“Cordilheira”

O mundo parecia conspirar para eu ler “Cordilheira”, do Daniel Galera. Referências ao livro ou à coleção na qual ele está inserido (“Amores expressos”, da Cia. das Letras) pipocavam por aí. Melhor me render.

E valeu a pena?

Sim e não. Para tantas indicações que me fizeram decidir por fazer esse livro pular para o topo da imensa lista de leituras, não foi um amor para a vida. Está mais para uma paixonite de inverno.

Por outro lado, que refresco entrar em um mundo jovem e atual! Se eu ignorasse os arroubos de maluquice dos personagens, poderiam ser pessoas que cruzaram meu caminho. Além disso, a linguagem é moderna ao ponto de eu sentir que a história estava acontecendo agora mesmo.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Anita não sabe muito bem o que quer da vida aos trinta anos. Na verdade, ela quer ter um filho e ficar em casa. Suas ambições terminaram ao escrever um livro de sucesso anos atrás. A tentativa de suicídio de uma amiga e o rompimento com o namorado a levam a sair da inércia e viajar para Buenos Aires. A edição argentina de seu livro contará com uma festa de lançamento e a editora a convidou para participar. Até aí a história parece ser a das dificuldades sobre crescer, ser adulto, etc.

Na capital portenha, Anita se envolve com um argentino e seu grupo de amigos. E é nesse ponto que a história fica interessante: esse pessoal leva muito a sério a literatura. Ao ponto de misturar ficção e realidade em suas próprias vidas. Fiquei muito curiosa para ver aonde Daniel galera ia levar essa narrativa. E gostei bastante do resultado.

 

Quando não tem erro

Eu SABIA que iria gostar do filme. Só não sabia que iria AMAR o filme.

Li bem pouco sobre “O grande hotel Budapeste” antes de assisti-lo. Bastou ver fotografias de cenas, descobrir que o diretor era Wes Anderson (de “Moonrise kingdom“) e que tinha o Ralph Fiennes no elenco.

Já no comecinho da história, depois de me conformar com o fato de que havia uma pessoa muito cabeçuda na minha frente, os tons pastéis da filmagem já me fizeram suspirar. É um visual para lá de maravilhoso. Então entram diversos ótimos atores, em papéis pequenos, mas significativos, como Tilda Swinton como uma velhinha milionária e decrépita. Acrescente-se uma história talvez um pouco batida, mas contada de forma tão espetacular que você nem liga para isso. E, por fim, uma mistura de personagens que logo te conquistam, principalmente os que se tornam melhores amigos: o garoto que trabalha no lobby e o gerente do hotel.

Foto tirada do site cinema e muito mais

Foto tirada do site cinema e muito mais

Ah, e a história? No outrora fabuloso Grande Hotel Budapeste, em um país europeu fictício, um escritor recupera-se de uma doença. Sua curiosidade é atiçada quando o dono do hotel aparece e resolve contar como veio a ser o proprietário desta linda propriedade. Conhecemos, então, o competente gerente Gustave e o novo “lobby boy” Zero , como o primeiro se envolveu numa confusão pela herança de uma das ricaças que era sua amante, como o segundo o ajudou a sair dessa enrascada e o bando de outras pessoas interessantes, interesseiras e interessadas que cruzou o caminho dos dois.

Posso falar de novo que amei esse filme?

Contato humano x tecnologia

Essa semana fiz escolhas certeiras tanto no livro, quanto nos filmes. Viva!

Tem filme para todos os gostos. Hoje vou falar de “Ela”. Um baita filme.

Foto tirada do site qual e boa

Foto tirada do site qual e boa

O protagonista é um rapaz solitário, recém-divorciado e que conta com somente uma amiga. Sua profissão é escrever cartas poéticas como se fosse o contratante. Theodore (Joaquim Phoenix) adora tecnologia, como parece ser o caso da maior parte da população de Los Angeles, num futor próximo. E é nesse cenário que ele compra um sistema operacional de inteligência artificial, com a voz da Scarlet Johansson. O sistema é inteligente e consegue não só organizar a vida de seu “dono”, como mantém conversas como se fosse um amigo.

Como não se apaixonar por uma “pessoa” que te entende, não te julga, te faz rir, torna sua vida mais fácil, está disponível a qualquer hora, não te exige nada em troca? Ainda mais com a voz sexy da Scarlet? Theo não resiste e começa um relacionamento amoroso com o sistema operacional.

O filme, de lindas cores fortes, toca em questões muito atuais, como a relação do homem com a tecnologia e novas formas de amor, assim como não foge de questões universais, como a solidão. No começo do filme, fiquei boquiaberta com o fato de Theo se apaixonar por um programa de computador e ainda por cima contar para os outros.

Passado o choque, comecei a me indagar: será mesmo que estamos tão longe dessa situação? Não vemos um bando de gente que ama seu iphone, que morre de desespero quando ele quebra ou some, que prefere ficar mexendo em aplicativos ao invés de conversar olho a olho com uma pessoa real que está logo ali? Quantos amigos não param de prestar atenção no que você está falando para ver algo novo no instagram ou facebook? Que não consegue desgrudar da tecnologia nem nas férias?

E se a tecnologia avançar a um ponto de ser difícil a tarefa de separar o que é humano do que não é? Um amor por um ser de inteligência artificial é tão bizarro? E a solidão, o que vale para afastá-la?

Tantas e tantas questões passaram pela minha cabeça ao final desse filme divertido, tocante, melancólico, original, reflexivo e romântico.

“O misterioso caso de Styles”

Acabei de renovar minha adoração pela Agatha Christie. Depois de dois livros mais ou menos, “O misterioso caso de Styles” me fez voltar antes do trabalho só para ler mais umas páginas.

Foto pro Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Eu ando me esforçando para não comprar mais livros. A resolução foi por água abaixo ao ver as lindas edições que a Ed. Globo Livros lançou de algumas das obras da Agatha Christie. Os livros são lindos demais para passar desapercebidos, então levei um deles para casa.

Esse é o primeiro livro publicado da dama do crime. Nesta edição, há um interessante prefácio que conta um pouco sobre como foi o processo de aceitação da história para publicação. O editor pediu que Agatha mudasse o final. Ao invés de solucionar o crime no tribunal. Poirot reúne os suspeitos na sala – cena essa que se repete em várias histórias e que se tornou icônica. Ao ler a versão original, tiro meu chapéu ao editor: ficou bem mais original a história como publicada.

A senhora proprietária da mansão de Styles sofre convulsões e morre na madrugada. O médico que a examina dá uma notícia que surpreende os demais moradores: ela foi envenenada. Por acaso, o visitante Hastings conhece um famoso detetive belga, Monsieur Poirot, que é chamado para desvendar o homicídio. Dentre os suspeitos, estão o novo marido da falecida, seus enteados, a esposa de um deles, uma mocinha que foi acolhida pela família e os empregados. Só que o quarto estava fechado por dentro… Como poderia o crime ter sido cometido?

(Aqui ouçam o som de palmas de empolgação!)

Selfie por Júlia A. O.

Selfie por Júlia A. O.

Feliz 1 aninho, minha filha!

Minha querida filha,

Confesso que estou em estado de choque que você já está fazendo 1 ano.

Foi outro dia que meus pais me levavam na escola. Foi outro dia eu era solteira e saía todo final de semana com minhas amigas. Foi outro dia que me casei. Foi outro dia que vi minha barriga crescer. Foi outro dia que ver sua carinha foi a maior emoção da minha vida. Foi outro dia que eu chorava de aflição porque você não mamava. Foi outro dia que chorei ao ver seu primeiro sorriso. Foi outro dia que o fato de você conseguir se desvirar foi a conquista do mês. Foi outro dia que você começou a comer outras coisas além de leite e a gente não parava de rir da sua careta. Foi outro dia que você aprendeu a sentar. Foi outro dia (literalmente) que você aprendeu a mandar beijos, engatinhar, brincar, andar segurando nos móveis.

Como pode ter passado tão rápido? Como pode eu ainda não ter me acostumado com o fato de que sou mãe? Como pode você ter preenchido de tal forma a minha vida que meus olhos se enchem de lágrimas quando penso na última travessura, conquistas ou sorriso que você deu? Como pode ver você rindo com seu pai encher tanto meu coração? Como pode eu, tão medrosa com mudanças, enfrentar com você as fases de quem está começando a conhecer o mundo? Como pode eu nunca mais ter dormido a noite inteira tranquilamente e não ter virado uma chata?

Como pode a combinação de genes, destino e milagre ter criado essa criaturinha que eu amo até doer?

Feliz aniversário!

Mamãe

“Das coisas esquecidas atrás da estante”

Na minha fase “secretamente queria ser amiga da Clarah Averbuck”, penei até encontrar seu livro “Das coisas esquecidas atrás da estante”.

Foto por Júlia Antunes Oliveira

Foto por Júlia Antunes Oliveira

Uma vez de posse do livro, demorei uns dias para começar a ler, com medo que a imagem de moça independente-inteligente-um pouco revoltada-gênio sofredor que eu tinha dela se desfizesse. A nossa imaginação sempre é mais fértil que a realidade, não é?

Com muitos respiros de alívio, a leitura manteve a experiência de ouvir a voz de Clarah na minha cabeça – ela escreve sem pretensão de ser culta, mas de um jeito que faz você sentir que está dialogando com uma amiga.

Agora, já adulta, imagino se gostaria do livro. Se todo aquele sofrimento em volta de amor, sexo, solidão, “qual é meu lugar no mundo?” faria sentido. Pois uma coisa é ser jovem e identificar-se com os questionamentos aparentemente intermináveis. Outra é ser finalmente adulta e segura de si. Talvez eu encarasse o livro com nostalgia.

Não sei.

Só sei que quando o li, no comecinho dos meus vinte anos, foi como encontrar uma amiga cool para uma noite de vinho e choramingos.

Visita ao Templo Zulai

O budismo exerce atração em mim pelos ensinamentos de simplicidade, equilíbrio, generosidade. Mas, já tendo minha religião, encaro-o mais como uma filosofia.

Além disso, visitar templos budistas tem sido uma nova e interessante descoberta. Já conheci alguns na China, Butão e Nepal. A maravilha da experiência não pôde ser recriada no Brasil, pois muitos outros aspectos a completam, como estar num país tão diferente do meu, a magia de se estar viajando, as pessoas ao redor, etc, etc.

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Ainda assim, foi bem bacana conhecer o templo budista Zulai, em Cotia. Demos a sorte de ver cerejeiras em flor (não tem árvore florida mais linda!), de respirar ar puro e de sair um pouco da rotina corrida da nossa amada São Paulo.

De carro não é difícil de chegar e há uma grande área para estacionamento. No site há explicação de como ir de ônibus.

Além do templo, há agradáveis áreas arborizadas e até um laguinho, com ponte e tartarugas!

Alguém também adorou as cerejeiras! Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Alguém também adorou as cerejeiras!
Foto por Cristiano Cittadino Oliveira

Vá lá: Estrada Municipal Fernando Nobre, 1461 (Km 28,5 da Rodovia Raposo Tavares)