O final do prólogo da confusão do anel

Eu havia lido uma crítica sobre o último filme da trilogia do Hobbit, “A batalha dos cinco exércitos” na revista da Folha, se não me engano. E vou fazer dela minhas palavras: um filme sem enredo e com muita ação.

anoes hobbit

Ou seja, é um filme bem divertido, cheio de figuras fantásticas na tela e que finaliza bem o prólogo ao inigualável “Senhor dos anéis”. Só que de história, bem, não há quase nada. É quase uma batalha ininterrupta. Bom para a correria do fim do ano, em que nosso cérebro quase se exaure de tanto tentar organizar todos os compromissos pessoais e profissionais que nos atinge nessa época.

(o título do post ficou maior que a resenha)

Jogos pouco vorazes

A ansiedade para assistir ao terceiro filme da série dos “Jogos vorazes” (“A esperança – parte 1″) era grande. Como habitualmente acontece, o filme não está à altura do livro. E se nos dois primeiros achei a adaptação da saga de Suzanne Collins boa, neste terceiro… fué fué fué.

esperança jogos vorazesAliás, para que essa mania de dividir o último livro em dois filmes e assim faturar mais? O que ocorre é que a primeira parte do final tem poucos acontecimentos importantes, a trama não deslancha. E se nos filmes anteriores você fica tenso, neste você espera, espera e pouco vê na tela.

Spoiler para quem ainda não leu o último livro da trilogia: Katniss iniciou uma revolução, sem querer, e agora é exigido dela que seja o rosto da luta dos distritos contra a Capital. E se ela se revolta com o modo de viver, ou melhor, sobreviver imposto pela Capital, seu coração está mais preocupado em proteger sua mãe e irmã e em sofrer pela captura de Peeta.

O destaque do filme fica para Philip Seymour Hoffman, morto este ano.

Caliente

“Latitudes”, com Alice Braga e Daniel de Oliveira, é um filme moderno, ágil, atual. E caliente. Bem caliente. Sem ser vulgar ou explícito, o que é um grande feito! O clima de sedução entre os dois que vão se encontrando por oito cidades pelo mundo é tão palpável, que você se sente até um pouco voyeur.

A melhor definição da história é do diretor Felipe Braga: “uma história de amor não romântica”.

latitudesOlivia e José são, respectivamente, editora de moda e fótografo reconhecido (que rejeita a ideia de fotografar moda). O caso deles começa com uma noite, então viram encontros ao acaso, depois combinados…

No começo, eu tive dúvidas se o jeito sedutor do José significasse que ele era um pouco canalha, depois passei a achar a Olivia muito indecisa e contraditória. Ou seja, pessoas reais, que podiam ser seus amigos.

Além disso, é uma delícia passear por cidades maravilhosas, como Paris, Londres, Veneza, Istambul…

O projeto deles foi lançar o filme em capítulos, na internet e na TNT, em agosto de 2013. Ainda bem que eu não esperei pelos capítulos semanais (ansiosa!) e já assisti à história completa na AppleTV.

O tipo “errado” de alemão?

Meu interesse é constantemente despertado por livros ambientados na II Guerra Mundial. Acho que o ser humano em geral tem uma atração/repulsão por eventos terríveis. Parece que você não quer saber, não quer ser tocado pela violência, e ainda assim não consegue tirar os olhos da cena brutal.

Livros, eu encaro aos montes. Já em relação a filmes sobre esse período eu tenho mais restrições, dói ver na tela as atrocidades. Ainda assim, algo me fez assistir a “Lore”, de Cate Shortland, um premiado filme alemão.

loreComeço dizendo que o filme é tão bom que não parei de pensar nele. Demorei a dormir revivendo alguma cenas na cabeça. No caminho todo para o trabalho tentei lidar com o fato de que a vida não é tão preto no branco, que é difícil definir o que e quem é mau, que há questões éticas envolvendo a punição, como definir que é culpado, se é possível reparar crueldades, como balancear o instinto de sobrevivência com a solidariedade…

Como vocês veem, são tantas e tantas questões que este filme levanta que meu cérebro está fervendo!

O interessante do filme é que o foco não são os campos de concentração. Ele retrata uma família alemã nazista logo após o fim da guerra. Os pais nazistas são presos e as crianças são deixadas à própria sorte. Liderados por Lore (Saskia Rosendahl), a irmã mais velha, no início da adolescência, o grupo tenta atravessar centenas de quilômetros para chegar à casa da avó, em Hamburgo.

São crianças – um deles até um bebê (que cada vez que chorava fazia o coração de uma recém-mãe desabar). Crianças que pagam pelo comportamento dos pais. Os mais novos não possuem tanta noção política, mas Lore é mais crescida e acredita nos ideais da juventude hitlerista. Aprendeu a ter nojo dos judeus, a se ver como superior aos pobres, a idolatrar Hitler.

Por outro lado, ainda lhe resta um bocado de inocência infantil, que vai sendo retirada quando se defronta com um país arrasado, sem comida, com mortos pelo caminho, sem uma figura adulta que lhe acolha. Sim, dá raiva de certas atitudes da garota, ao mesmo tempo em que você sente pena e tenta compreender o que é ser doutrinada desde a infância por algo que seus pais acreditam e que você não tem maturidade para questionar.

Se por um lado eu admiro a resiliência de muitos povos europeus, que enfrentam privações materiais e seguem em frente, meu lado latino sofre com a falta de carinho. Com a falta de toque, de abraço, de palavras acolhedoras. Para mim, deve existir um meio-termo entre rigidez para educar e prosperar e acolhimento para fortalecer a autoestima.

Outro ponto que me chamou atenção no filme são as cores verdes e azuis. Lindas. Principalmente quando em contraste com o sangue de vermelho-vivo…

Poderia escrever páginas sobre este filme. Sugiro que você assista e também se questione.

“Garota exemplar”

Essa é uma resenha difícil de escrever. Qualquer palavra fora do lugar pode significar um spoiler que estraga a aterrorizante experiência que é ler “Garota exemplar”, de Gillian Flynn. Eu, por exemplo, quero matar a vendedora da Livraria da Vila que deu um baita fora e estragou uma das melhores surpresas do livro.

Não é um livro tranquilo de ler. Primeiro você prefere um dos personagens, depois o outro e, em um dado momento, não gosta de mais ninguém. Sua cabeça fica confusa. Brota um suor de nervosismo nas palmas das mãos. Confesso que tinha horas que me dava medo saber o que iria acontecer nos próximos capítulos.

Não é um livro de terror. É a história de duas pessoas em um casamento. Ou Um casamento de dar medo.

Nick Dunne é um jornalista bonitão casado com uma garota linda e divertida. Ambos perdem o emprego. Decidem recomeçar a vida na cidade natal de Nick, no meio do nada, em Missouri. Para trás ficaram a vida agitada de Nova York, o luxo, o sorriso. Entra em cena cuidados com a mãe doente, o pai abusivo, a falta de grana, a destruição do encantamento entre os dois…

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

E é bem no aniverário de cinco anos de Nick e Amy que ela desaparece e uma cena de luta é descoberta na casa deles.  O marido declara-se inocente, mas certamente não age como tal. Os capítulos intercalam a narrativa de Nick e as páginas dos diários de Amy.

Um livro um tanto incômodo, não é para todos os gostos. Para quem quiser uma leitura original e nada conto de fadas, terá um belo suspense nas mãos.

“Amizade é o colchão da cama da gente”

Não basta eu colocar o link aqui. Eu TENHO que copiar a texto da Juliana, do blog Fina Flor. Porque ele é lindo demais. Porque ele fez eu querer abraçar cada um dos meus amigos. Porque ela é muito talentosa ao juntar palavras. Porque eu quero reler esse post mil vezes.

Eu acho que amizade é um evento. É uma coisa como a chuva.  A gente até sabe como a chuva acontece, sabe que tem algo a ver com pressão, ar, vento, ciclo, mas chuva é mesmo encantamento, aquela monte de água caindo do céu, enchendo tudo, molhando e deixando cheiro na terra e no asfalto. Não é sempre que paro pra prestar atenção na chuva, mas  quando paro, fico meio confusa pensando: meu deus, tá caindo água do céu! Não é incrível que caía água do céu? Eu acho incrível.

Amizade é feito chuva.  Tem algo a ver com o lugar onde você mora, quanto dinheiro você tem, que livros você lê, quem é a sua família. Tem a ver com o ano em que você nasceu. Tem a ver com condições favoráveis e ciclos. Mas se a  gente para pra pensar nada disso faz sentido. É coisa mais maluca você viver toda uma vida longe de alguém e , de repente ( não tão de repente como um passo de mágica, é um de repente mais processual), uma vida se encaixa em outra vida e uma pessoa passa ser como uma casa.
Amigo é uma casa. A gente deita no ombro na alegria e na tristeza. A gente se esconde entre os braços quando tudo pesa. A gente dança em torno do amigo pra celebrar. Amigo é pra onde a gente volta.
Eu não me canso de me deslumbrar com a amizade. É um afeto que não arde, não dói. Amizade é uma coisa macia. Amizade é o colchão da cama da gente.”

O que li de bom na Net – 3

Minha filha come bem, mas receitas para fazer criança comer verdura e legumes nunca é demais. Também serve para adultos que torcem o nariz para alimentação saudável.

Tem quem transforme o fim de um relacionamento num lindo texto.

Não há um escrito da Nina Lemos para a TPM que não me faça rir. Dessa vez, o food truck.

Quando eu descobri que um livro incrível talvez seja demasiadamente inspirado em um clássico.

Lista bacana sobre dez livros infantis que abordam os direitos humanos.