irritantes, amedrontadores, enigmáticos – tem de tudo. Só não tem tédio ou clichês baratos.

Top 7 livros – 2015

lendo-na-praiaOlá!

Feliz Ano Novo!!! (ainda é dia 12/01, posso desejar feliz ano novo, não?)

Na correria típica do fim do ano – que em 2015 foi superior ao que costuma ser – acabei não fazendo minha listinha das top leituras de 2015.

Em geral minha lista contempla os 10 melhores. Infelizmente, meu número de leituras em 2015 não foi muito alto; foram só 13 livros, motivo pelo qual me pareceu mais adequado reduzir a lista dos preferidos.

Assim, sem mais delongas, trago a lista dos 7 livros que mais me emocionaram/divertiram/fizeram pensar em 2015:

1 – “O pintassilgo“, de Donna Tartt: reune todos os elementos de uma história grandiosa

2 – “A noiva fantasma“, de Yangsze Choo : é um pouco juvenil e é um monte de diversão

3 – “O tempo entre costuras“, Maria Dueñas: um presente que me encantou

4 – “O nome do vento: primeiro dia“, de Patrick Rothfuss: fantasia que te faz mergulhar em outro mundo

5 – “Sobre homens e lagostas“, de Elizabeth Gilbert: marido acertou no presente

6 – “O gigante enterrado“, de Kazuo Ishiguro: melanolia bem-vinda

7 – “Um lugar perigoso“, de Luiz Alfredo Garcia-Roza: o delegado Espinosa sempre cai bem

 

E que 2016 venha recheado de histórias maravilhosas – dentro e fora das páginas do livro!

 

 

“O tempo entre costuras”

Uma das minhas metas para 2015 é ler todos (ou quase todos, sejamos realistas) os livros que eu ganhei de presente nos últimos anos. A pessoa vai lá, pensa, pensa, pensa e escolhe um livro que imagina que você vai gostar. O mínimo que você, presenteada, pode fazer, é reorganizar a lista de leituras e dar prioridade aos presentes, não?

Nesse espírito, comecei o ano com “O tempo entre costuras”, de María Dueñas. E que começo! Um livro fantásticos!

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Acompanhamos a vida de Sira, uma jovem costureira sem muita perspectiva, que vê sua vida virar de cabeça para baixo por uma paixão avassaladora, que a leva da Espanha para o Marrocos. Se por um lado a mudança implicou fugir da guerra civil espanhola, por outra levou-a a conhecer o lado ruim das pessoas e ter de enfrentar uma nova realidade sem qualquer conhecido para lhe acolher.

Essa primeira parte é boa, mas confesso que levei umas boas 100 páginas para deixar de implicar com a Sira. Quando ela leva um tombo e começa a se reerguer é que o livro fica interessante. E fica ainda mais empolgante quando começa a II Guerra Mundial e então a mocinha tem de virar mulher.

O que eu não gostei da história são as similitudes com a trajetória da Coco Chanel. O que não tira o imenso prazer que esse livro me proporcionou, em especial com construções de imagens tão lindas como a que ela descreve o silêncio invadindo a sala de costura e pousando sobre as dobras de tecido. Tem quem tenha uma habilidade de transformar palavras em poesia! Maria Dueñas é dessas priviliegiadas.

“Crianças francesas não fazem manha”

Pamela Druckerman é uma americana que se casou com um inglês e com ele foi morar em Paris. Lá ela teve sua primeira filha. Quando a pequena começou com falta de rotina para dormir, birras e afins é que Pamela levou um susto ao perceber que as mães parisienses não sofriam com as mesmas dificuldades. Quando vieram os gêmeos, a diferença entre a educação norte-americana a que Pamela estava acostumada e a que ela observava na rua tornou-se ainda maior.

Sua formação jornalística – e desespero como mãe – levou-a a investigar o que os genitores franceses faziam de tão espetacular para que suas crianças fosse bem-comportadas.

O resultado de seu “estudo de campo” é um livro delicioso, chamado “Crianças francesas não fazem manha” (Ed. Fontanar).

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Em cada capítulo a autora aborda um tema, como sono, alimentação, impor limites. Não se trata de um livro em que regras são apresentadas aos montes e te deixam com a sensação de que você nunca vai conseguir implementá-las. Pelo contrário. Pamela mistura histórias pessoais e engraçadas com suas observações sobre o jeito francês de educar: a tal da moldura bem-definida e rigorosamente imposta, mas dentro da qual a criança tem liberdade de agir, escolher e pensar.

Você pode concordar ou não com o modelo de educação que os pais parisienses aplicam a seus filhos. Se você concordar, é bacana passar a aplicar as lições trazidas no livro no seu dia-a-dia. Se não concordar, serve para analisar o modo de criação que você gostaria de seguir, aplicando-o de modo consciente e não somente porque é o único que você conhece.

Eu, particularmente, concordo com vários aspectos, como a questão de rotina fixa para dormir, de apresentar à criança pratos saudáveis, variados e muitas vezes considerados como de “adultos” e de ser firme quando disser não. Por outro lado, não concordo com o método das escolas, em que você nunca atinge o ideal, em que suas provas e trabalhos são 99% das vezes objeto de críticas e notas medianas. Nem a exigência de estar em forma 3 meses depois do parto.

Também acho que nem sempre é fácil querer trazer para a realidade brasileira o modelo francês, pois nossa cultura é diferente, mais “mole” com as crianças. E não que isso seja ruim, é uma característica nossa. O que me parece mais interessante no livro é parar um minuto para refletir sobre a educação, nem que seja para continuar fazendo tudo igual, mas agora consciente das escolhas.

Além de agradar às mães de bebês e crianças pequenas, minha experiência em Paris trouxe à leitura uma graça adicional, já que eu conseguia enxergar os parisienses adotando certas posturas que a autora narra. E se por um lado eles são fechados, resmungões e blasé, por outro são extremamente charmosos e tem o dom de aproveitar as coisas boas da vida!

Top 10 livros – 2014

livros abraço

Quando fui fazer a lista dos meus dez livros preferidos deste ano, não parei de pensar no meu favorito, que já indiquei para várias pessoas e já arrebanhei mais 3 fãs. Foi um livro especial, assim como no ano de 2013 tive outro do coração, “A assinatura de todas as coisas”.

Além dele, tive outras deliciosas leituras:

1 – “A verdade sobre o caso Harry Quebert“, Joel Dicker

2 – “Um dia“, David Nicholls

3 – “Crianças francesas não fazem manha”, Pamela Druckerman (ainda sem resenha)

4 – “Garota exemplar“, Gillian Flynn

5 – “O assassinato de Roger Ackroyd”, Agatha Christie (ainda sem resenha)

6 – “As filhas sem nome“, Xinran

7 – “O olho do tsar vermelho“, Sam Eastland

8 – “Cordilheira“, Daniel Galera

9 -“Oryx e Crake“, Margaret Atwood

10 – “O chamado do Cuco“, Roger Galbraith

Se você quer uma leitura para as férias, por que não escolhe um desses?

“A verdade sobre o caso Harry Quebert”

Como eu faço para convencer todo mundo a ler “A verdade sobre o caso Harry Quebert”, de Joël Dicker (Ed. Intrínseca)?

É um dos melhores livros que li na minha vida! É muito incrível! E olha que as quase 600 páginas poderiam assustar, entediar, desinteressar… Pelo contrário, você não vê as páginas passarem e se tivesse mais, eu leria com o mesmo gosto. Imaginem que o li em 3 semanas e olha que tempo me falta! Era sobrar qualquer minuto para eu correr para a leitura. E quando a história parecia ter se acalmado – bam! – uma reviravolta!

Não sei nem classificá-lo.

É uma história policial: o corpo da menina Nola é descoberto após 33 anos de seu desaparecimento. Logo o famoso escritor Harry Quebert é preso e choca a nação ao confessar que teve um romance com a garota de quinze, quando ele tinha trinta anos.

É uma história de amor: ainda que repulsiva para muitos, trata-se de um caso de amor intenso e trágico de uma adolescente com um homem feito.

É uma história de amizade: Markus Goldman resolve investigar quem é o verdadeiro culpado pela morte de Nola, já que acredita na inocência de Harry, seu mentor e único amigo. Ainda que isso coloque em risco sua vida e sua carreira.

É uma história de metalinguagem: nós lemos a história de Markus, que por sua vez escreve a história de sua investigação.

É uma história dramática: muitos dos personagens da pacata Aurora escondem tragédias ou dificuldades pessoais, que vão sendo reveladas durante a investigação de Markus.

É um livro magnífico. Que fez doer meu coração de saudades ao ler a última página. Que faz cada minuto de leitura valer pela mágica das palavras.

harry quebert

 Por isso que ao me emprestar, minha mãe me recomendou que eu o passasse na frente dos demais. Obrigada, mamis.

Perfeito!

Ao ler estas palavras, pareciam que elas tinha saído da minha cabeça. Ou melhor, do meu coração:

Um bom livro, Marcus, não se mede somente pelas últimas palavras, e sim pelo efeito coletivo de todas as palavras que as precederam. Cerca de meio segundo após terminar o seu livro e ler a última palavra, o leitor deve se sentir invadido por uma sensação avassaladora. Por um instante fugaz, ele não deve pensar senão em tudo que acabou de ler, admirar a capa e sorrir, com uma ponta de tristeza pela saudade que sentirá de todos os personagens. Um bom livro, Marcus, é um livro que lamentamos ter terminado.” (“A verdade sobre o caso Harry Quebert”, Joël Dicker, Ed. Intrínseca, pág. 563)

Perfeito. Emocionante. É assim que me sinto. E é assim que me senti com este livro. Logo falo dele. Mas já recomendo: leiam. Já.