Perolazinha

Há filmes que são verdadeiras perolazinhas, não? “Uma viagem extraordinária” é um desses achados.

t s spivetT. S. Spivet é um garoto de 12 anos que vive em um ambiente incomum. Mora numa propriedade rural no interior de Montana, EUA, com sua peculiar família. Seu pai é um caubói bem calado. Sua mãe, uma cientista. Sua irmã mais velha, uma típica aborrecente. Seu irmão, seu melhor amigo. E ele, um gênio, que ganha um prêmio de uma valorosa instituição que não sabe da real identidade do vencedor.

O menino decide ir para Washington receber o prêmio pelo seu invento, sem avisar seus pais. Ele se sente culpado pela morte do irmão gêmeo e o ambiente familiar não está dos mais acolhedores desde a tragédia. Ele empreende uma grande aventura desde o rancho até a capital norte-americana.

O colorido do filme é mágico e lúdico. A trama tem um quê de surreal, bem ao estilo do diretor Jean-Pierre Jenunet (do meu amado “O fabuloso destino de Amelie Poulain”). Os personagens podem não ter muita profundidade, o que é compensado por diálogos saborosos e cenários de encher os olhos. Um filme muito criativo!

35a coisa que eu aprendi

Por que mais um item?

35 – Você vai cometer gafes não somente no mundo real, mas também no virtual. Como fazer uma lista de 34 coisas que você aprendeu em seus 34 anos até se dar conta de que você tem 35 anos.

Pois é.

Uma amiga fez um comentário no meu facebook “só 34 anos?” e eu achei engraçadinho, imaginei que ela queria dizer “olha como somos jovens”. Dois dias depois – plec! Um estalo na minha mente. O comentário dela foi para me dizer que não, eu não tinha 34 anos.

Então é isso, mais um aprendizado de vida. Gafes virtuais.

Viva meus 35 anos!

34 coisas que eu aprendi – parte II

O que mais eu aprendi?

18 – Você não precisa dizer tudo que vem à sua cabeça. Nem sempre a verdade precisa sair da sua boca. Depende se ela vai servir a algum propósito benéfico. Caso contrário – e mesmo em casos em que aparente haver um lado bom – melhor deixar a sua observação para si mesma. Essa lição não fui eu que aprendi, foi uma amiga. E a nossa relação (e com outras amigas) melhorou bastante!

19 – Se você namora, querem que você se case. Se você casou, te perguntam quando vem o filho. Quando o primeiro faz um ano de idade, lá vem a cobrança pelo segundo. Se você não segue esse padrão, resolve não casar ou ter 4 filhos, as pessoas fazem cara de espanto. Nem parece que estamos no século XXI.

20 – E por falar em filhos, se você os teve, seu mundo mudou e MUITO.

21 – As melhores decisões que você tomou na vida dão frutos. Se você ainda não acertou nessas decisões, é uma boa hora para rever os conceitos, com mais maturidade e paciência do que aos 20.

22 – Nem só de hits do momento vive seu rádio. Agora há espaço para umas músicas bem velhinhas e um ou outro programa falado.

23 – Comer cheeseburger de madrugada vai dar congestão. Quem diria.

24 – Dormir até meio-dia não existe mais. Ou você tem filhos (que não entendem o conceito de final de semana) ou você tem um trabalho demandante ou você passou a sofrer de insônia. Qualquer que seja a razão, suas conversas de whatsapp começam antes das 7hs da manhã.

25 – Rótulos já não fazem tanto sentido. Você pode gostar de “America´s next top model”, Katy Perry e brigadeiro ao mesmo tempo em que estuda filosofia, faz trabalho voluntário e ouve ópera.

26 – Aquele traço da sua personalidade de que você não tinha tanta certeza se era desejável passa a ser algo com o qual você aprendeu a conviver. Seja reforçando, seja afastando, você resolveu qual o espaço que ele ocupa nas suas atitudes. Pode até mesmo passar a gostar muito dele, por definir quem você é.

27 – O que te irrita aos 20 nem sempre é o mesmo que irritará aos 30.

28 – O que te alegra aos 20 nem sempre é o mesmo que te alegrará aos 30.

29 – Este é bem pessoal: aborto, tráfico de mulheres para exploração sexual, desigualdade no mercado de trabalho, idealização do corpo perfeito são assuntos que me preocupam e me fazem querer levantar uma bandeira. Se eu tive mais oportunidades como mulher, foi porque alguém lutou por isso ou, ao menos, tornou esses temas uma discussão pública.

30 – Gentileza nem sempre gera gentileza. Mas pelo menos você dorme bem consigo mesma sabendo que fez sua parte.

31 – Ler mentes não é uma habilidade que as pessoas com as quais você convive possuam. Se algo te chateou de verdade, converse com a pessoa. Se alguém fez algo bacana, elogie. Se você quer uma mudança, exponha seus argumentos.

32 – Quer que algo aconteça? Vá atrás. Seus pais, amigos, marido podem te ajudar. Só que ninguém pode fazer por você. Dá trabalho? Sim. Dá resultado? Em geral, sim. No mínimo você sabe que tentou e muda de estratégia.

33 – Um beijo bem dado permanece como desejável e desejado.

34 – Você decidiu o que importa na sua vida. Sejam pessoas, coisas, atitudes, opções, lugares. Pode ser que tudo mude na próxima década, mas por enquanto você conhece suas escolhas e está em paz – ou poderia estar – com elas.

34 coisas que eu aprendi – parte I

Inspirada por um dos melhores posts que li nos últimos tempos (leia aqui), decidi refletir sobre 34 coisas que eu aprendi nesses meus 34 anos.

Acho que o aprendizado tem muito de pessoal e muito de comum à idade. Minhas amigas da minha idade vão se identificar com muito do que eu falar. As leitoras de 24 pensarão “que coisa de velha” e as leitoras de 44 em diante pensarão “não sabe nada da vida”.

No fim, a lista é mais para diversão própria – e reflexão, por que não? – do que para pretender dar conselhos aos mais jovens, que podem até mesmo estarem mais escolados do que eu!

Para não ficar longo, essa minha compilação de pérolas do saber será dividida em 2 posts.

E vocês, que revelação de sabedoria podem compartilhar?

1 – Você vai pagar a língua. “Eu nunca” ou “Eu sempre” são expressões que voltam para te jogar na cara que a vida nem sempre é como você imaginou. Principalmente depois que você vira mãe, muitas verdades desmoronam e te mostram que tudo (ou quase tudo) depende de uma variedade de circunstâncias que você sequer tinha considerado. Ou que você tinha a pretensão de saber como seria e a realidade te mostrou que não é bem assim…

2 – Amizade pode não durar a vida inteira. E nem por isso é menos importante. Há pessoas que passam na sua vida por um período, com um propósito. Reconhecer isso é fazer as pazes com o passado.

3 – Já as amizades “para a vida toda” são cíclicas, como já dizia minha sábia mãe. Uma hora vocês estão grudadas, então se afastam porque os interesses não coincidem mais, depois voltam a ter muito em comum. O importante é não deixar a ligação emocional se perder na correria do dia-a-dia. Aceitar que nem sempre as fases da vida de vocês serão concomitantes – o que não tira a delícia de se ter aquele(a) amigo(a). E que logo a vida se transforma e lá estão vocês grudadas de novo.

4 – Ficar horas na fila da balada é um passado tão distante que você nem sem lembra da pessoa que era quando fazia isso. Eu saía muito à noite aos 20 anos. Hoje não passo das 23hs sem bocejar. Porém, se você for solteira ou super-hiper-ultra empolgada, vai continuar na fila da balada. Só não sei te dizer se você vai reclamar ou não, já que fila de balada para mim é uma lembrança um tanto apagada.

5- Aliás, se você for convidada para uma balada, não saberá que roupa usar (com exceção daquelas pessoas que continuaram no pique, como disse acima).

6 – Quando você faz as contas e descobre que está com a mesma pessoa há mais de dez anos, você leva um susto. Peraí, a gente não começou a namorar outro dia?

7 – O que me leva a outro ponto: quando você faz qualquer conta (que se formou há mais de 12 anos, que tem amigos de faculdade há mais de 15 anos, que tem amigos de escola há mais de 25 anos), você fica ainda mais assustada com o passar do tempo.

8 – Você se acha nova e velha. Em geral ao mesmo tempo.

9 – É difícil aceitar que os estagiários te chamam de senhora.

10 – Você se pega repetindo atitudes dos seus pais de que você não gostava quando criança.

11 – Sabe aqueles sapos que você teve de engolir? Meu pai me aconselhava a guardá-los na estante, que um dia você poderia devolvê-los ao “dono” ou esquecer deles de vez. Isso finalmente começa a acontecer.

12 – Muitas inseguranças já te abandonaram e isso dá um baita alívio.

13 – Você aprende que colega de trabalho é colega de trabalho. Que pode virar amigo. Mas que em geral é só colega de trabalho e ponto. O problema é que você não aprendeu realmente – você deveria ter aprendido. Isso significa que de vez em quando você ainda confunde as bolas, acha que o colega é amigo e volta para casa chateada.

14 – Para manter a amizade, não discuta política, futebol e religião. Parece clichê, mas basta ver o facebook e seu desfile de intolerância de ambos os lados.

15 – O que te dava medo você aprendeu a enfrentar. Novos medos surgiram no lugar dos antigos.

16 – Eu mal pensava na morte e na finitude da vida. De repente, torna-se um ponto real com o qual eu ainda não aprendi a lidar.

17 –  Você passa a entender melhor de finanças. E de aposentadoria. Ai!

Longa vida ao livro em papel

Perdido na caixa de entrada, estava um email que meu marido mandou com um link para uma reportagem da The Economist. Hoje foi dia de “faxina emailística” e encontrei esse encorajador texto que declara que os livros em papel mostrarão seu poder de continuar em nossas vidas.

Para quem lê em inglês e é amante dos livros em papel, recomendo a leitura, que é rápida:

http://www.economist.com/news/21631899-print-books-will-show-their-staying-power-adapter-and-verse

Deixo com vocês um trecho, traduzido livremente por mim, que mostra alguns dos porquês da continuidade dos livros em papel:

Por que os livros em papel continuam sendo o formato dominante em 2015 e nos próximos anos? Uma das razões é a lição que se tira da História: novos tipos de livros sempre convieram lado a lado com o formato anterior. Pergaminhos continuavam sendo utilizados mesmo muito tempo após o surgimento do codex (livro encadernado) e manuscritos permaneceram populares após a ascensão do modo impresso. Hoje, os livros em formato físico em geral carregam um valor sentimental que não se consegue com DVDs e CDs. Os leitores gostam de ver os livros em papel nas suas estantes e os encontram mais facilmente para referência. Eles permanecem presentes populares.”

 erica

 

Tema mal explorado

Já que não podíamos ir ao cinema, a Apple TV salvou o domingo a noite. Quer dizer, salvou mais ou menos, pois eu e meu marido fizemos uma escolha ruim: “O doador de memórias”.

doador memoriasMais um da atual leva de histórias de mundos distópicos, neste livro transformado em filme as memórias do passado foram apagadas e as emoções restritas. Sem esses dois componentes intrinsicamente humanos, a vida em sociedade tornou-se pacata e organizada. Sem fome, sem guerra, sem vaidade, sem maldade.

E também sem cor, sem amor, sem risadas de doer a barriga, sem lágrimas de felicidade – como vem a descobrir Jonas, o jovem escolhido para ser o próximo receptador de todas as memórias da humanidade. Afinal de contas, mesmos os anciãos que organizam a vida de todos precisam de um ou outro conselho vindo de quem tem a sabedoria de experiências passadas.

O tema é bem instigante e poderia ter sido muito bem explorado. Só que ao invés de permitir ao espectador a reflexão se vale a pena nos livrarmos das memórias (tristes e felizes) e das emoções (boas e ruins), o filme é uma aventurazinha adolescente beeeeem fraquinha.

“Os luminares” – tentativa 1

Aceitar a derrota não é fácil. A preguiça, falta de interesse e ansiedade me dominaram. Larguei o premiado “Os luminares”, de Eleanor Catton na página 120. Se parece que a leitura estava avançada, merece ser ressaltado que o calhamaço tem quase 900 páginas e, se eu continuasse no ritmo em que estava, faltariam 8 meses e meio para terminar. Nada encorajador, eu diria.

Foto por Júlia A. O.

Foto por Júlia A. O.

Quando minha mãe me contou, animada, que havia comprado um dos livros mais falados da Flip, eu também me empolguei. A menção ao fato de que a história tinha por base os parâmetros astrológicos me fez criar uma expectativa errônea: a de que a história tinha um quê de misticismo. Assim como eu me enganei ao supor que por estarem investigando um assassinato, o livro teria as reviravoltas de um bom livro policial.

Mesmo com o assustador número de páginas, não é uma leitura desgastante. A Autora habilmente constrói a personalidade de cada um dos homens envolvidos na elucidação (ou cometimento) do crime. São personagens multifacetados e nada comuns. Minha dificuldade foi a lentidão com que cada “micro pecinha” do emaranhado de relações vai sendo colocada em loooongos capítulos.

Para o recém-fundado vilarejo de Hokitika, na Austrália, homens navegam atrás de pepitas de ouro. Misturam-se garimpeiros e funcionários do governo a toda sorte de pessoas que se sujeitam a qualquer coisa pela sonhada riqueza. Um homem é encontrado morto. Uma prostituta tenta dar cabo de sua vida. E homens que não possuíam nenhum tipo de vínculo se encontram reunidos para descobrir o que de fato ocorreu. Cada um com suas memórias, que vão sendo reveladas ao leitor em minúsculas doses.

Vou devolver o livro a minha mãe, desejar melhor sorte e guardar o desejo de um dia novamente tentar a leitura d´”Os luminares”.