“A cidade das garotas”

Alguns autores se mantém no meu radar – fico atenta para saber se há livros novos pois a chance de eu adorar são grandes. Nesta lista estão J. K. Rowling, Luiz Alfredo Garcia Roza, Joel Dicker, entre outros.

Elizabeth Gilbert é mais uma que pertence à lista, o que significa que eu corri para comprar “A cidade das garotas” (a capa linda, com uma combinação de cores divina também aumentou o apelo!).

foto cidade garotas

Fui apresentada à Vivian, uma jovem norte-americana, nos anos 40, que abandona a faculdade e vai viver com sua tia em Nova York. Sua tia Peg é dirige um teatro do qual é dona, ambiente que deslumbra a garota.

Vivian passa a conviver com artistas, numa névoa de bebida, glamour, diversão e liberdade sexual. Só que o leitor sabe que algo não vai dar certo no meio de tanta folia e então vem o momento de “estrago” na vida, com todo o sofrimento e aprendizado que isso traz.

Comecei a leitura de muita boa vontade e altas expectativas. Gostei muito da linguagem simples e íntima com a qual Vivian se expressa, fui logo tragada para seu mundo.

Então me desanimei com a “vida louca” e as diversas aventuras sexuais, ainda que concordo com a proposta de mostrar como as mulheres podem ter liberdade sexual sem que isso signifique que não são boas pessoas.

Fui perdendo o interesse, mas segui lendo pois Elizabeth escreve de uma maneira que me envolve. Quando achei que, poxa vida, não era o que eu queria encontrar na história, a parte final me arrebatou!

Não era NADA do que eu estava esperando!

O final fugiu dos clichês e deu uma guinada muito bonita, ainda que em certo ponto triste, para onde a trajetória da Vivian parecia apontar. O final salvou toda a experiência da leitura para mim…

 

Crise dos 40 – escolhas profissionais

Eu, minhas amigas e meus amigos estamos todos transitando pela famosa crise dos quarenta. Alguns caíram de cabeça na crise, para outros somente afetou algum aspecto da vida e, por fim, no grupo no qual me incluo, a crise implicou em uma oportunidade de repensar a vida e ressignificar as escolhas, em grande parte reafirmando o caminho seguido até aqui.

Da turma que entrou com tudo no turbilhão dos 40, tem os que fizeram escolhas corajosas e mudaram para ir atrás de sonhos (novos ou antigos) e tem os que me parecem ter feitos escolhas precipitadas, das quais irão se arrepender, ou, ainda, os que não enxergaram a necessidade de mudança e seguem insistindo nos mesmos erros.

Resumindo, na crise dos quarenta, tem de tudo! E uma coisa é você olhar de fora para as escolhas dos outros, enxergando pelas lentes da sua própria história e desejos e outra é você próprio viver suas escolhas, sabendo o que vai no seu íntimo.

Dentre os audaciosos, tenho uma amiga que mudou de profissão. Uma baita mudança. No começo achei tudo aquilo uma loucura, mas trocando a perspectiva pela qual avaliei a decisão, percebi que a ousadia veio temperada por reflexão e que o salto não era imprudente e sim um lindo salto acrobático, digno de altas notas nas Olimpíadas.

Como estou neste momento reflexivo, aproveitei para pensar sobre minha carreira. Eu gosto muito do meu trabalho e principalmente de tudo que ele me traz. Ele encaixa incrivelmente bem na minha vida, assim que não pretendo de nenhuma maneira abandoná-lo. Sigo contente e satisfeita.

Ainda assim, me permiti pensar sobre como seriam outras escolhas.

Como a imaginação é um presente incrível à disposição do ser humano, me deixei viver outras realidades, outras opções de profissão, sem ter que abandonar a minha. E nesse exercício de reflexão somado à imaginação, descobri que se eu tivesse que largar meu atual trabalho e quisesse dar uma guinada, três atividades me fariam felizes.

Não ponderei sobre remuneração, existência de vagas, se eu tenho as aptidões para o trabalho… Imaginei somente os assuntos que fariam com que domingo à noite não fosse um momento de angústia pela próxima semana de trabalho que começaria, mas, pelo contrário, que me trariam empolgação:

  1. Escritora de livros infantis. Juntaria duas coisas que amo, literatura e crianças. Por causa dos meus filhos, crio muitas histórias para os divertir. Poderia passá-las para o papel, estudar sobre literatura infantil, aprendizado na infância, rimas, letras. Poderia criar junto com ilustradores ou quem sabe eu mesma arriscar meus desenhos. Pensar em cores, composição, arte.
  2. Trabalhar numa grande editora, lendo manuscritos e selecionando-os para publicação. Ajudar escritores a refinarem alguma parte da história ou os ajudando quando surgir um bloqueio criativo. Não sei se esse trabalho tem nome e se na prática é mágico como eu imagino, mas pensa ser pago para ler por inúmeras horas?!
  3. Pesquisadora de virologia, imunização e contenção de epidemias. Se não tivesse feito Direito, teria feito genética. Fiquei fascinada na época da primeira grande epidemia de Ebola que chegou à imprensa internacional. Não me pede para ver um coitado de um paciente em carne e osso, mas me manda estudos escritos sobre o tema que eu vibro.

Agradeço a meu cérebro pelas horas divertidas me imaginando em outras realidades.

“Sombra e ossos”

Estava eu sedenta por uma história de fantasia. Com mágica, por favor! Só que o Patrick Rothfuss está há anos nos devendo o terceiro volume da saga O matador de Rei (vol 1 e vol 2 devidamente resenhados e amados), não tenho mais nadinha de Harry Potter para ler e o segundo volume da saga da Passa-espelhos só chega no segundo semestre. Na minha GIGANTESCA livraria pessoal de livros ainda não lidos não tinha nenhum de fantasia.

Então, internet está aí para nos ajudar, certo? Caí no buraco do coelho da Alice e sei lá como cheguei a uma youtuber dando dica de livros de fantasia. O nome da menina eu me esqueci, mas as dicas foram bem anotadas e comecei por “Sombra e ossos”, de Leigh Bardugo.

Na mosca!

sombraossos

É um livro YA, com escrita simples e construções de frases que às vezes me dão vontade de corrigir (talvez seja um problema da tradução?). Mas uma vez que eu aceitei estas características, fui tragada pela história e acabei o livro em três dias!

A curiosidade é tamanha que corri para comprar os seguintes dois volumes e já comecei a devorar o segundo.

A personagem principal é a Alina, jovem órfão que vive em Ravka. O país encontra-se em dificuldades econômicas e sociais em virtude da existência da Dobra ou Não-mar. A Dobra é uma espécie de fenda de norte a sul no país, onde a escuridão absoluta reina e  monstros (os alados volcras) atacam quem por ali atravessar.

Alina trabalha como cartógrafa e junto com Maly, seu melhor amigo (e paixão platônica), faz parte de uma esquife que vai atravessar o Não-mar. Atacados por volcras, Alina se joga sobre Maly para defendê-lo e inadvertidamente demonstra possuir um incrível poder de conjurar luz.

O Darkling, general do exército, a leva para a capital, onde ela será treinada junto com os Grishas, que são pessoas que possuem poderes especiais. Ela é vista pelo Darkling como a esperança de acabar com a Dobra.

No meio da atração pelo Darkling, da saudade de Maly, dos duros treinamentos e da dúvida sobre a força de seu poder, Alina se vê no meio de um jogo de intrigas de poder para o qual ela não é párea.

Há uma bem-sacada reviravolta, que me pegou totalmente desprevenida e fez eu me ver desesperada, pois não percebi que a história iria tomar este rumo (e tampouco queria esse rumo)! Não falo mais nada para não estragar a diversão de quem decidir se aventurar por Ravka 🙂

 

 

“Minha história”

Acreditam que eu nunca tinha lido uma autobiografia? Na verdade, esse gênero literário não havia exercido qualquer atração sobre mim. Eu imaginava – preconceito – uma leitura parada, sem graça, cheia de datas e eventos que não despertariam curiosidade em mim.

Talvez só me faltasse a pessoa correta como “autobiografado”.

E essa pessoa foi Michelle Obama e seu aclamado “Minha história”.

livro michelle

Nada de história travada ou desinteressante. Nada de datas e eventos desinteressantes. Pelo contrário, que vida! Que trajetória! Quer personalidade! Que acasos! Que decisões a cada bifurcação! Que resiliência! Que otimismo! Que abertura em mostrar que compartilha das dúvidas de qualquer mãe que que trabalha!

Minha lista de “que…!” vai longe.

Eu pouco sabia da Michelle Obama fora sua postura correta, energética e desbravadora como a primeira primeira-dama negra dos EUA. Ao ler sua história, descobri que ela foi a primeira  – ou das primeiras – em muitos campos e seu compasso moral e paixão pelos estudos me conquistaram.

Eu gostei mais da parte antes de que ela se tornasse primeira-dama. Michele poderia ter sido uma a mais, só que a base de família amorosa combinada com sua personalidade, alavancada por todos que acreditaram nela fez que um futuro melhor se tornasse possível.

Os capítulos sobre seus anos na Casa Branca algumas vezes pareciam conter explicações sobre situações exploradas de forma desfavorável pela mídia e/ou pelos adversários políticos, o que retirou um pouco aquele tom de extrema franqueza. Ainda assim, acho que ninguém pode saber o que é ser atacado por tantas pessoas, que sequer se colocam no seu lugar ou se preocupam com a correção da informação propagada.

Ao fim da leitura, eu tive a certeza de reconhecer uma ídola viva! Michelle é uma mulher incrível. Corajosa, inteligente, determinada, otimista, empática, agregadora, correta. E, além de tudo, escreveu um livro muito cativante!

(terei exagerado nas exclamações? acho merecidas)

Brené Brown no netflix

Eu já havia ouvido/lido o nome da pesquisadora e escritora Brené Brown diversas vezes. Como eu tenho um pé atrás com manuais que tem cheiro de auto ajuda, não me interessei em ler os livros dela.

Minha mãe, a antenada do Instagram, me mandou uma mensagem perguntando sobre a Brené Brown, pois alguém que ela segue teria postado uma foto da “capa” da palestra da Brené no Netflix:

“Brené Brown: the call to courage”

brene

Uma palestra na tv me pareceu uma escolha inofensiva. Se fosse ruim, era só desligar. No máximo, teria perdido 1 hora do meu dia (1h16, para ser mais exata).

O que aconteceu foi o contrário.

Eu não perdi 1 hora.

Eu investi 1 hora.

Eu ganhei alegria, lágrimas de emoção, reflexão, curiosidade, motivação e até, palavra linda que anda banalizada, gratidão.

Que poderoso o discurso da Brené Brown! Que reconfortante ouvir alguém falar que corajosos são aqueles que se expõem, que deixam a vulnerabilidade entrar, que se permitem errar, que buscam ser por inteiro, que deixam a armadura de fora. Que grandioso ouvir que o amor de verdade só existe se você aceitar que junto vem a possibilidade – a grande probabilidade – de se sentir dor.

Deu vontade de sair como uma louca espalhando panfletos pela rua: ouçam o que ela tem a dizer! Vai valer todo seu tempo!

Em resumo, incrível.

“O bom filho”

“O bom filho”, de You-Jeong Jeong chegou até a mim por meio de uma assinatura trimestral que fiz da TAG Livros – inéditos, pois estava curiosa para saber que a tipo de literatura eu seria apresentada. Ainda não li os outros três livros que chegaram nos meses em que a assinatura vigeu, mas posso dizer que esta escolha foi bem interessante.

Só o fato do livro ter sido escrito por uma sul-coreana já me deixou curiosa para conhecer o estilo de escrita e ambientação da história.

A história? A história é terrível.

bom filho

Não terrível no sentido de ruim. Terrível no sentido de causar terror, de ser atroz. De incutir temor no leitor.

Yu-Jin mora com sua mãe e seu irmão adotivo num espaçoso apartamento em uma cidade sul-coreana que ainda está se desenvolvendo, por isso mais parece um canteiro de obras. Ele acorda um dia com um gosto ruim na boca, que é intensificado pela chocante cena ao descer as escadas do duplex: sua mãe está morta e uma enorme quantidade de sangue está espalhada pela casa.

O rapaz não se lembra direito do que aconteceu na noite anterior e é a jornada pela recobrada da memória que acompanhamos. O que se percebe logo de cara é que a reação de Yu-Jin não é o que naturalmente se espera de uma pessoa que se depara com um ente querido morto em circunstâncias tenebrosas.

A leitura transcorria como um acidente cheio de sangue pelo qual eu passava ao lado e não sabia se queria olhar ou não. E o pior de tudo era acompanhar tudo pela mente do narrador, cujos pensamentos e atitudes me deixavam cada vez mais incomodada e assustada.

Muitas vezes eu queria fechar os olhos – o que com a leitura de um livro físico não era possível, então segui na escalada assombrosa do enredo. Mesmo com repugnância no coração, gostei bastante do livro.

 

“O ano em que disse sim”

A Shonda Rhimes criou um império na televisão americana: Grey´s anatomy, Scandal, How to get away with murder. Ela foi parte na revolução da representatividade no entretenimento norte-americano: seus personagens refletem a vida real no sentido em que há variadas cores, sexualidade, opções de vida (casamento/filhos/carreira).

No entanto, o seu imenso sucesso profissional não se refletia na vida pessoal. Shonda conta em “O ano em que disse sim – como dançar, ficar ao sol e ser sua própria pessoa” que tinha se descuidado da saúde, não achava tempo para as filhas, não tinha vida social e recusava todos os convites que não envolvessem ficar numa sala escrevendo.

Sua irmão mais velha lhe disse algo que ficou reverberando em sua mente: que ela sempre dizia “não”. E então Shonda resolveu dizer “sim” para tudo que lhe desse medo. Com isso, livrou-se de amizades tóxicas, deixou de ser obesa, fez palestras, conseguiu brincar com suas meninas e adotou uma nova postura frente a vida.

sim shonda

Shonda exagera naqueles momentos motivacionais-auto-ajuda-você consegue que tanto me irritam nesse tipo de livro. A linguagem por vezes é coloquial demais para meu gosto e eu torci o nariz.

Só que não dá para não gostar de Shonda! Ela é uma pessoa bem incrível e criou personagens fictícios incríveis também. E mesmo não amando a leitura, eu fiquei ainda mais fã dela.