Top 5 favoritos – maio

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Top posts de maio

Foto por Júlia A. O.

3 mentiras ao dia” – todo mundo mente, todo dia. Será?

Palácio de inverno” – uma boa escolha para o desafio literário de maio

Este filme devia ser obrigatório na escola brasileira” – filme nacional que deveria ser orgulho nacional

Jogos vorazes” – eu também virei uma aficionada

Hippie atual?” - sonzinho bom de Alela Diane

Sessão da tarde para a terceira idade

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Aposentados ingleses partem para a Índia, iludidos pela promessa de passar seus últimos anos em um belo hotel. A realidade exótica e a decadência do hotel não é o que eles esperavam. Só que muitas vezes a realidade supera a expectativa, se você se deixar levar pelas novas experiências, prega o filme.

exotico hotel marigold“O exótico Hotel Marigold” é, no fundo, um filminho de sessão da tarde para a terceira idade. Lá estão todos os elementos: variados personagens, romance, tranformação, momentos engraçadinhos, mensagem alto-astra e piegas.

Pergunto-me o que atores e atrizes incríveis como Judi Dench enxergaram ao aceitar participar deste filme. Será a chance de se envolver com algo mais leve do que normalmente fazem? Uma boa desculpa para conhecer a Índia? Discutir, ainda que de modo bem superficial, a questão de como preencher o tempo da aposentadoria?

Vale a pena assistir se você souber de antemão o que esperar da película.

Dias de fúria

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Tem dias em que uma verdadeira avalanche de fúria cresce dentro de você. Não é um mero mau-humor ou raiva de alguma pessoa ou acontecimento específico.

Não. Nestes dias você tem vontade de agredir fisicamente as pessoas. Ou de, no mínimo, ser dotado de um poder de visão a laser, para fritar qualquer desavisado que cruze seu caminho.

Tudo, absolutamente tudo faz o sabor de bile subir à boca. Tanto palavras grosseiras como carinhosas tem o mesmo impacto: por que esta pessoa não se cala, pensa o ser furioso que você não reconhece como você mesmo e ainda assim te domina.

Nestes dias terríveis, poupe os livros, filmes e músicas, que não terão nenhum poder de diversão. E poupe, principalmente, as pessoas. No dia seguinte, quando a fúria passar, o estrago pode ter sido irremediável.

Dê um soco no travesseiro e durma cedo.

Hippie atual?

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A primeira vez que ouvi Alela Diane & the wild divine, juro que tive a sensação de  encontrar um disco perdido dos meus pais. Imaginei um grupinho hippie, numa casa em um bosque qualquer, curtindo o momento e olhando uma bela fogueira.

Quando voltei dos meus delírios, prestei atenção no cd e adorei! Não é o tipo comum de música que me anima, o que demonstra a qualidade da artista de atingir um público mais acostumado com música pop do que folk.

Achei ainda mais graça quando li que os integrantes de sua banda são seu marido e pai!

Se você quer músicas calmas, mas melodiosas, para curtir a natureza ou somente relaxar, que tal conhecer Alela Diane?

Dica da amiga (Giovana Romani)

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Livro: A Visita Cruel do Tempo, de Jennifer Egan

Gênero: romance

Tema: O título não faz mistério. Sim, o tempo é inexorável. E cruel. Mais para uns, menos para outros. Mas cruel. É o que comprova Jennifer Egan ao contar a história de Sasha, a assistente cleptomaníaca de Bennie, um executivo da indústria fonográfica cujo melhor amigo de adolescência, Bosco, relançará sua carreira musical em uma turnê suicida na companhia de Jules Jones, jornalista promissor acusado de abusar de uma jovem atriz. Esses são apenas alguns dos personagens que têm momentos marcantes de suas vidas registrados na narrativa caleidoscópica da autora norte-americana. De 1970 a 2020, de São Francisco a Nova York, a obra retrata com maestria os difíceis efeitos da passagem do tempo.

Por que vale a pena ler: Pela obra, Jennifer Egan, de 49 anos, jornalista especializada em música, levou o prêmio Pulitzer 2011 e elogios rasgados da crítica especializada. Os motivos? São vários. Para começar, vale citar as dezenas de personagens interessantes que se tornam protagonistas ocasionais ao terem momentos marcantes de suas vidas detalhados em um ou mais capítulos. Só isso já permite à autora traçar um painel completo dos costumes e da cultura pop das últimas décadas – e da futura, já que o livro se passa até cerca de 2020 (!).

A técnica narrativa também surpreende. Ao longo dos 13 capítulos, a escritora vai e volta no tempo e mostra os personagens sob diversos pontos de vista (devido à polifonia, ela mesma já classificou o romance como um “ciclo de contos”). Escreve ora em primeira pessoa, ora em terceira, ora em segunda (sim, segunda, algo muito difícil de ser feito). Há ainda uma reportagem jornalística, narradores oniscientes e até um capítulo inteiro em forma de slides de PowerPoint que revelam o que se passa na cabeça de uma menina de doze anos. Tanta inovação na forma, porém, não se sobrepõe ao conteúdo. Muito pelo contrário, o conjunto conquista, seduz e instiga o leitor.

Outro ponto digno de mérito é a própria temática do romance contemporâneo. Com inspiração assumida em Em Busca do Tempo Perdido, de Proust, o livro aborda um assunto aparentemente batido, a passagem do tempo, de modo sublime e intenso. Confrontado com as perspectivas do passado, o presente e o futuro parecem um tanto frustrantes. Cada virar de página desperta novos questionamentos em nós, leitores. Eu me tornei a pessoa que gostaria de ser quando mais jovem? Tenho controle sobre o que virá pela frente? Como as ações de hoje influenciarão na minha velhice? Terei filhos rebeldes? Tímidos? Será que vou me divorciar? Uma pequena ação hoje pode mesmo mudar tudo amanhã? São muitas perguntas de respostas difíceis. Uma delas, pelo menos, o livro tem: o futuro faz de nós pessoas muito diferentes do que planejávamos. Mas, em alguns casos, tal prerrogativa não é necessariamente ruim. Ainda bem.

Comida gostosa em ambiente de “menina moderna”

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Já fazia tempo que eu queria conhecer o novo restaurante da chef Carla Pernambuco. Como sabia que o ambiente era um tanto “girlie”, estava poupando o marido de programas mulherzinhas (que ele normalmente vai sem reclamar, mas não é bom forçar a barra!).

Com essa determinação na cabeça, convidei uma amiga para almoçarmos no Las Chicas. O ambiente é, sim, feminino, mas também moderno. Os rapazes não se sentirão acuados, principalmente se não prestarem atenção nos detalhes (que são umas graças).

O que vale a visita é a comida, muito bem preparada! Lá se servem comidinhas (quiches e saladas) o dia todo, um café-da-mahã gostoso e – o que nós provamos – um delicioso buffet no almoço. Variado, saboroso, de encher os olhos e a boca. Por ser o “restaurante-garagem” pequenininho, melhor fazer reserva ou arriscar um horário alternativo.

Las chicas restaurante

Foto tirada do facebook do restaurante

Estou louca para voltar e experimentar as sobremesas.

Vá lá: R. Oscar Freire, 1607, Pinheiros.

“Jogos vorazes”

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Digam-me: é normal uma pessoa sair desesperada antes do shopping fechar, para comprar o segundo livro de uma trilogia, porque simplesmente não PODE esperar o dia seguinte?

Se mais alguém foi possuído por “Jogos vorazes”, vai entender. Digo possuído por que é a única palavra para descrever a loucura a que cheguei. Estou no momento tentar controlar os efeitos nefastos do vício, porque só ontem li 130 páginas do segundo livro e assim a diversão logo acabará!

Suzanne Collins escreveu o livro para o público jovem, ou, na linguagem mais utilizada nos EUA, young adults (jovens adultos), expressão que eu prefiro. E, como aconteceu com J.K. Rowling (‘Harry Potter”) e Stephenie Meyer (“Crepúsculo”), o livro caiu no gosto de outras faixas etárias, transformando a trilogia num sucesso mundial.

Não sem razão. O livro é viciante mesmo! Alguns dizem não ser a ideia mais original (algo parecido já foi explorado em outros livros e filmes). Não importa: o desenvolvimento da história te prende e você se vê querendo ler “só mais um pouquinho” antes de dormir…

Foto por Júlia A. O.

Como já contei quando assisti ao filme (e percebi que gostaria de ler o livro), a América do norte foi destruída por desastres naturais, seguida de guerras, sendo criado um novo Estado, Panem. A Capital controla os outros 12 distritos, de modo a impedir que uma nova rebelião ocorra. A Capital, rica e poderosa, criou um reality show tanto para entreter os seus habitantes, como para relembrar os distritos de sua força.

Neste reality show, 2 jovens (um de cada sexo) de cada distrito é sorteado e jogado numa arena para lutar até a morte. Quem sobreviver, sairá vitorioso dos Jogos e levará uma vida mais confortável.

Katniss, do paupérrimo Distrito 12, oferece-se no lugar de sua irmãzinha sorteada. Junto com ela, é sorteado Peeta, garoto que ela só conhece de vista, mas com quem possui uma dívida. Na luta pela sobrevivência não há lugar para sentimentos, só para fugir e matar.

Agora dá licença que vou ler mais um pouco……..

Este filme devia ser obrigatório na escola brasileira!

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Como a gente conhece pouco nosso país! Talvez seja uma característica (ruim) da minha geração e das mais novas, mas a verdade é que nos interessamos pouco por nossa história e poucos nos é oferecido, o que alimenta o círculo vicioso. Quase nada sabemos de nossa geografia social e dos povos que estavam no país antes mesmo deste pedaço de terra se chamar Brasil!

Xingu filmeO filme “Xingu”, de Cao Hamburger, deveria fazer parte do currículo escolar brasileiro. Uma das razões é mostrar paisagens naturais, lindamente capturadas. Outras é mostrar a excelência de certas produções nacionais – o que pode estimular o fortalecimento de nossa indústria cinematográfica.

A principal, razão, entretanto, é a aula de história com que “Xingu” nos brinda. História dos índios, do desbravamento do interior do Brasil, de culturas singulares das quais pouco sabemos, de outros modos de organizar a sociedade, de decisões políticas que afetam uma enorme gama de pessoas.

E também uma história de coragem. De não seguir o caminho fácil que a sorte na vida ofereceu aos irmãos Villas-Boas.

Que pessoas esplêndidas devem ter sido esses três irmãos! Orlando, Cláudio e Leonardo possuiam seus defeitos, como qualquer ser humano. O que não prejudica – pelo contrário, intensifica – a história que construíram. As populações indígenas salvas do inexorável avanço do “homem branco” em terras desconhecidas. A decisão de viver uma aventura transformada em meta de vida. A curiosidade de explorar o desconhecido, a sensibilidade de compreender as diferença e de não julgar, a coragem de tentar preservar os índicos da chamada “civilização”.

Um filme magnífico.

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