e assim seguimos…

Tem dias em que as crianças colaboram de manhã e chegam bonitinhas e bem-humoradas na escola,  monto um look bacana, cumpro meus prazos no trabalho, converso com meu marido por mais de 5 minutos ininterruptos, ligo para minha mãe, respondo os whats das amigas, organizo alguma coisa da casa, penso no jantar do dia seguinte, não me estresso com bobagem, dou risada, leio um pouco e durmo em um horário razoável.

Tem dias em que o caçula chega com o nariz escorrendo na escola, as outras mães mandam para o pic-nic da escola lindos biscoitos feitos por elas próprias com decoração natalina e minha mais velha leva um pacote de batata industrializada cheia de sódio e gordura hidrogenada que meu marido comprou às 10hs da noite porque eu já estava de pijama, não tinha nada na despensa ou na geladeira e não tínhamos pique em pensar em nada mais saudável, eu percebo que meu cabelo não é cortado há sabe-se-lá quantos meses, não dei conta das coisas do trabalho,  levei não uma, mas duas multas de trânsito (guardinha maldito, é óbvio que eu dei seta para mudar de faixa), dormi com uma lista de coisas pendentes piscando na minha cabeça e não conversei nada significativo com nenhum adulto.

Mas aí a filha mais velha fala que adora olhar seu rosto, o mais novo aprende a andar, o marido topa animado comprar (mais um!) quadro com temática oriental para a casa, a mãe manda recado para você pegar um casaco (ainda cuida de você!), o pai elogia a escola que você escolheu para seus filhos (a gente vira adulto mas ainda quer aprovação dos pais), o irmão faz uma piada que só você entende, uma amiga rouba um brigadeiro para você…

E assim seguimos.

 

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“Pequenas grandes mentiras”

Nem sempre um livro nos encontra na hora certa. Muitas vezes não estamos maduros o bastante para uma certa história (o que acredito que seja o que aconteceu comigo e com Elena Ferrante), pode ser que você não tenha vivenciado certa fase da vida para compreender o sentimento de um personagem… Não que seja necessário que você tenha a idade ou a vivência do personagem para amar um livro – porém, em alguns casos, a sua a fase da vida faz, sim, diferença na sua experiência como leitor.

E esse foi meu caso com “Pequenas grandes mentiras”, de Liane Moriarty.

pequenas grandes

Não fosse eu mãe de crianças pequenas que vão à escola, não compreenderia tão bem essa maluquice de muitas mães atuais de tomar conta de ABSOLUTAMENTE tudo o que acontece com a criança na escola. De tomar partido de tudo, de não deixar a criança resolver as questões por si só, de transformar uma comum questão infantil na III Guerra Mundial, como se o filho fosse o único ser importante na face da Terra.

Por estar inserida neste ambiente, eu me identifiquei muito com o ambiente em que a história das três mães se passam. Não que você tenha que ser “mãe-de-criança-pequena-que-vai-à-escola” para curtir este livro, que é uma ótimo entretenimento de qualquer forma. O que eu quis ressaltar é que muitas vezes a sua experiência na vida real afeta positiva ou negativamente sua leitura e neste caso ela deu um super realce!

“Pequenas grandes mentiras”, que virou até badalada minissérie na HBO, começa com uma morte em uma reunião de pais. A Autora é engenhosa o suficiente para que a sua curiosidade maior não seja tanto pela identidade do morto ou pela dinâmica do evento, mas sim em acompanhar as três personagens principais.

Temos Celeste, linda, rica, casada com um marido que a presenteia com jóias, com dois meninos gêmeos e uma casa deslumbrante. A vida perfeita. Só aparentemente perfeita.

Temos Jane, mãe solteira, recém-chegada na cidade, sem amigos e cujo filho – de meros 5 anos – é acusado de bater em uma coleguinha no primeiro dia de aula, mas o menino jura inocência.

E por fim, minha preferida, Madeline, uma filha adolescente do primeiro casamento, dois filhos do segundo casamento, aquela correria na casa, geralmente bem-humorada em cima de seu salto rosa, desde que não cruze com seu ex-marido, a quem ainda não conseguiu perdoar por tê-la abandonada com a filha pequena e – ai que raiva da menina! – a quem a menina prefere.

As três acabam se tornando amigas e o livro vai misturando diversas questões, como violência, maternidade (tão curioso ver que questões que acontecem na Austrália são iguais as do Brasil!), amizade…

Eu fiquei bem grudada na história, com minhas suspeitas sobre o autor do bullying (acertei!), sobre a morte do começo do livro (errei!), sobre o segredo de cada personagem… Pena que o finalzinho do livro tenha sido um pouco decepcionante.

Para ler de uma tacada só!

“A amiga genial”

Por amor a minha mãe, eu queria ter me juntado a ela – e às milhares (ou milhões?) de pessoas que se apaixonaram, que se viciaram, que grudaram na série napolitana da Elena Ferrante.

amiga genial

Foto por Júlia A. O.

A mágica não aconteceu comigo.

Eu passei a história inteira torcendo “agora eu vou gostar, vai ser agora que eu vou me apegar, acho que agora vai ser o momento da virada…”. E lá ia eu persistindo na leitura, me afeiçoando mais das duas amigas, torcendo para elas não fazerem escolhas erradas, compreendendo o estilo de Elena Ferrante escrever, percebendo o que teria feito minha mãe amado tanto a história.

E se minha vontade inicial de largar o livro passou, eu não cheguei ao amor. E como eu quis! Como eu quis sentir aquela vontade louca de espremer uns minutos na minha rotina louca para ler mais umas páginas.

Houve um momento em que eu achei que isso iria acontecer! Lá pelo final, quando Elena (a personagem, não a escritora) vai para a praia e fica alguns dias longe da boa/má influência da amiga Lila, eu me apaixonei por aquele capítulo. Pena que foi só um capítulo.

Não consigo entender o que foi que não me “pegou”. É uma história muito bem construída. Bem escrita. Palavras bem colocadas. Você não sabe para onde a vida das personagens principais, as amigas Lila e Elena, está indo. A relação das duas é ao mesmo tempo benéfica e maléfica e este é um tema interessante. A Itália, onde a história se passa, é um país interessante.

O que será aconteceu que eu acabei a leitura sem ter me decidido se encaro os demais 3 livros da quadrilogia? E com tristeza por não poder compartilhar deste amor com minha mãe?

Fiquei divagando e nem falei sobre a história do livro que, a essa altura, tamanho o sucesso dele, todos devem conhecer: na Napóles do pós-guerra, duas pré-adolescentes fazem amizade, uma relação complexa e que molda suas escolhas, neste ambiente de pobreza, violência e poucas escolhas para mulheres.

Atualmente eu estou…(2)

… lendo “A amiga genial”, da aclamada Elena Ferrante e me esforçando para gostar, já que o livro chegou a mim com tantas recomendações fervorosas da minha mãe.

… lendo, também, a tese de mestrado da minha amiga Flavia (e morrendo de orgulho dela!).

… tentando me ajustar a vida corrida de ter dois filhos. Trabalho em dobro, amor em quádruplo.

… ouvindo os últimos cds do Linkin Park, Ed Sheeran e Shakira (ouçam, ouçam, ouçam).

… assistindo “Downton abbey”  e me deliciando com cada cena da última temporada. Espero que seja verdadeiro o rumor de que farão um filme.

… aprendendo a inspirar e expirar calmamente no meio de um momento de “aimeuDeusnãovoudarcontadetudo”

Feliz aniversário de 6 anos, blog!

Hein? Seis anos?

Levei um susto. Como pode meu blog já ter tudo isso de tempo?

A gente era bem grudadinho e cheio de ideias no começo. Então vieram os filhos de carne e osso, que tomaram meu tempo (e meu coração, minha cabeça, minha conta bancária, praticamente quase todo meu ser!).

E o blog ficou de lado. Mas NUNCA ABANDONADO!

Venho aqui de vez em quando, escrever sobre algo que eu acredito que vale a pena dividir. Ou quando nem é algo tão interessante, mas aconteceu de eu me ver num momento em que eu pude achar tempo para escrever.

Então, meu blog querido, desejo que a gente continue por aqui, com mais ou menos frequência, mas SEMPRE com o mesmo amor pela leitura. Isso não diminui com nenhuma mudança na minha vida.

Ler é parte de quem eu sou. ❤