“O misterioso caso de Styles”

Acabei de renovar minha adoração pela Agatha Christie. Depois de dois livros mais ou menos, “O misterioso caso de Styles” me fez voltar antes do trabalho só para ler mais umas páginas.

Foto pro Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Eu ando me esforçando para não comprar mais livros. A resolução foi por água abaixo ao ver as lindas edições que a Ed. Globo Livros lançou de algumas das obras da Agatha Christie. Os livros são lindos demais para passar desapercebidos, então levei um deles para casa.

Esse é o primeiro livro publicado da dama do crime. Nesta edição, há um interessante prefácio que conta um pouco sobre como foi o processo de aceitação da história para publicação. O editor pediu que Agatha mudasse o final. Ao invés de solucionar o crime no tribunal. Poirot reúne os suspeitos na sala – cena essa que se repete em várias histórias e que se tornou icônica. Ao ler a versão original, tiro meu chapéu ao editor: ficou bem mais original a história como publicada.

A senhora proprietária da mansão de Styles sofre convulsões e morre na madrugada. O médico que a examina dá uma notícia que surpreende os demais moradores: ela foi envenenada. Por acaso, o visitante Hastings conhece um famoso detetive belga, Monsieur Poirot, que é chamado para desvendar o homicídio. Dentre os suspeitos, estão o novo marido da falecida, seus enteados, a esposa de um deles, uma mocinha que foi acolhida pela família e os empregados. Só que o quarto estava fechado por dentro… Como poderia o crime ter sido cometido?

(Aqui ouçam o som de palmas de empolgação!)

Selfie por Júlia A. O.

Selfie por Júlia A. O.

Feliz 1 aninho, minha filha!

Minha querida filha,

Confesso que estou em estado de choque que você já está fazendo 1 ano.

Foi outro dia que meus pais me levavam na escola. Foi outro dia eu era solteira e saía todo final de semana com minhas amigas. Foi outro dia que me casei. Foi outro dia que vi minha barriga crescer. Foi outro dia que ver sua carinha foi a maior emoção da minha vida. Foi outro dia que eu chorava de aflição porque você não mamava. Foi outro dia que chorei ao ver seu primeiro sorriso. Foi outro dia que o fato de você conseguir se desvirar foi a conquista do mês. Foi outro dia que você começou a comer outras coisas além de leite e a gente não parava de rir da sua careta. Foi outro dia que você aprendeu a sentar. Foi outro dia (literalmente) que você aprendeu a mandar beijos, engatinhar, brincar, andar segurando nos móveis.

Como pode ter passado tão rápido? Como pode eu ainda não ter me acostumado com o fato de que sou mãe? Como pode você ter preenchido de tal forma a minha vida que meus olhos se enchem de lágrimas quando penso na última travessura, conquistas ou sorriso que você deu? Como pode ver você rindo com seu pai encher tanto meu coração? Como pode eu, tão medrosa com mudanças, enfrentar com você as fases de quem está começando a conhecer o mundo? Como pode eu nunca mais ter dormido a noite inteira tranquilamente e não ter virado uma chata?

Como pode a combinação de genes, destino e milagre ter criado essa criaturinha que eu amo até doer?

Feliz aniversário!

Mamãe

“Das coisas esquecidas atrás da estante”

Na minha fase “secretamente queria ser amiga da Clarah Averbuck”, penei até encontrar seu livro “Das coisas esquecidas atrás da estante”.

Foto por Júlia Antunes Oliveira

Foto por Júlia Antunes Oliveira

Uma vez de posse do livro, demorei uns dias para começar a ler, com medo que a imagem de moça independente-inteligente-um pouco revoltada-gênio sofredor que eu tinha dela se desfizesse. A nossa imaginação sempre é mais fértil que a realidade, não é?

Com muitos respiros de alívio, a leitura manteve a experiência de ouvir a voz de Clarah na minha cabeça – ela escreve sem pretensão de ser culta, mas de um jeito que faz você sentir que está dialogando com uma amiga.

Agora, já adulta, imagino se gostaria do livro. Se todo aquele sofrimento em volta de amor, sexo, solidão, “qual é meu lugar no mundo?” faria sentido. Pois uma coisa é ser jovem e identificar-se com os questionamentos aparentemente intermináveis. Outra é ser finalmente adulta e segura de si. Talvez eu encarasse o livro com nostalgia.

Não sei.

Só sei que quando o li, no comecinho dos meus vinte anos, foi como encontrar uma amiga cool para uma noite de vinho e choramingos.

Visita ao Templo Zulai

O budismo exerce atração em mim pelos ensinamentos de simplicidade, equilíbrio, generosidade. Mas, já tendo minha religião, encaro-o mais como uma filosofia.

Além disso, visitar templos budistas tem sido uma nova e interessante descoberta. Já conheci alguns na China, Butão e Nepal. A maravilha da experiência não pôde ser recriada no Brasil, pois muitos outros aspectos a completam, como estar num país tão diferente do meu, a magia de se estar viajando, as pessoas ao redor, etc, etc.

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Ainda assim, foi bem bacana conhecer o templo budista Zulai, em Cotia. Demos a sorte de ver cerejeiras em flor (não tem árvore florida mais linda!), de respirar ar puro e de sair um pouco da rotina corrida da nossa amada São Paulo.

De carro não é difícil de chegar e há uma grande área para estacionamento. No site há explicação de como ir de ônibus.

Além do templo, há agradáveis áreas arborizadas e até um laguinho, com ponte e tartarugas!

Alguém também adorou as cerejeiras! Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Alguém também adorou as cerejeiras!
Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Vá lá: Estrada Municipal Fernando Nobre, 1461 (Km 28,5 da Rodovia Raposo Tavares)

Exposição OSGEMEOS

Os irmãos grafiteiros osgemeos ultrapassaram a barreira da clandestinidade do grafite para se tornarem artistas de renome internacional. Eu ADORO seus bonecos amarelos, com uma brasilidade inegável.

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

No Galpão Fortes Vilaça (que eu não conhecia e agora fui em minha segunda exposição lá), os irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo expõe o trabalho “A ópera da Lua”. A maioria das peças é inédita e há tanto desenhos que remetem à delicadeza, aos sonhos, como aquelas de crítica social. Um trabalho incrível dessa dupla que me faz sorrir toda vez que dou a sorte de encontrar um grafite pela rua antes que, infelizmente, a recente administração municipal apague.

O único porém da exposição é que, por eles serem famosos, o ambiente fica muito cheio. Eu não curto aquela multidão que te impede de ver o trabalho com calma. Eu fico tensa por não poder apreciar devagar; por estar na frente de alguém, atrapalhando sua visão; por ter todo aquele ruído que impede a contemplação detalhada. Se você puder, recomendo ir durante a semana.

Vai até 16/08.

Revista do Jamie Oliver

Quem me conhece sabe do desastre que eu era na cozinha. É piada recorrente o dia em que estávamos no churrasco, me ofereci para ajudar e quando me pediram para fazer o vinagrete, olho em desespero: “não sei picar uma cebola!”.

Fui empurrando minha inabilidade o quanto tempo me foi possível. Quando eu estava poucos meses de me casar, bateu um desespero! “como vou ter minha casa se não entendo nada de cozinha?”

Minha mãe até tentou, mas eu fugia das aulas domésticas. Até que me matriculou em um curso de comidas “básicas”, do dia-a-dia, e perdi o medo.

Se eu cozinho atualmente? Raramente. Mas pelo menos sei o que comprar no supermercado! Ha!

O que me falta é criatividade. Daí que os livros de culinária são extremamente necessários para que não tenhamos todo santo dia arroz, feijão, legume e carne/frango grelhado.

Foto por Júlia Antunes Oliveira

Quando fui visitar meu irmão em Londres, em 2010 e 2011, não somente eu fiquei alucinada com os restaurantes do Jamie Oliver (ingredientes mais frescos não há!), como tive a sorte de poder comprar várias revistas do chef. A “Jamie Oliver magazine” tem fotos e-s-p-e-t-a-c-u-l-a-r-e-s e receitas sempre saborosas do engajado, fofo e talentoso cozinheiro.

Para quem lê em inglês ama cozinhar e está bem das finanças, pode ser assinante da revista! Acabei de descobrir que entregam no Brasil:

https://jamie.subscriptions-mps.co.uk/Subscription/Personal

Ou você poder viajar várias vezes para Londres. ;-)

Ou, mais barato, acessar o super completo e divertido site do Jamie Oliver:

http://www.jamieoliver.com

Fotos por Júlia Antunes Oliveira

Fotos por Júlia Antunes Oliveira

“Sonhos de Einstein”

Se seu cérebro está precisando de exercícios moderados, sugiro “Sonhos de Einstein”, de Alan Lightman.

Lá se vão mais de 10 ou 15 anos que li o livro, mas ainda me lembro como eu fiquei completamente perdida no começo, com tantas ideias sobre o tempo. Tempo circular, futuro invisível, tempo parado para petrificar a felicidade… Conceitos que não são óbvios, que exigem que você coloque as engrenagens da cabeça para rodar e compreender a relatividade do tempo.

Como o título diz, Einstein é o personagem principal, ainda que pouco apareça. São poucas dezenas de pequeninos contos, que nos trazem a ciência com gosto de romance ficcional. Uma beleza de livro. Ele é pequeno e engana pela profundidade e grandeza de seu conteúdo.

Não sei bem como esse livro foi parar nas mãos de minha mãe; o que importa é que ela compartilhou comigo os supostos sonhos do cientista quando jovem. Sonhos de quem se questiona, e filosofa, e faz experimentos, e estuda, e nos tira da banalidade.

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira