Começar 2016 no desapego

Na “nóia” (só essa palavra descreve meu estado) de me desapegar que se seguiu à “A mágica da arrumação” (depois faço um post contando a experiência reveladora que se seguiu a este livro), comecei a refletir que precisava me desapegar não só de objetos. Na lista deveriam estar inclusas pessoas, hábitos, atividades… É meu projeto para 2016, me desapegar do que/de quem não funciona mais ou que, ainda que seja legal, não cabe mais no tempo que tenho disponível.

Bem nessa pegada é o texto da Elizabeth Gilbert, cuja tradução li no blog Microclima.

Vale a pena ler mil vezes e refletir mil e uma.

 

EU AMO VOCÊ, MAS ESTOU ME DESPEDINDO

Quantas vezes, na sua vida, você precisou dizer essa frase?

Você precisa dizê-la mais uma vez?

Não estou falando de despedir-se de um relacionamento, mas de despedir-se de coisas que você ama, mas que estão lhe impedindo de seguir o caminho que você precisa seguir.

Você pode amar cigarros, por exemplo, e saber que eles não estão lhe ajudando em nada.

Você pode amar a sua cidade natal e, ao mesmo tempo, saber que precisa ir embora.

Você pode amar a sua casa e saber que ela é muito grande para você.

Você pode amar as pessoas com as quais trabalhou durante dez anos, mas talvez seja a hora de se despedir delas e começar a procurar um novo emprego.

Você pode amar sair para tomar uns drinques com os amigos no final do dia, mas você sabe que isso lhe deixará muito cansado para se dedicar às suas paixões pelo resto da semana.

Na turnê de Big Magic, no final das apresentações, perguntei ao público sobre as coisas para as quais eles precisam começar a dizer “não” para, assim, obter mais tempo e energia para as coisas que realmente querem fazer.

Percebi que o principal motivo pelo qual as pessoas não estão exercitando a própria criatividade é que elas não têm tempo ou energia para isso – especialmente depois de gastarem toda a sua energia com os outros.

Há algum tempo, enquanto eu estava lutando para me tornar escritora, uma senhora muito sábia me perguntou, certa vez: “De que você está disposta a desistir para ter a vida que você diz que quer ter?”.

Respondi que ela tinha razão. “Eu realmente preciso começar a aprender a dizer não para as coisas que não quero fazer.”

Ela me corrigiu: “Não. É um pouco mais complicado que isso. Você precisa aprender a dizer não para as coisas que você QUER fazer, sabendo que a sua vida é uma só, e você não tem tempo e energia suficientes para dar conta de tudo”.

Foi então que parei de assistir TV. (Não se preocupem, já voltei a assistir TV!) Durante alguns anos, nos meus vinte e poucos, quando estava tentando desesperadamente descobrir como escrever melhor e me tornar uma autora publicada, tive de dizer à TV: “Eu amo você, mas estou me despedindo”.

Porque eu sabia o que queria fazer (escrever) e sabia como queria fazê-lo (alegre e energicamente)… então comecei a me despedir de muitas coisas.

Você ficaria chocado se eu lhe contasse algumas das coisas às quais tive de dizer não. Oportunidades maravilhosas. Aventuras deslumbrantes. Experiências divertidas. Chances de conhecer pessoas incríveis. E alguns convites para uns drinques com amigos durante a semana (e nos finais de semana também).

Eu adoraria ter podido fazer todas essas coisas, mas sou uma só. Sabia o que queria fazer de verdade na minha vida, e sei o que é preciso para manter o foco e a dedicação.

Repitam comigo: “Eu amo você, mas estou me despedindo”.

Não sei de que você precisa se despedir para começar a viver a vida que diz que quer viver.

Mas creio que, talvez, você saiba.

Já está na hora?

LG

“Miniaturista”

miniaturista

Foto por Júlia A. O.

Sabe quando você fica esperando aquele momento do livro em que você será fisgado pela história? E quando ele só acontece nas páginas finais? Um tanto decepcionante, não?

Essa foi a experiência com “Miniaturista”, de Jessie Burton.

A história é boa e eu racionalizava que logo eu estaria tão presa a ela que correria para pegar o livro. Infelizmente, faltavam poucas páginas quando eu percebi que certa expectativa minha não seria preenchida e que era melhor eu me focar em outro aspecto da história, correndo o risco de, não mudando o foco, desgostar da leitura.

Na rica Amsterdã do século XVII, Petronella (ou Nella) é uma garota de dezoito anos que saí de sua cidade do interior para se casar com o rico comerciante Johannes Brandt. Como o casamento foi arranjado, costume da época, ela não sabia o que encontraria na sua nova casa.

Com o que ela se depara? Um marido ausente, uma cunhada rígida e desagradável, uma criada intrometida e um empregado negro, algo que ela nunca havia visto em sua vida. Os dias passam desanimados até que ela ganha de seu marido uma gigantesca casa de bonecas. Para preencher o tempo e desfrutar do presente, Nella encomenda algumas miniaturas. Só que tais miniaturas parecem prever o futuro. A garota fica assustada, fascinada e confusa com a mensagem que parece lhe estar sendo transmitida por meio dos pequenos objetos.

Digam se a sinopse não é empolgante? E que não eleva as expectativas às alturas?

“A abadia de Northanger”

Adoto todos os filmes baseados nas obras de Jane Austen. E já havia lido “Razão e sensibilidade” para ter a certeza em minha cabeça de que a acho incrível, revolucionária para época, além de ser exatamente o tipo de história de amor que me faz suspirar. O problema é que fazia tanto tempo que eu havia lido sua obra mais famosa, que já não me recordava se havia gostado da escrita da autora inglesa…

Uma linda capa rosa me chamou a atenção. “A abadia de Northanger”. Nome promissor. “Jane Austen”. Boa! Já para minha casa!

abadia

(foto por Júlia A. O. – filtro #acolorstory)

Este livro é uma de suas primeiras obras, porém somente foi publicado décadas após ter sido escrito. Na nota explicativa no começo do livro, a própria Jane desculpa-se caso haja alguma imprecisão dado o tempo transcorrido (o que para uma pessoa do século XXI não é perceptível) e afirma desconhecer os motivos pelos quais alguém compraria os direitos de sua obra para não publicá-la de imediato.

Talvez por ser uma de suas primeiras incursões na arte de escrever um livro e ela ainda estar aprimorando sua técnica, pareceu-me que o final veio apressado, como se faltassem algumas páginas entre o clímax e o desfecho. Feita esta ressalva, a história é uma delícia de ler e o livro foi devorado em poucos dias.

Catherine é uma menina ingênua, curiosa e leitora voraz de livros góticos. É convidada a passar uma temporada em Bath, cidade que lhe apresenta diversões até então desconhecidas, como teatro e dança, assim como lhe traz novos amigos.

Convidada pelo pai de um deles a conhecer sua propriedade, a Abadia de Northanger, Catherine vibra com a ideia de desvendar mistérios em uma construção gótica semelhante àquelas que vê reproduzida nos seus amados livros.

Pena que a realidade não se igual aos livros… Os assuntos do coração, por outro lado, a farão perceber que a vida fora dos livros pode ser tão ou mais recompensadora que aquele da ficção.

No estilo de “Match Point”

Ano passado Woody Allen tinha me decepcionado com “Magia ao luar”. Esse ano, porém, ele recuperou a boa forma.

“O home irracional” segue a mesma linha do inigualável “Match Point”, com questionamentos de se o crime compensa. Li muitas críticas comparando os filmes e dizendo que o atual sai perdendo. Concordo com que “O homem racional” não se iguala a “Match point”. Nem por isso deixa de ser um ótimo filme, em que me percebi dando risinhos de nervoso.

home irracional emma stone

Joaquim Phoenix é o professor universitário Abe Lucas, que chega a uma pequena faculdade carregando depressão e fama, em iguais medidas. Ele se envolve primeiramente com uma professora de sua idade e depois com uma aluna. Sempre existem mocinhas que curtem esse modelo de homem pessimista e má companhia. Mesmo com tantas distrações, Abe não vê sentido em viver. Ele filosofa demais. Sua apatia é curada com uma questão envolvendo homicídio.

Não vou além para não estragar a surpresa. E alguns reclama que Woody Allen se repete, pois eu respondo: que ele se repita mesmo, se for para nos trazer um bom filme como este! Vida longa ao neurótico diretor!

Top 7 livros – 2015

lendo-na-praiaOlá!

Feliz Ano Novo!!! (ainda é dia 12/01, posso desejar feliz ano novo, não?)

Na correria típica do fim do ano – que em 2015 foi superior ao que costuma ser – acabei não fazendo minha listinha das top leituras de 2015.

Em geral minha lista contempla os 10 melhores. Infelizmente, meu número de leituras em 2015 não foi muito alto; foram só 13 livros, motivo pelo qual me pareceu mais adequado reduzir a lista dos preferidos.

Assim, sem mais delongas, trago a lista dos 7 livros que mais me emocionaram/divertiram/fizeram pensar em 2015:

1 – “O pintassilgo“, de Donna Tartt: reune todos os elementos de uma história grandiosa

2 – “A noiva fantasma“, de Yangsze Choo : é um pouco juvenil e é um monte de diversão

3 – “O tempo entre costuras“, Maria Dueñas: um presente que me encantou

4 – “O nome do vento: primeiro dia“, de Patrick Rothfuss: fantasia que te faz mergulhar em outro mundo

5 – “Sobre homens e lagostas“, de Elizabeth Gilbert: marido acertou no presente

6 – “O gigante enterrado“, de Kazuo Ishiguro: melanolia bem-vinda

7 – “Um lugar perigoso“, de Luiz Alfredo Garcia-Roza: o delegado Espinosa sempre cai bem

 

E que 2016 venha recheado de histórias maravilhosas – dentro e fora das páginas do livro!

 

 

“O pintassilgo”

Quanto tempo se passou desde que li “A história secreta”, de Donna Tartt? Não me lembro… Tanto, mas tanto tempo que não me lembro da história. O que restou é a sensação de que foi uma leitura sensacional, amedrontadora, única.

E então nunca mais ouvi falar da autora.

Até o sucesso de vendas e prêmio Pulitzer de “O pintassilgo”.

Uma amiga que – após anos de convivência – me conhece bem, presenteou-me com esse livro no meu aniversário deste ano. É um livrão de mais de 700 páginas, o que requer que você esteja no estado mental correto ao iniciar a leitura.

Então você é tragado pelas cenas criadas por Donna Tartt, que não se reproduzem somente em imagens na mente do leitor, mas também no som, no cheiro, na textura.

O livro é incrível assim!

Theo Decker tem treze anos quando sofre um atentado terrorista em Nova York, no qual perde sua amada mãe. Ele fica à deriva, primeiro com a família de um amigo, depois com o pai e sua nova namorada em Las Vegas. Esse período com seu pai tem forja, mais do que a perda da mãe, o que ele se transforma: álcool, drogas, pequenos crimes, desperdício de sua inteligência, más companhias, falta de amor próprio…

Como mãe, me afligiu demais pensar em minha filha sem um suporte emocional, financeiro e moral. Por sorte, na eventualidade de eu não poder estar presente enquanto ela crescer, há várias pessoas que a guiariam pela vida.

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Há um elemento importantíssimo na história que não quero contar porque é das grandes graças d´”O pintassilgo”. E isso tem a ver com a Arte. Com o fato de que uma criação humana pode nos tocar de tal forma que gera emoções que procuramos repetir.

Por que a gente se maravilha com quadros, esculturas, construções arquitetônicas e demais manifestações da Arte? Por que a gente se apega a um objeto que não tem valor sentimental e sim pelo fato de que ele te fala ao coração?

Há tantas análises possíveis pelos temas tocados, tantos sentimentos ativados pela leitura… Esse livro é daqueles que atravessará séculos sem perder sua grandiosidade.