O voo de março de 2015

O que será que aconteceu em março de 2015 que a maioria dos blogs que eu acompanho estavam bem quietinhos?

O que será que aconteceu em março de 2015 que quando eu vi, já estava comemorando a Páscoa, em abril?

O que será que aconteceu em março de 2015 que eu viajei e voltei num piscar de olhos?

O que será que aconteceu em março de 2015 que meus amigos não se lembram bem do que fizeram no mês passado?

Olhando para trás, estou com a sensação de que março de 2015 teve 31 dias no calendário e 5 dias de passagem pelo Cosmos…

“Tigres em dia vermelho”

A expectativa para gostar do livro era alta. Altíssima. Meu irmão me presenteou no meu aniversário. Eu que havia escolhido o título. Ele havia sido indicado por mais de um “amigo virtual”. A sinopse havia prendido minha atenção: relações familiares, um crime, efeitos da II Guerra Mundial…

“Tigres em dia vermelho”, de Liza Klaussmann, tinha tanta pressão em cima dele e infelizmente ele não suportou. Desmoronou. Não me encantou como eu esperava.

A história é contada pela perspectiva de 5 personagens, relacionados entre sim: primas, marido, filhos. As principais protagonistas são as primas adultas Nick e Helena. Grandes amigas, em uma relação que mistura carinho, competição, inveja, submissão, necessidade. Há também o marido de Nick, Hughes, cuja narrativa foi a única da qual me afeiçoei. Por fim, os filhos de cada uma: Daisy, a filha de Helena, que sabe o que quer e não aceita “não como resposta” e Ed, filho de Helena, perturbado, mas não se sabe até que ponto.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

O trunfo do livro são as camadas com que cada personagem é construído. Ninguém é raso: cada um tem qualidade e defeitos. Seres humanos imperfeitos.

A dificuldade que eu encontrei é que tamanha imperfeição me afastou dos personagens. Com exceção de Hughes, não senti empatia por nenhum dos demais, o que, para mi, afeta a leitura. Há leitores que não necessitam dessa conexão; que inclusive gostam de ler sobre pessoas de quem sente raiva ou algum outro sentimento “ruim”. Eu, não. Eu preciso me afeiçoar razoavelmente a um dos personagens principais, caso contrário a leitura não flui.

Para os do primeiro time, recomendo “Tigres em dia vermelho” para apreciar as nuances das relações familiares de pessoas que buscam a felicidade a seu jeito. Para os do meu time, o prazer da leitura dependerá do quanto a compreensão das atitudes dos personagens superar a crítica a seus comportamentos.

PS: Irmão, fica meu muitíssimo obrigada pelo presente!

Alvo humano

Bem atrasada em relação aos filmes que concorreram ao Oscar, neste final de semana conferi “Sniper americano”. Por incrível que pareça, eu não tinha lido a sinopse! Logo eu, que sempre quero saber bem do que se tratar…

Confiei na sugestão dos meus amigos. Ainda bem que eles acertaram, senão não os deixava mais escolher o filme ;-)

sniperA história é real: o mais famoso sniper norte-americano a atuar em guerras, contabilizou dezenas de mortes consideradas como necessárias para evitar a morte daqueles que combatiam pelos EUA. Chris Kyle (um bombado Bradley Cooper) possuía um dom de acertar em alvos vivos à distância, o que serviu bem ao Exército americano nos locais mais inóspitos no Iraque.

Como bom filme de guerra para homens, tem tensão, tiros, bandidos e mocinhos. Como bom filme que defende o “american way of life“, o matador do lado americano é o justiceiro, mesmo que mate crianças e mulheres para defender seus pares.

As questões morais e psicológicas daqueles que atuam em combate são não exploradas – depende do interesse do espectador fazer tais questionamentos dentro de sua mente ou discuti-las com quem te acompanhou ao cinema. Já a parte da aventura é muito bem retratada, em tomadas muito reais.

Perolazinha

Há filmes que são verdadeiras perolazinhas, não? “Uma viagem extraordinária” é um desses achados.

t s spivetT. S. Spivet é um garoto de 12 anos que vive em um ambiente incomum. Mora numa propriedade rural no interior de Montana, EUA, com sua peculiar família. Seu pai é um caubói bem calado. Sua mãe, uma cientista. Sua irmã mais velha, uma típica aborrecente. Seu irmão, seu melhor amigo. E ele, um gênio, que ganha um prêmio de uma valorosa instituição que não sabe da real identidade do vencedor.

O menino decide ir para Washington receber o prêmio pelo seu invento, sem avisar seus pais. Ele se sente culpado pela morte do irmão gêmeo e o ambiente familiar não está dos mais acolhedores desde a tragédia. Ele empreende uma grande aventura desde o rancho até a capital norte-americana.

O colorido do filme é mágico e lúdico. A trama tem um quê de surreal, bem ao estilo do diretor Jean-Pierre Jenunet (do meu amado “O fabuloso destino de Amelie Poulain”). Os personagens podem não ter muita profundidade, o que é compensado por diálogos saborosos e cenários de encher os olhos. Um filme muito criativo!

35a coisa que eu aprendi

Por que mais um item?

35 – Você vai cometer gafes não somente no mundo real, mas também no virtual. Como fazer uma lista de 34 coisas que você aprendeu em seus 34 anos até se dar conta de que você tem 35 anos.

Pois é.

Uma amiga fez um comentário no meu facebook “só 34 anos?” e eu achei engraçadinho, imaginei que ela queria dizer “olha como somos jovens”. Dois dias depois – plec! Um estalo na minha mente. O comentário dela foi para me dizer que não, eu não tinha 34 anos.

Então é isso, mais um aprendizado de vida. Gafes virtuais.

Viva meus 35 anos!

34 coisas que eu aprendi – parte II

O que mais eu aprendi?

18 – Você não precisa dizer tudo que vem à sua cabeça. Nem sempre a verdade precisa sair da sua boca. Depende se ela vai servir a algum propósito benéfico. Caso contrário – e mesmo em casos em que aparente haver um lado bom – melhor deixar a sua observação para si mesma. Essa lição não fui eu que aprendi, foi uma amiga. E a nossa relação (e com outras amigas) melhorou bastante!

19 – Se você namora, querem que você se case. Se você casou, te perguntam quando vem o filho. Quando o primeiro faz um ano de idade, lá vem a cobrança pelo segundo. Se você não segue esse padrão, resolve não casar ou ter 4 filhos, as pessoas fazem cara de espanto. Nem parece que estamos no século XXI.

20 – E por falar em filhos, se você os teve, seu mundo mudou e MUITO.

21 – As melhores decisões que você tomou na vida dão frutos. Se você ainda não acertou nessas decisões, é uma boa hora para rever os conceitos, com mais maturidade e paciência do que aos 20.

22 – Nem só de hits do momento vive seu rádio. Agora há espaço para umas músicas bem velhinhas e um ou outro programa falado.

23 – Comer cheeseburger de madrugada vai dar congestão. Quem diria.

24 – Dormir até meio-dia não existe mais. Ou você tem filhos (que não entendem o conceito de final de semana) ou você tem um trabalho demandante ou você passou a sofrer de insônia. Qualquer que seja a razão, suas conversas de whatsapp começam antes das 7hs da manhã.

25 – Rótulos já não fazem tanto sentido. Você pode gostar de “America´s next top model”, Katy Perry e brigadeiro ao mesmo tempo em que estuda filosofia, faz trabalho voluntário e ouve ópera.

26 – Aquele traço da sua personalidade de que você não tinha tanta certeza se era desejável passa a ser algo com o qual você aprendeu a conviver. Seja reforçando, seja afastando, você resolveu qual o espaço que ele ocupa nas suas atitudes. Pode até mesmo passar a gostar muito dele, por definir quem você é.

27 – O que te irrita aos 20 nem sempre é o mesmo que irritará aos 30.

28 – O que te alegra aos 20 nem sempre é o mesmo que te alegrará aos 30.

29 – Este é bem pessoal: aborto, tráfico de mulheres para exploração sexual, desigualdade no mercado de trabalho, idealização do corpo perfeito são assuntos que me preocupam e me fazem querer levantar uma bandeira. Se eu tive mais oportunidades como mulher, foi porque alguém lutou por isso ou, ao menos, tornou esses temas uma discussão pública.

30 – Gentileza nem sempre gera gentileza. Mas pelo menos você dorme bem consigo mesma sabendo que fez sua parte.

31 – Ler mentes não é uma habilidade que as pessoas com as quais você convive possuam. Se algo te chateou de verdade, converse com a pessoa. Se alguém fez algo bacana, elogie. Se você quer uma mudança, exponha seus argumentos.

32 – Quer que algo aconteça? Vá atrás. Seus pais, amigos, marido podem te ajudar. Só que ninguém pode fazer por você. Dá trabalho? Sim. Dá resultado? Em geral, sim. No mínimo você sabe que tentou e muda de estratégia.

33 – Um beijo bem dado permanece como desejável e desejado.

34 – Você decidiu o que importa na sua vida. Sejam pessoas, coisas, atitudes, opções, lugares. Pode ser que tudo mude na próxima década, mas por enquanto você conhece suas escolhas e está em paz – ou poderia estar – com elas.