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“Minha história”

Acreditam que eu nunca tinha lido uma autobiografia? Na verdade, esse gênero literário não havia exercido qualquer atração sobre mim. Eu imaginava – preconceito – uma leitura parada, sem graça, cheia de datas e eventos que não despertariam curiosidade em mim.

Talvez só me faltasse a pessoa correta como “autobiografado”.

E essa pessoa foi Michelle Obama e seu aclamado “Minha história”.

livro michelle

Nada de história travada ou desinteressante. Nada de datas e eventos desinteressantes. Pelo contrário, que vida! Que trajetória! Quer personalidade! Que acasos! Que decisões a cada bifurcação! Que resiliência! Que otimismo! Que abertura em mostrar que compartilha das dúvidas de qualquer mãe que que trabalha!

Minha lista de “que…!” vai longe.

Eu pouco sabia da Michelle Obama fora sua postura correta, energética e desbravadora como a primeira primeira-dama negra dos EUA. Ao ler sua história, descobri que ela foi a primeira  – ou das primeiras – em muitos campos e seu compasso moral e paixão pelos estudos me conquistaram.

Eu gostei mais da parte antes de que ela se tornasse primeira-dama. Michele poderia ter sido uma a mais, só que a base de família amorosa combinada com sua personalidade, alavancada por todos que acreditaram nela fez que um futuro melhor se tornasse possível.

Os capítulos sobre seus anos na Casa Branca algumas vezes pareciam conter explicações sobre situações exploradas de forma desfavorável pela mídia e/ou pelos adversários políticos, o que retirou um pouco aquele tom de extrema franqueza. Ainda assim, acho que ninguém pode saber o que é ser atacado por tantas pessoas, que sequer se colocam no seu lugar ou se preocupam com a correção da informação propagada.

Ao fim da leitura, eu tive a certeza de reconhecer uma ídola viva! Michelle é uma mulher incrível. Corajosa, inteligente, determinada, otimista, empática, agregadora, correta. E, além de tudo, escreveu um livro muito cativante!

(terei exagerado nas exclamações? acho merecidas)

“O temor do sábio”

Ao invés de sentir receio ao estar frente a frente com 960 páginas, frenesi foi o que meu corpo experimentou ao abrir a capa do segundo livro de Patrick Rothfuss sobre a saga de Kvothe. Seguido de receio, sim. Mas não pelo calhamaço de páginas e sim pelo medo de não amar este livro como com “O nome do vento”.

temorsabio

Medo infundado. O livro é tão incrível quanto o anterior. Patrick Rothfuss, como conseguiu esta façanha? De não perder a mão em tamanha quantidade de páginas? Em manter meu interesse aceso por todas as aventuras que o Kvothe vivencia após suspender seus estudos na universidade?

Para quem gosta de ficção fantástica, é um verdadeiro delírio. História bem construída, com personagens apaixonantes, irritantes, amedrontadores, enigmáticos – tem de tudo. Só não tem tédio ou clichês baratos.

Top 7 livros – 2015

lendo-na-praiaOlá!

Feliz Ano Novo!!! (ainda é dia 12/01, posso desejar feliz ano novo, não?)

Na correria típica do fim do ano – que em 2015 foi superior ao que costuma ser – acabei não fazendo minha listinha das top leituras de 2015.

Em geral minha lista contempla os 10 melhores. Infelizmente, meu número de leituras em 2015 não foi muito alto; foram só 13 livros, motivo pelo qual me pareceu mais adequado reduzir a lista dos preferidos.

Assim, sem mais delongas, trago a lista dos 7 livros que mais me emocionaram/divertiram/fizeram pensar em 2015:

1 – “O pintassilgo“, de Donna Tartt: reune todos os elementos de uma história grandiosa

2 – “A noiva fantasma“, de Yangsze Choo : é um pouco juvenil e é um monte de diversão

3 – “O tempo entre costuras“, Maria Dueñas: um presente que me encantou

4 – “O nome do vento: primeiro dia“, de Patrick Rothfuss: fantasia que te faz mergulhar em outro mundo

5 – “Sobre homens e lagostas“, de Elizabeth Gilbert: marido acertou no presente

6 – “O gigante enterrado“, de Kazuo Ishiguro: melanolia bem-vinda

7 – “Um lugar perigoso“, de Luiz Alfredo Garcia-Roza: o delegado Espinosa sempre cai bem

 

E que 2016 venha recheado de histórias maravilhosas – dentro e fora das páginas do livro!

 

 

“O tempo entre costuras”

Uma das minhas metas para 2015 é ler todos (ou quase todos, sejamos realistas) os livros que eu ganhei de presente nos últimos anos. A pessoa vai lá, pensa, pensa, pensa e escolhe um livro que imagina que você vai gostar. O mínimo que você, presenteada, pode fazer, é reorganizar a lista de leituras e dar prioridade aos presentes, não?

Nesse espírito, comecei o ano com “O tempo entre costuras”, de María Dueñas. E que começo! Um livro fantásticos!

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Acompanhamos a vida de Sira, uma jovem costureira sem muita perspectiva, que vê sua vida virar de cabeça para baixo por uma paixão avassaladora, que a leva da Espanha para o Marrocos. Se por um lado a mudança implicou fugir da guerra civil espanhola, por outra levou-a a conhecer o lado ruim das pessoas e ter de enfrentar uma nova realidade sem qualquer conhecido para lhe acolher.

Essa primeira parte é boa, mas confesso que levei umas boas 100 páginas para deixar de implicar com a Sira. Quando ela leva um tombo e começa a se reerguer é que o livro fica interessante. E fica ainda mais empolgante quando começa a II Guerra Mundial e então a mocinha tem de virar mulher.

O que eu não gostei da história são as similitudes com a trajetória da Coco Chanel. O que não tira o imenso prazer que esse livro me proporcionou, em especial com construções de imagens tão lindas como a que ela descreve o silêncio invadindo a sala de costura e pousando sobre as dobras de tecido. Tem quem tenha uma habilidade de transformar palavras em poesia! Maria Dueñas é dessas priviliegiadas.

“Crianças francesas não fazem manha”

Pamela Druckerman é uma americana que se casou com um inglês e com ele foi morar em Paris. Lá ela teve sua primeira filha. Quando a pequena começou com falta de rotina para dormir, birras e afins é que Pamela levou um susto ao perceber que as mães parisienses não sofriam com as mesmas dificuldades. Quando vieram os gêmeos, a diferença entre a educação norte-americana a que Pamela estava acostumada e a que ela observava na rua tornou-se ainda maior.

Sua formação jornalística – e desespero como mãe – levou-a a investigar o que os genitores franceses faziam de tão espetacular para que suas crianças fosse bem-comportadas.

O resultado de seu “estudo de campo” é um livro delicioso, chamado “Crianças francesas não fazem manha” (Ed. Fontanar).

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Em cada capítulo a autora aborda um tema, como sono, alimentação, impor limites. Não se trata de um livro em que regras são apresentadas aos montes e te deixam com a sensação de que você nunca vai conseguir implementá-las. Pelo contrário. Pamela mistura histórias pessoais e engraçadas com suas observações sobre o jeito francês de educar: a tal da moldura bem-definida e rigorosamente imposta, mas dentro da qual a criança tem liberdade de agir, escolher e pensar.

Você pode concordar ou não com o modelo de educação que os pais parisienses aplicam a seus filhos. Se você concordar, é bacana passar a aplicar as lições trazidas no livro no seu dia-a-dia. Se não concordar, serve para analisar o modo de criação que você gostaria de seguir, aplicando-o de modo consciente e não somente porque é o único que você conhece.

Eu, particularmente, concordo com vários aspectos, como a questão de rotina fixa para dormir, de apresentar à criança pratos saudáveis, variados e muitas vezes considerados como de “adultos” e de ser firme quando disser não. Por outro lado, não concordo com o método das escolas, em que você nunca atinge o ideal, em que suas provas e trabalhos são 99% das vezes objeto de críticas e notas medianas. Nem a exigência de estar em forma 3 meses depois do parto.

Também acho que nem sempre é fácil querer trazer para a realidade brasileira o modelo francês, pois nossa cultura é diferente, mais “mole” com as crianças. E não que isso seja ruim, é uma característica nossa. O que me parece mais interessante no livro é parar um minuto para refletir sobre a educação, nem que seja para continuar fazendo tudo igual, mas agora consciente das escolhas.

Além de agradar às mães de bebês e crianças pequenas, minha experiência em Paris trouxe à leitura uma graça adicional, já que eu conseguia enxergar os parisienses adotando certas posturas que a autora narra. E se por um lado eles são fechados, resmungões e blasé, por outro são extremamente charmosos e tem o dom de aproveitar as coisas boas da vida!

Top 10 livros – 2014

livros abraço

Quando fui fazer a lista dos meus dez livros preferidos deste ano, não parei de pensar no meu favorito, que já indiquei para várias pessoas e já arrebanhei mais 3 fãs. Foi um livro especial, assim como no ano de 2013 tive outro do coração, “A assinatura de todas as coisas”.

Além dele, tive outras deliciosas leituras:

1 – “A verdade sobre o caso Harry Quebert“, Joel Dicker

2 – “Um dia“, David Nicholls

3 – “Crianças francesas não fazem manha”, Pamela Druckerman (ainda sem resenha)

4 – “Garota exemplar“, Gillian Flynn

5 – “O assassinato de Roger Ackroyd”, Agatha Christie (ainda sem resenha)

6 – “As filhas sem nome“, Xinran

7 – “O olho do tsar vermelho“, Sam Eastland

8 – “Cordilheira“, Daniel Galera

9 -“Oryx e Crake“, Margaret Atwood

10 – “O chamado do Cuco“, Roger Galbraith

Se você quer uma leitura para as férias, por que não escolhe um desses?

“A verdade sobre o caso Harry Quebert”

Como eu faço para convencer todo mundo a ler “A verdade sobre o caso Harry Quebert”, de Joël Dicker (Ed. Intrínseca)?

É um dos melhores livros que li na minha vida! É muito incrível! E olha que as quase 600 páginas poderiam assustar, entediar, desinteressar… Pelo contrário, você não vê as páginas passarem e se tivesse mais, eu leria com o mesmo gosto. Imaginem que o li em 3 semanas e olha que tempo me falta! Era sobrar qualquer minuto para eu correr para a leitura. E quando a história parecia ter se acalmado – bam! – uma reviravolta!

Não sei nem classificá-lo.

É uma história policial: o corpo da menina Nola é descoberto após 33 anos de seu desaparecimento. Logo o famoso escritor Harry Quebert é preso e choca a nação ao confessar que teve um romance com a garota de quinze, quando ele tinha trinta anos.

É uma história de amor: ainda que repulsiva para muitos, trata-se de um caso de amor intenso e trágico de uma adolescente com um homem feito.

É uma história de amizade: Markus Goldman resolve investigar quem é o verdadeiro culpado pela morte de Nola, já que acredita na inocência de Harry, seu mentor e único amigo. Ainda que isso coloque em risco sua vida e sua carreira.

É uma história de metalinguagem: nós lemos a história de Markus, que por sua vez escreve a história de sua investigação.

É uma história dramática: muitos dos personagens da pacata Aurora escondem tragédias ou dificuldades pessoais, que vão sendo reveladas durante a investigação de Markus.

É um livro magnífico. Que fez doer meu coração de saudades ao ler a última página. Que faz cada minuto de leitura valer pela mágica das palavras.

harry quebert

 Por isso que ao me emprestar, minha mãe me recomendou que eu o passasse na frente dos demais. Obrigada, mamis.